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Alemanha

Astronauta alemão confia no sucesso do Discovery

Em entrevista à DW-WORLD, o astronauta alemão Ulrich Walter fala sobre os perigos das viagens espaciais e a sensação na hora do lançamento.

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O Discovery no Centro Espacial Kennedy em Cape Canaveral

DW-WORLD: Quais são suas expectativas em relação ao lançamento do Discovery [primeiro ônibus espacial a ser lançado pela Nasa desde a explosão do Columbia em 1º de fevereiro de 2003] ?

Ulrich Walter: No fundo, muito boas: os norte-americanos fizeram tudo o que estava a seu alcance. O ônibus espacial está em boas condições. Nunca houve tanta segurança, e estou convicto de que não vai acontecer nada de mau.

Em que o sr. baseia sua convicção?

É uma questão psicológica, sabe. Aconteceu uma catástrofe e agora a gente fica de olho. Todo mundo fica esperando: 'será que vai dar certo?'. É claro que vai dar certo. Os outros vôos de ônibus espacial também tinham corrido bem até então. Por que deveria acontecer de novo alguma coisa justamente agora, com um ônibus muito melhor? Não, as estatísticas dizem que talvez só daqui a uns 100 vôos voltará a acontecer alguma coisa.

Até que ponto as viagens espaciais são perigosas hoje em dia?

As viagens espaciais não são livres de perigo. O ônibus espacial é o aparelho mais complicado que a humanidade jamais construiu, e o problema é que se voa nos limites do material. Quer dizer, os ladrilhos térmicos e também as extremidades dianterias das asas são submetidas ao limite máximo de calor. Praticamente não há mais margem. Mas isso é a física da reentrada na atmosfera terrestre – não dá para fazer nada. Não existem materiais melhores e daí precisamos conviver com isso.

Space Shuttle Discovery in Cape Canaveral Team

A equipe do Columbia, morta na explosão de fevereiro de 2003

Que estratégias são ensinadas durante o treinamento, para que o astronauta consiga controlar possíveis medos?

Não se deveria falar em medos e sim em preocupações. E isso é uma grande diferença. Acho que todo astronauta tem a preocupação de que possa acontecer alguma coisa com sua missão, alguma coisa mortal. Mas não é medo. A diferença é que, no caso do medo, sente-se tomado por ele e não se sabe o que fazer. Mas todo astronauta é muito, muito bem treinado para saber o que fazer em qualquer situação de perigo. Isso tira o medo dele e deixa apenas a preocupação.

O que o astronauta treina exatamente?

A psicologia de como lidar com os riscos. A Nasa faz aquilo que é certo: ela treina essas situações. A maior parte dos treinos, mais de 50%, são justamente de situações que a Nasa chama de off nominals, ou seja, situações anormais.

Dá pra o sr. contar um treinamento extremo do qual tenha participado?

Por exemplo, a simulação de um incêndio no lançamento do ônibus espacial. É uma situação extremamente perigosa, a gente precisa sair da nave o mais rápido possível. No alto da rampa de lançamento há uns cestos laterais, a gente precisa entrar neles, escorregar então cerca de um quilômetro para baixo e abandonar o local num pequeno veículo blindado. E a gente treina isso direitinho na rampa de lançamento.

O sr. ainda se lembra da sensação que teve na hora do lançamento do Columbia?

Ulrich Walter

Ulrich Walter a caminha da rampa de lançamento do Columbia em abril de 1993

Nitidamente! É algo que a gente nunca esquece na vida. É uma atmosfera tensa e, por outro lado, alegre e descontraída – ou bem, meio descontraída, a gente não sabe bem o que vem pela frente. É algo de especial: a consciência de estar sentado em cima de 2000 a 2200 toneladas de propulsão, de estar entregue à coisa; se acontecer alguma coisa, não se pode fazer nada. Por outro lado, é muito impressionante aquilo que acontece com a gente.

Sonha-se nesse momento?

Não, de jeito nenhum. Não tem nada a ver com sonhos. É mais como se a gente inspirasse a realidade muito mais profundamente. Olha-se tudo com muita atenção. Eu disse a mim mesmo: 'agora você trabalhou cinco anos e chegou a hora. Depois de cinco anos de trabalho duro, é que tudo começa de verdade'. A gente se concentra naquilo que está por vir. Isso é o que toma conta da pessoa.

Existe uma recompensa para o longo e duro período de treinamento?

A recompensa é o próprio vôo, não apenas o lançamento. A recompensa está também em poder fazer um trabalho científico no espaço. Somos astronautas cientistas: não se trata apenas de ficar olhando pela janela, e sim de poder fazer algo para o qual se foi preparado. Isso dá uma grande satisfação.

O sr. voaria de novo ao espaço?

A qualquer hora, na quarta-feira [ 13/07], sim!

Sente inveja dos astronaustas do Discovery?

Sim. Todo astronauta adora ir ao espaço. Não conheço nenhum que não gostaria de estar a bordo na quarta-feira. Mas talvez os astronautas neste ponto sejam um pouco diferentes, eles são um pouco mais sóbrios. Dizem, o ônibus é mais seguro agora, claro que a gente sobe nele, não há nenhuma dúvida.

Também por querer vivenciar de novo esse momento?

Não, mas porque se sabe que as pessoas que trabalharam no ônibus espacial deram o melhor de si. É a mesma coisa de quando se leva um carro para o conserto: você confia, você conhece a oficina e acredita que eles fizeram o melhor que podiam fazer, e aí você também sobe no seu carro. E você sabe que no instante seguinte pode estourar um pneu ou algo semelhante. Mas contra isso você não pode fazer nada.

E como é a despedida dos familiares?

Na véspera acontece a famosa nightview. Todos se reúnem diante do ônibus espacial na rua que conduz à rampa de lançamento. De um lado, os astronautas, que estão de quarentena – quer dizer, os familiares não podem chegar perto deles. Do outro lado, as famílias com os filhos. Uns acenam aos outros, gritam frases daqui para lá. É também um pouco triste, porque as crianças pequenas querem ir falar com o pai, mas não podem ir para o outro lado. É uma situação muito especial, com a nave toda iluminada em meio à escuridão – uma despedida muito, muito impressionante.

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