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Migração

Assad culpa Europa por crise migratória

Presidente da Síria atribui enorme fluxo de refugiados ao apoio do Ocidente a "terroristas" em seu país e diz que UE deve receber ainda mais migrantes. Líder afirma que não deixará o cargo por pressões internacionais.

Em entrevista divulgada pela imprensa russa nesta quarta-feira (16/09), o presidente sírio, Bashar al-Assad, culpou a Europa pela atual crise migratória. Grande parte dos migrantes chegando à Europa são sírios fugindo da guerra civil.

Em seu primeiro pronunciamento público sobre a questão, Assad afirmou que o apoio do Ocidente a "terroristas" provocou a crise e que a Europa deve aguardar um número ainda maior de refugiados.

"Essas pessoas estão fugindo do terrorismo", afirmou. "O Ocidente reclama dos refugiados, mas apoia o terrorismo desde o início da crise", afirmou Assad, citado pela agência russa RIA Novosti.

Países como os Estados Unidos, a Turquia e a Arábia Saudita apoiam a oposição ao regime sírio, inclusive alguns grupos armados que lutam contra o governo, numa guerra civil que já dura quatro anos.

Assad afirmou que o apoio da Turquia foi fundamental para o crescimento de dois dos maiores grupos de insurgentes na Síria, o "Estado Islâmico" (EI) e a frente Al-Nusra – acusação negada pelo governo turco. O líder sírio também disse que os bombardeios americanos fracassaram ao tentar deter os avanços do EI.

O presidente rechaçou as afirmações de governos ocidentais de que as ações de seu regime teriam sido fundamentais para o avanço dessas organizações. "Enquanto prosseguirem com essa propaganda, continuarão a receber ainda mais refugiados", afirmou. "Se estão preocupados com eles, parem de apoiar terroristas."

O governo sírio considera todos os grupos armados de oposição como terroristas, desde o EI até aqueles considerados moderados pelo Ocidente.

"Pressões do Ocidente"

O presidente sírio não comentou as críticas do Ocidente referentes aos sinais cada vez mais evidentes de que seu país vem recebendo apoio militar da Rússia. Washington declarou nesta terça-feira que deseja o envolvimento de Moscou na coalizão internacional que combate o EI, mas os russos insistem que o governo sírio também deve participar desses esforços.

Assad reiterou que não há qualquer cooperação entre seu país e os EUA, mesmo que de modo indireto. "Não há nenhuma coordenação entre os governos da Síria e dos Estados Unidos, ou entre os exércitos sírio e americano", afirmou, negando também que o país colabore diretamente com o Irã.

"Há apenas ideias ou princípios para uma iniciativa iraniana que se baseie principalmente no tema da soberania da Síria e no combate ao terrorismo", declarou.

Assad assegurou que apenas deixaria o cargo se o povo sírio assim desejar, e não por pressões do Ocidente. "O presidente chega ao poder com o consentimento da população através de eleições e, caso deixe o cargo, o deixará se o povo assim exigir, e não por uma decisão dos Estados Unidos, do Conselho de Segurança da ONU ou da Convenção de Genebra", disse.

RC/rtr/dpa

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