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Alemanha

Até tu, Getty?

Multimilionário norte-americano teria participado de conspiração para ajudar Hitler no início da Segunda Guerra. É o que revelam documentos do arquivo nacional britânico, divulgados pelo serviço secreto em Londres.

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Jean Paul Getty em foto de 1966

Em meados do século passado, Jean Paul Getty era o homem mais rico do mundo. Nascido no Texas (EUA), em 1892, começou a trabalhar na empresa petrolífera do pai em 1914. Sua enorme habilidade empresarial contribuiu para que a Getty Oil Company se tornasse um gigante do setor, com concessões em toda a América do Norte, Arábia Saudita, Kuweit e Iraque. Detinha, além disso, a maior frota de petroleiros do mundo.

Sua fórmula para o sucesso foi descrita por ele próprio no livro Como ficar rico e em várias autobiografias. Grande apreciador das artes, Getty destinou enormes somas de dinheiro ao setor, inclusive para a construção do museu conhecido mundialmente que leva seu nome, em Los Angeles.

Ele faleceu em 5 de junho de 1976, deixando "apenas" uma parcela de 10 bilhões de dólares de sua fortuna para os herdeiros. Suas relações com o regime nazista de Hitler, entretanto, só foram reveladas recentemente, pelo arquivo nacional britânico. As informações teriam sido reunidas por William Stephenson (codinome: Intrépido), enviado secreto de Churchill à Casa Branca durante a presidência Roosevelt.

Petróleo e hotel para espiões

Segundo as revelações feitas pelo serviço secreto britânico e divulgadas pelo diário Telegraph numa reportagem intitulada "Getty ajudou traidores a vender petróleo a Hitler", o magnata teria sido a figura principal de um grupo de conspiradores que apoiou os nazistas no início da Segunda Guerra Mundial.

Getty teria contornado o boicote britânico, abastecendo a Alemanha com petróleo bruto através do México e da Rússia, até que esta fosse invadida pelas tropas de Hitler, em junho de 1941. Além disso, é acusado de hospedar espiões alemães em seu "Hotel Pierre". O nobre estabelecimento nova-iorquino era dirigido por um ex-capitão de submarino alemão. Dizia-se que o milionário comprou o hotel apenas para poder demitir um garçom. Este teria tratado Getty de forma grosseira certa vez, quando o magnata ali se hospedou.

A linguagem dos documentos divulgados pelo serviço secreto britânico assemelham-se à de um romance de espionagem barato: "O hotel estava repleto de pessoas suspeitas. Entre os residentes no 'Pierre', que não pareciam ricos mas ocupavam as suítes de luxo, havia uma condessa Mohle, que passava seu tempo flirtando com oficiais norte-americanos e tinha um interesse insaciável por assuntos militares".

"Velho amigo" de Hitler

Já antes da guerra, Getty mantinha negócios e contatos pessoais com a Alemanha de Hitler. Ele se interessava não só pelas coleções de arte confiscadas dos judeus pelo regime como também pelos móveis da família Rothschild.

Os laços de amizade parecem não ter sofrido grandes mudanças após o início da guerra, em setembro de 1939. Os documentos londrinos revelam: "Getty, dono da Missão Oil Corp., que detém a patente alemã para a IG Farben, retornou da Alemanha em novembro de 1939 e falou despreocupadamente do seu 'velho amigo' Hitler."

O ataque japonês à base norte-americana de Pearl Harbor em setembro de 1941, no entanto, despertou o patriotismo de Getty. Contando 49 anos de idade, "e em ótimo estado de saúde", segundo o relatório médico, ele se apresentou para combater pela Marinha dos Estados Unidos. Nas suas palavras, sentia-se legitimado a combater pela US Navy pois era dono de três iates.

Diários à venda

Os 29 diários de Jean Paul Getty, escritos de 1938 até o ano de sua morte, em 1976, estão à venda num antiquário londrino. Neles, Stalin é citado como "um líder político competente" ao lado da profecia de uma revolução comunista na Alemanha no outono europeu de 1942. O dono do antiquário, Scott Winslow, quer 950 mil dólares pela coleção. O comprador mais cotado é o Museu Getty.