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Mundo

Ataque a inspetores da ONU na Síria aumenta pressão sobre comunidade internacional

Equipe encontrou vítimas e coletou amostras em Ghuta, palco de ataque governamental que, segundo oposição, teria usado armas químicas. Provas podem ser argumentos para intervenções militares consideradas pelo Ocidente.

O porta-voz das Nações Unidas Martin Nesirky, que fala pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta segunda-feira (26/08) que um veículo dos inspetores da organização, que investigam o suposto uso de armas químicas pelo regime do presidente sírio Bashar Al-Assad, foi "alvejado deliberadamente com tiros por repetidas vezes" por atiradores desconhecidos na capital do país, Damasco.

O tiroteio aconteceu na zona neutra entre o território controlado pelo governo sírio e uma área rebelde.

Depois de substituir o carro, a equipe de inspetores da ONU retornou ao local na periferia de Damasco, onde teria acontecido um ataque com armas químicas por forças do regime sírio na semana passada. De acordo com dados da oposição, mais de 1.300 pessoas foram mortas nas localidades de Ghuta e Muadamiyat al Sham.

Se for confirmado, o ataque com recurso a armas químicas seria o mais mortal desde que o ex-ditador iraquiano, Saddam Hussein, usou gás contra tropas iranianas e rebeldes curdos nos anos 1980.

Os inspetores já teriam chegado ao local, num comboio de cinco veículos, de acordo com ativistas. A equipe encontrou vítimas do ataque e coletou amostras em Ghuta.

O governo sírio, que segundo a ONU concordou com um cessar-fogo enquanto os inspetores estivessem em Ghuta oriental, culpou forças rebeldes pelo ataque à equipe internacional, de acordo com a televisão estatal do país.

Fonte do Ministério da Informação teria dito à TV que o governo sírio vai "responsabilizar os grupos terroristas armados pela segurança dos membros da equipe da ONU." Os rebeldes também tinham concordado com um cessar-fogo e várias brigadas teriam dito que garantiriam a proteção dos inspetores.

Disposição para intervir na Síria

Os inspetores da ONU receberam autorização do governo sírio para visitar a região de Ghuta, no leste de Damasco, no domingo, para verificar o suposto uso de armas químicas no ataque. Eles tinham chegado ao país alguns dias antes, com autorização para investigar o suposto uso de armas químicas em três outras localidades sírias.

Autoridades dos EUA criticaram a decisão "tardia" da Síria de permitir a entrada dos inspetores da ONU em Ghuta, já que bombardeios teriam "corrompido" o local nos últimos dias e desde o ataque, que aconteceu na quarta-feira passada.

O governo britânico é da mesma opinião, divulgada pelo ministro das Relações Exteriores William Hague no domingo: "Se o regime acreditasse que alguém mais tivesse realizado esse ataque, ele teria garantido o acesso dos inspetores da ONU ao local há vários dias", afirmou, acrescentando que "para o governo britânico, está claro que foi o regime de Assad que realizou o ataque".

O Reino Unido também estaria disposto a usar a força sem autorização da ONU, segundo afirmou Hague nesta segunda-feira. "É possível responder às armas químicas sem uma unidade completa no Conselho de Segurança da ONU? Eu diria que sim. Caso contrário, é claro que seria impossível para responder a tais insultos, a tais crimes", afirmou, em entrevista de rádio.

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EUA prontos para ataque

O presidente sírio, Bashar al-Assad, rejeitou com veemência acusações de que suas forças teriam usado armas químicas, afirmando que declarações de líderes ocidentais a respeito são "um insulto ao bom senso" e "absurdas", em entrevista à edição de segunda-feira do jornal russo Izvestia. O chefe de governo também alertou os EUA contra uma intervenção militar na Síria, dizendo que os EUA fracassariam, "como em todas as guerras anteriores que começaram, desde a Guerra do Vietnã até os dias de hoje."

Assim como o governo britânico, os EUA estariam cada vez mais convencidos de que o regime sírio esteve por trás do ataque da última quarta-feira. Washington estaria considerando uma "possível ação militar", disse um oficial americano que viajou com o secretário de Defesa dos EUA, Chuck Hagel, no fim de semana e que pediu anonimato.

Hagel disse no fim de semana que as forças armadas dos Estados Unidos estão preparadas para intervir na Síria, caso o presidente americano, Barack Obama, ordene a operação. A Casa Branca informou que Obama pediu aos serviços de inteligência que reúnam "fatos e provas" e que governo tem uma série de opções e que agirá em conformidade com os "interesses nacionais".

O ministro russo do Exterior, Sergei Lavrov, alertou contra uma ação militar dos EUA em coletiva de imprensa nesta segunda-feira e disse que qualquer intervenção militar na Síria seria uma violação grave da legislação internacional. Lavrov acrescentou que os Estados Unidos e outras potências ocidentais deveriam evitar "erros do passado" ao intervir na Síria. Ele afirmou ainda que o Ocidente não tem provas de que o regime sírio usou armas químicas.

Bloqueio diplomático

O ataque da última quarta-feira fez aumentar as tensões de um conflito que já dura quase dois anos e meio e que, segundo a ONU, já vitimou mais de cem mil pessoas desde que começou, com revoltas populares contra o governo de Assad, em março de 2011.

Com o aumento das tensões e a divulgação de vídeos e fotografias das vítimas do ataque, aumentou também a pressão sobre a comunidade internacional, dividida sobre como responder a um conflito em que as resoluções da ONU são constantemente bloqueadas por Rússia e China, aliadas da Síria.

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Barack Obama afirmou no ano passado que o uso de armas químicas na Síria constituía uma "linha vermelha" que poderia desencadear intervenções internacionais no país. Ao mesmo tempo, os EUA estariam temendo o novo envolvimento numa guerra civil, pouco tempo depois de ter retirado suas tropas do Iraque.

O ministro do Exterior alemão, Guido Westerwelle, alertou que haverá "consequências", caso as alegações contra o governo sírio forem comprovadas como verdadeiras. "O uso de armas químicas de destruição em massa seria um crime contra a civilização", afirmou. Westerwelle disse também que ainda acredita "numa solução política para resolver o conflito".

Paris afirmou que o Ocidente irá decidir nos próximos dias sobre uma resposta. "As opções estão abertas. A única opção que eu não prevejo é a de não se fazer nada", garantiu o ministro do Exterior francês, Laurent Fabius. A Turquia afirmou que irá participar de uma coalizão internacional contra a Síria, mesmo se o Conselho de Segurança da ONU não chegar a um consenso sobre o assunto.

MD/afp/rtr/dpa

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