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Mundo

Assistência humanitária enfrenta dificuldades na Síria

As bandeiras da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho não são mais garantias de proteção no conflito sírio. Muitas vezes, elas são até mesmo alvo dos combatentes.

Para os colaboradores das organizações humanitárias Cruz Vermelha e Crescente Vermelho na Síria, a situação está ficando cada vez mais difícil. "Os ataques aumentaram de forma considerável nos últimos tempos", reclama Rima Kamal, do escritório da Cruz Vermelha em Damasco. "Há ataques por meio de franco-atiradores e sequestros." Kamal teme que a situação fique ainda pior. "Os combates aumentam de intensidade e há o temor de que também aumente o risco para as nossas missões."

Um relatório especial da Comissão de Direitos Humanos da ONU sugere que médicos e outros profissionais da saúde são atingidos de propósito. Hospitais foram bombardeados e paramédicos, aterrorizados. Em algumas localidades, como os arredores de Damasco ou em Homs, entre 70% a 80% da infraestrutura de saúde estaria seriamente danificada ou, até mesmo, completamente destruída. Médicos e enfermeiros teriam sido mortos ou teriam fugido.

Ambos os lados impedem acesso a feridos

Desde o início do conflito morreram 22 funcionários do Crescente Vermelho. A organização é membro do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e tem o mesmo estatuto jurídico internacional da Cruz Vermelha. Isso significa que os funcionários se comportam de forma neutra em todos os conflitos e têm, em contrapartida, o direito de se deslocar livremente e prestar ajuda a todos que precisarem. "Isso é a teoria", diz Rima Kamal. "Na prática, a realidade síria é completamente diferente."

Syrien Rebellen

Rebeldes e apoiadores do governo nem sempre respeitam a neutralidade das organizações humanitárias

Os colaboradores não sofrem somente ataques físicos. A Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho se veem com frequência impedidos de realizar seus trabalhos pelos dois lados do conflito.

"Há dois meses tentamos chegar à cidade antiga de Homs, que se tornou objeto de disputa das duas partes do conflito", diz Kamal. A cidade é controlada pelos rebeldes e está cercada por tropas do governo. "Negociamos com autoridades locais, com pessoal do governo sírio e com um conjunto de grupos opositores", diz Kamal. "Até agora não conseguimos receber garantias de segurança para nossos colaboradores para então levar ajuda às pessoas em Homs."

Falta compreensão

O mesmo acontece em localidades no entorno de Damasco que são alvo de disputa. Nenhuma organização humanitária foi autorizada a ter acesso aos principais subúrbios. "Mesmo depois do ataque com gás sarin em agosto, não temos acesso à região. Nem mesmo o Crescente Vermelho sírio pode entrar para distribuir comida ou ajuda médica às pessoas atingidas."

Rima Kamal tenta não culpar diretamente nenhum dos lados. Ela se esforça para manter o príncipio da neutralidade da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho também nesta guerra civil. "Eu não vou apontar o dedo para ninguém", diz. "O que nós sempre salientamos é que cada um tem direito a receber atendimento médico, tanto faz se é um combatente, um civil, uma criança, uma mulher."

A neutralidade é o principal fundamento para o trabalho da Cruz Vermelha, confirma o professor Hans-Joachim Heintze, do Instituto de Manutenção da Paz e Direito Humanitário da Universidade de Bochum. Para a Cruz Vermelha não interessa quem é culpado ou qual é o lado certo, mas somente quem está precisando de ajuda. Ao menos até agora, nas guerras entre países, a Cruz Vermelha sempre foi um símbolo da ajuda imparcial. "Como os dois lados sempre souberam disso, no passado a logomarca da Cruz Vermelha foi respeitada na maioria dos casos."

Franco-atiradores diante de hospitais

Arbeit des Internationalen Roten Kreuzes in Syrien

Até mesmo ambulâncias da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho são alvos de franco-atiradores

Mas esse respeito é cada vez menor, afirma Heintze. "Hoje existem partes envolvidas em conflitos que nem mesmo conseguem ser corretamente identificadas e que não se sentem obrigadas a respeitar as convenções por não verem vantagem nisso."

Christof Johnen, coordenador para missões no exterior da Cruz Vermelha alemã, coloca a questão numa outra perspectiva. "As partes do conflito não gostam quando a ajuda é prestada a alguém que é encarado como inimigo."

Essa avaliação é corroborada por um relatório recém divulgado e que confirma o aumento do número de ataques a tiro contra comboios humanitários corretamente identificados. Além disso, franco-atiradores costumam se posicionar perto de hospitais e chegam até mesmo a atirar em pessoas gravemente feridas.

Alto risco desencoraja colaboradores

Para Johnen, em países como a Síria a Cruz Vermelha não enfrenta somente um desafio humanitário, mas também um trabalho de educação. "Nesse conflito atuam vários grupos que frequentemente desconhecem a função da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho", afirma. "Por isso, os colegas das duas organizações tentam informar os combatentes sobre as regras básicas que precisam ser respeitadas."

Mas isso pode levar tempo. Rima Kamal prevê que os ataques a médicos e outros profissionais da saúde deverão aumentar em vez de diminuir. "A longo prazo, tais ataques desencorajam cada vez mais as pessoas a prestar ajuda", diz. "Quando uma pessoa tem que pôr em risco a sua própria vida, haverá cada vez menos pessoas dispostas a correr esse risco."

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