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Mundo

Ataque em Beirute aumenta temor de avanço do conflito na Síria

Mísseis atingem bairro xiita ocupado pelo grupo Hisbolá, que luta ao lado das tropas do regime Assad no conflito com rebeldes na Síria. Apoio a governo em Damasco baseia-se em interesses estratégicos na região.

Dois mísseis atingiram neste domingo (26/05) um bairro xiita em Beirute, considerado uma fortaleza do grupo Hisbolá. Os ataques deixaram pelo menos quatro feridos e aumentaram os temores de que o conflito na Síria, que já dura mais de dois anos, tenha avançado sobre o país vizinho.

Até agora nenhum grupo reivindicou a autoria dos ataques, mas eles ocorreram poucas horas após o líder do Hisbolá, Hassan Nasrallah, afirmar que continuará lutando "até a vitória" ao lado do presidente sírio nos confrontos entre tropas do governo e rebeldes.

Desde o início dos conflitos na Síria, este foi o primeiro ataque aparentemente visando a área Hisbolá, no sul da capital libanesa. Os embates entre rebeldes e tropas leais ao presidente sírio, Bashar al Assad, já deixaram mais de 80 mil mortos e 1,5 milhão de exilados, segundo organizações internacionais.

Os Estados Unidos e a Rússia programam para junho a realização de uma conferência internacional a fim de discutir saídas diplomáticas para a crise na Síria. Segundo o ministro sírio do Exterior, Walid al Moualem, o governo em Damasco acredita que o encontro poderá ser uma oportunidade para resolver a crise, portanto "a princípio", o país participará do debate.

Desde o início dos confrontos na Síria, o Líbano tem estado polarizado: de um lado, estão os muçulmanos sunitas apoiando a maioria insurgente, também sunita, contra o regime Assad; do outro, estão os xiitas do Hisbolá, que apoiam o presidente da Síria, pertencente à minoria alauita – vertente do islamismo xiita.

Syrien Soldaten in Kusair Qusayr

Soldados sírios em Qusair, onde também contam com apoio de combatentes do Hisbolá

Mortes aumentam

O número de combatentes do Hisbolá mortos na Síria vem aumentando. Desde que a organização libanesa começou a atuar no país vizinho, em apoio ao presidente Assad, pelo menos cem integrantes perderam a vida, segundo os defensores dos direitos humanos na Síria. O número de mortes cresce especialmente nos combates pelo controle da cidade síria de Al Qusair, na fronteira com o Líbano.

Para o cientista político Rami Khouri, da Universidade Americana de Beirute, apesar das grandes perdas humanas resultantes das investidas do Hisbolá na Síria, a organização ainda tem como meta formar, junto ao Irã e à Síria, uma autodenominada frente de resistência contra Israel e o Ocidente. "Se a Síria e o regime de Assad caírem, seria um grande golpe para o Hisbolá e o Irã", avalia o professor em entrevista à Deutsche Welle.

O eixo Teerã-Damasco-Hisbolá, acredita Khouri, quer evitar que outros países ganhem mais espaço no mapa político da região. Os sunitas da Arábia Saudita e do Catar estariam tentando, por exemplo, por meio de uma mudança do governo na Síria, impedir a influência dos xiitas do Irã. Sem a Síria, o eixo ficaria praticamente de lado e o Hisbolá, assim como o Irã, continuaria isolado.

Hisbolá atingido

Com o apoio militar na Síria, o Hisbolá também espera reafirmar sua base de poder no próprio Líbano. Afinal, se o regime em Damasco cair, a organização xiita se enfraquece, ressalta Khouri. O Hisbolá tem lucrado com o apoio político e logístico ao governo Assad, o qual repassa informações sigilosas ao grupo e faz o transporte de equipamentos.

Hisbollah Parade in Libanon Archivbild 28.11.2012

Parada militar do Hisbolá no Líbano

Até mesmo as estreitas relações entre os xiitas libaneses e o Irã seriam abaladas caso o regime sírio venha a cair. Em 1982, o governo em Teerã ajudou a construir o Hisbolá. Até hoje os iranianos, de mesma fé religiosa, exercem grande influência sobre o braço político e militar da organização libanesa. E sem acesso direto pela Síria o repasse de armas e combatentes iranianos até o Líbano ficaria bem mais complicado, pois o Líbano só teria fronteira com Israel. Desde 2006 a costa libanesa vem sendo protegida por uma frota internacional da ONU.

Combatentes de elite

Não se sabe exatamente o quanto o Hisbolá está engajado no conflito interno sírio. Ely Karmon, do Instituto de Combate ao Terrorismo na cidade israelense de Herzliya, estima que o número de combatentes possa chegar a alguns milhares. "É uma tropa de elite, que antigamente lutava contra Israel no sul do Líbano", ressalta o especialista. Em caso de necessidade, a organização pode ainda acionar sua grande, porém pouco preparada milícia.

As ações de guerra aumentam, porém, a tensão no instável Líbano. Há décadas o Hisbolá tem se mostrado como um fator de poder no país. Sunitas e parte da população cristã no Líbano têm várias reservas em relação à organização.

Os Estados Unidos estão discutindo a entrada do Hisbolá na lista de organizações terroristas. Com isso, ações mais duras poderiam ser tomadas contra o grupo. Mas líderes da organização vêm se mostrando pouco impressionados. Cada vez mais combatentes estão se apresentando no frente de combate na Síria.

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