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Mundo

Assad admite deficiências do Exército sírio

Após campanha pró-alistamento e no dia seguinte ao anúncio de anistia para desertores, o presidente aborda pontos fracos das Forças Armadas sírias, em discurso na TV. Maior problema seria "falta de pessoal".

Pela primeira vez, nos mais de quatro anos de guerra civil que assola o país, o presidente Bashar al-Assad admitiu publicamente neste domingo (26/07), em discurso na TV, as deficiências em suas Forças Armadas.

"Às vezes, sob determinadas circunstâncias, temos que abrir mão de alguns territórios, a fim de concentrar nossas forças nas regiões que queremos manter", disse o chefe de Estado sírio. Apesar disso, as tropas do governo continuam poderosas e capazes de combater os insurgentes: "Falta-nos pessoal", ressaltou.

Desde o início da guerra civil no país, em março de 2011, já morreram mais de 80 mil soldados do Exército nacional e de milícias aliadas. Segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos, sediado em Londres, os combates entre as tropas de Assad e os rebeldes já fizeram um total de 230 mil vítimas.

Devido ao alto número de mortos no conflito, nem mesmo sírios fiéis ao governo se dispõem a cumprir o serviço militar. O Observatório Sírio calcula que haja em torno de 70 mil objetores. No início de julho, Damasco lançou uma campanha para conquistar a participação militar dos cidadãos.

Segunda anistia em um ano

Neste sábado, Assad havia anunciado uma anistia geral para os desertores. O decreto suspende as sanções judiciais para milhares de homens que fugiram para o exterior ou se esconderam no país na tentativa de escapar do alistamento para a guerra civil.

A anistia é aplicável aos desertores que se apresentem às autoridades em um mês, se ainda estiverem no país; ou no prazo de dois meses, caso se encontrem no exterior. Um prazo para objetores de consciência do serviço militar não foi mencionado.

Um representante do Exército sírio explicou que o perdão não vale para soldados que, após a deserção, aderiram à rebelião e lutaram contra o governo, ou que tenham "sangue nas mãos".

Esta é a segunda vez, em pouco mais de um ano, que Bashar al-Assad promulga o perdão nacional de penas. Em junho de 2014 ele decretou uma "anistia geral", com a libertação de todos os presos condenados até então. O presidente definiu o gesto como "reconciliação" no país em guerra. No entanto, a implementação do decreto se arrasta, e muitos presos políticos continuam no cárcere.

AVrtr/afp

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