1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Até que ponto a Europa precisa de Deus?

Desde que a Europa passou a contar os anos, sua história está ligada ao cristianismo. A maioria dos europeus é crente. Mesmo assim, o novo Tratado da UE não se refere a Deus, nem menciona Cristo.

default

Tratado Constitucional da UE não menciona Deus

Eles viajavam muito para anunciar a mensagem de Deus. Os quilométricos rolos de papiro não se adequavam às suas finalidades missionárias. Era na forma do códice romano – pequenas folhas de pergaminho protegidas por duas placas de madeira – que os cristãos carregavam sua Sagrada Escritura. O que eles estavam propagando não era só uma crença, mas sim o escrito que viria a se tornar o maior best-seller de todos os tempos: a Bíblia. Era o século 2º depois de Cristo.

"É uma mentira histórica dizer que a cultura européia não foi marcada pelo cristianismo", opina Hubert Tintelott, porta-voz do Comitê Central dos Católicos Alemães. "Sempre volto a constatar que existem grandes déficits históricos em relação à reflexão sobre influências judaicas e muçulmanas na Europa", comenta – por sua vez – Aiman A. Mazyek, secretário-geral do Comitê Central dos Muçulmanos da Alemanha.

Mas esse debate está encerrado. Pelo menos para a política. O preâmbulo do novo Tratado Constitucional da União Européia não faz menção à herança cristã da Europa, além de não conter nenhuma referência a Deus.

Três componentes de um modelo de valores

"Partindo da herança cultural, religiosa e humanística da Europa, da qual se desenvolveram os direitos humanos invioláveis e inalienáveis, bem como a democracia, a igualdade e o Estado de direito": é esta a formulação que consta do preâmbulo do novo tratado.

Deus não é mencionado, apesar do apelo de todas as religiões monoteístas, do cristianismo ao islã. O documento cita tanto a "herança religiosa" da Europa quanto o humanismo – justamente esta visão de mundo que criticou duramente a dominação absoluta da vida humana pela Igreja e posicionou a humanitas no centro do universo, ou seja, no lugar de Deus.

"A formulação é boa: a herança cultural e religiosa, dependendo de onde a pessoa extraia sua inspiração em sua visão religiosa, e a herança humanista da Revolução Francesa e do Iluminismo. São esses três componentes que representam o modelo de valores da Europa, e constam do novo Tratado Constitucional", comenta Jo Leinen, deputado social-democrata no Parlamento Europeu.

Unida na diversidade

Em 1789, muito sangue correu na França, para que o povo fosse libertado da opressão de um rei que governava em nome de Deus. O povo alemão teve péssimas experiências de 1931 a 1945, quando o Estado tentou tomar o lugar da religião. Os espanhóis ainda se lembram da "única verdadeira doutrina da Santa Igreja Católica Apostólica Romana", que inspirou as leis de Franco. Para os poloneses, por sua vez, a Igreja Católica foi uma adversária ativa da ditadura nacional. A Europa é "unida na diversidade": um dos slogans prediletos da UE.

"Nos diversos países da UE, há diferentes tradições e culturas de como lidar com a religião no contexto das comunidades humanas e dos Estados." É assim que Hans-Gert Pöttering, presidente do Parlamento Europeu, argumenta a decisão de excluir a referência a Deus do Tratado Constitucional.

O Instituto Europeu de Estatísticas (Eurostat) fez uma enquete sobre as confissões da população da comunidade. Outras pesquisas indicam, no entanto, que os cristãos estão em maioria na Europa e que a maioria dos europeus acredita em Deus. Como católico, Pöttering teria apreciado a menção a Deus no Tratado Constitucional, assim como seus correligionários democrata-cristãos. No entanto, a França e a Bélgica repudiaram qualquer referência, motivadas por seu laicismo. O Parlamento Europeu, única instância puramente democrática da UE, também votou contra.

Europa e cristianismo, uma discussão de fachada? Leia mais!

Leia mais