1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

As primeiras reações da crítica alemã

O grande ceticismo em relação à concepção do curador Okwui Enwezor parece se esvair, pouco depois da inauguração da mostra de Kassel.

default

"New Manhattan City", obra do artista congolês Bodys Isek Kingelez exposta em Kassel

"Universidade de Babel", "documenta da geração Attac", "curso avançado de geografia", "ampliação da zona periférica", "bolsa de informações para ativistas políticos": estes são alguns dos epítetos com que a imprensa alemã reagiu – com maior ou menor ironia – à documenta de Okwui Enwezor.

Por trás do código ferino dos suplementos culturais, revela-se, no entanto, um evidente respeito à nova mostra de Kassel. Independentemente da abordagem, os críticos atestam que Enwezor cumpriu a missão a que tinha se proposto: a documenta reverte a visão eurocêntrica do discurso sobre arte contemporânea, rompe com hierarquias do cânon, resgata vertentes estéticas periféricas e mostra o papel da arte no mundo pós-colonial e globalizado.

A proximidade do distante – Após quatro plataformas de discussão altamente teóricas, a crítica alemã suspirou aliviada, ao constatar que a arte exposta na documenta não se transformou num "pódio de debates áridos e nem numa filial do Ministério das Relações Exteriores". Apenas o mérito de reunir manifestações artísticas de zonas periféricas e de lançar o olhar para fora do eixo EUA/Europa provavelmente não teria convencido os críticos.

No entanto, a documenta foi elogiada por proporcionar uma expedição às "zonas obscuras do presente", por veicular a "imagem coerente de um realismo estratégico que questiona de forma engajada as causas das ameaças e inseguranças do mundo de hoje", ou seja, por enfocar "todos os pontos nevrálgicos, os terríveis conflitos que desencadeiam mudanças, mas também as obstruem". Ou seja, a documenta parece convincente, por mostrar que as crises mundiais periféricas facilmente podem atingir o centro. No geral, tem-se a impressão de que o visitante sairá da exposição entendendo como foi possível o 11 de setembro.

Documenta antropofágica? – Após a inauguração da mostra, no dia 8 de junho, o receio de que a documenta virasse um show de folclore e de manifestações "etnológicas" do Terceiro Mundo desapareceu por completo. Muito pelo contrário. Uma crítica confirma, por exemplo, que "o olhar etnológico lançado sobre o Terceiro Mundo se volta agora contra os europeus". Outra testemunha que "as imagens do outro, dos explorados e reprimidos, lança uma nova luz sobre a produção artística euro-americana". Em geral se destaca o mérito informativo da documenta 11, que acentua a documentação, os diários fotográficos e relatos de viagem, ressaltando o papel do artista como pesquisador e repórter.

"Arte como ONG" – Por outro lado, o curador Okwui Enwezor foi criticado pelo exagero de sua "obsessão ética", um parâmetro que reduz a complexidade das manifestações artísticas. Um crítico reclama que a radicalidade estética de determinados trabalhos é neutralizada pela "presença dominante da fotorreportagem didática". Outro critica a curadoria por submeter todas as obras a uma linha temática explícita demais, sem seguir a lógica da criação artística. "O visitante tem a desagradável sensação de estar numa documenta da geração Attac, numa bolsa de informação de ativistas políticos que se metem em todo lugar. Arte como ONG?", polemiza um crítico, formulando a sensação generalizada de que a documenta 11 tende a reduzir a arte a um programa político.

A morte da pintura – É com pouco saudosismo que os críticos constatam a irrelevância da pintura na documenta 11. A predominância do vídeo, da fotografia e da instalação cênica, em detrimento da pintura, foi interpretada, por um lado, como um gesto ousado da curadoria e, por outro, como uma decisão coerente. Afinal, segundo as críticas, a documenta 11 prioriza o documento, negando-se a destacar a excepcionalidade e a auto-encenação do artista.

Leia mais