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Mundo

Assim como mortos de Paris, refugiados também são vítimas do EI

Atentados em Paris despertam medo de que terroristas se infiltrem em meio a migrantes que chegam à Europa. Políticos afirmam que por trás de ataques e da crise migratória está o mesmo algoz: o "Estado Islâmico".

Após os recentes ataques em Paris, muitos alemães temem que terroristas estejam infiltrados entre os refugiados que chegam à Europa. Nas redes sociais, especula-se se um ou mais dos assassinos da capital francesa viajaram pela Alemanha até a França.

Especialistas em segurança não excluem a possibilidade de uma "infiltração" de terroristas, mas acreditam que a probabilidade de que eles tenham usado a jornada árdua e perigosa através do Mediterrâneo e da rota dos Bálcãs seja baixa.

Um porta-voz do Ministério do Interior não quis ou não pôde dizer nesta segunda-feira (16/11) em Berlim se havia esse tipo de conhecimento nas investigações e se referiu às autoridades francesas para todos os esclarecimentos.

O Ministro da Justiça alemão, Heiko Maas, disse pela manhã que havia apenas uma relação entre o terrorismo e os refugiados: os refugiados fogem das mesmas pessoas na Síria que são responsáveis pelos ataques em Paris. Portanto, para ele, seria totalmente irresponsável conectá-los sem provas.

Vítimas do EI

Um pouco mais tarde, a França divulgou que as impressões digitais de um dos suicidas dos ataques batiam com as registradas por um homem que tinha entrado na União Europeia (UE) em outubro, através da Grécia, como refugiado com passaporte sírio.

Nessa difícil situação, políticos de todos os partidos representados no Parlamento alemão – do governo e da oposição – lutam para confrontar a desconfiança generalizada sobre os refugiados.

As vítimas de Paris estão ligadas aos refugiados, porque ambos são vítimas do Estado Islâmico (EI), disse o vice-chanceler federal, Sigmar Gabriel (SPD). A oposição do Partido Verde considerou infame colocar nas costas dos refugiados um debate político sobre as consequências dos ataques.

Políticos de diferentes partidos criticaram duramente, no fim de semana, o ministro das Finanças da Baviera, Markus Söder (CSU), por ter dito: "Paris muda tudo", juntamente com a exigência de que a imigração descontrolada fosse freada por todos os meios possíveis. O chefe de Söder, o primeiro-ministro da Baviera, Horst Seehofer, manteve-se distante do debate. Para ele, é preciso diferenciar as coisas e separar os assuntos "refugiados" e "terrorismo": "Caso contrário, haverá mais polarização dentro da sociedade", disse Seehofer em Munique na segunda-feira.

Cotas em vez de caos

O vice-chanceler federal alemão vai ainda mais longe. Para Gabriel, a sentença "Paris muda tudo" foi a frase mais equivocada que se poderia dizer. Nada vai mudar "no nosso jeito de vivermos juntos", disse.

Olhando para a política de refugiados, Gabriel diz que não haveria restrição ao direito de asilo na Alemanha. Do ponto de vista do SPD, é preciso, primeiro, fazer todos os esforços para proteger melhor as fronteiras externas da UE e, em seguida, no próximo ano, "realizar uma espécie de recomeço na política de refugiados".

Isso incluiria substituir a imigração "caótica" por um movimento organizado, à base de cotas e sem contrabandistas. A chanceler federal, Angela Merkel, já havia anunciado um "plano" semelhante.

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