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Poder da religião

As promessas não cumpridas de Ahmadinejad

O presidente Ahmadinejad entrega a seu sucessor um país economicamente debilitado e isolado internacionalmente. O balanço de sua política interna, social e de mercado de trabalho é também medíocre.

Mahmud Ahmadinejad assumiu a presidência do Irã em 2005 com grandes promessas: segundo seu discurso na época, as entradas provenientes do petróleo do país iriam "ser percebidas na mesa de cada família". Além disso, o então novo presidente pretendia criar dois milhões de empregos por ano, fazendo com que a taxa de desemprego fosse reduzida a zero e a inflação mantida abaixo dos 10% ao ano.

Oito anos mais tarde, no fim de seu segundo mandato, a realidade é desenganadora: a inflação anual gira em torno de 30%, a taxa de desemprego é de aproximadamente 12% e o crescimento econômico, negativo. Como se tratam de dados oficiais, a realidade deve ser pior ainda.

De acordo com Fereydoun Khavand, especialista iraniano em economia, Ahmadinejad não tinha, ao assumir o cargo, nenhum programa real de política econômica. "O único plano que ele seguia, se é que se pode chamar isso de plano, baseava-se no populismo", fala Khavand. Algumas de suas promessas populistas foram cumpridas, como por exemplo os subsídios para a população rural ou o que se chama no país de "dinheiro de casamento" para casais jovens.

Moeda desvalorizada e estagnação

Iran Wirtschaft Geld

Moeda iraniana sofre desvalorização vertiginosa

Entre as promessas não cumpridas de Ahmadinejad está o câmbio do rial, a moeda iraniana, que não foi estabilizado. Na realidade, a moeda perdeu dois terços de seu valor em relação ao dólar desde 2011, o que impulsiona ainda mais a inflação.

Se a inflação por ocasião da posse de Ahmadinejad era ainda de 12%, especialistas e organizações internacionais estimam que ela esteja hoje por volta dos 40% a 60%. Principalmente os alimentos, os aluguéis e o transporte público tiveram altas de preços consideráveis.

Ao mesmo tempo, a economia do Irã sofre também sob a pressão das sanções ocidentais. Antes da posse de Ahmadinejad, o crescimento econômico do país girava em torno de 7%. No momento, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), ele é negativo, com perspectiva de leve aumento para 2014. "Sem crescimento não é possível gerar empregos", explica Khavand. No lugar dos dois milhões de postos anuais anunciados por Ahmadinejad, foram criados apenas 14 mil novos empregos.

Prioridades da política externa

Mahmud Ahmadinedschad und Hamas Führer Ismail Haniya

Ahmadinejad e o líder do Hamas, Ismail Haniya

Antes que as acirradas sanções internacionais levassem a uma drástica redução das exportações de petróleo em 2012, o Irã vinha registrando, durante anos, altas entradas de recursos provenientes da venda do petróleo. Para o economista Khavand, essas entradas fluíram para canais errados. Boa parte delas foram gastas com importação. Além disso, a máquina governamental inchou sob o governo Ahmadinejad.

Na política externa e de segurança, o governo prestou apoio a "organizações e grupos no exterior próximos à República Islâmica, como o Hisbolá no Líbano e o Hamas na Palestina", registra Khavand.

O economista descreve os oito anos de governo Ahmadinejad como "anos catastróficos para a economia iraniana", mesmo que as sanções internacionais tenham "piorado ainda mais a incompetência nacional e o mau gerenciamento de recursos".

Fragilidade da Constituição iraniana

Iran / Chamenei und Ahmadinedschad

O aiatolá Khamenei e Ahmadinejad: não mais tão próximos

Na política interna, o fim da era Ahmadinejad é caracterizado sobretudo por lutas pelo poder. "Os oito anos de governo Ahmadinejad trouxeram à tona a fragilidade da Constituição iraniana e o sistema hegemônico reinante", afirma o opositor iraniano no exílio Mehran Barati em entrevista à Deutsche Welle.

Segundo ele, ficou mais do que claro que um presidente como chefe do Executivo, mesmo que tenha sido escolhido pelo Líder Supremo, o mais alto da hierarquia, não tem condições de governar o país de maneira autônoma.

"Diante dos conflitos pelo poder, vai ser difícil encontrar uma linha comum para a condução do país", acredita Barati. Mesmo assim, segundo ele, não há de se esperar nenhuma mudança substancial em termos de política interna ou externa após a era Ahmadinejad.

Isso vale especialmente para o conflito em torno da política nuclear iraniana. "O momento ideológico é muito forte na república islâmica", avalia Barati, "não importa quem seja eleito sucessor de Ahmadinejad, o conflito com a comunidade internacional irá se perpetuar", conclui o especialista.

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