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Cultura

As formas da animação como arte

O Kunst-Werke Berlin está exibindo até maio um arsenal de animações de todos os formatos e durações, abordando a maneira como diversos artistas de vários países lidam com a técnica.

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Fear, de Karen Yasinsky, aborda ambigüidade das relações humanas

A é um tema um tanto amplo para se tratar em uma exposição, não é? A resposta é ambígua: sim, afinal são tantos os artistas que, desde o começo do século vêm tentando abordar das mais diversas formas a relação tecnologia vs. realidade. Ou não: uma boa curadoria, cinco andares de material cuidadosamente escolhido e bem apresentado e o resultado é "Animations".

Sob curadoria de Carolyn Christov-Bakargiev e Larissa Harris, "Animations" foi exposta pela primeira vez no P.S.1/MoMA em Nova York e retrabalhada para a temporada até 18 de maio no KW (Kunst-Werke Berlin), na capital alemã. Para "domar" a vastidão do tema, a exposição foi dividida em diversos módulos, sem uma ordem lógica rígida.

William Kentridge

William Kentridge, Shadow Procession, 1999

Na sala de abertura, um enorme telão exibe o filme Shadow Procession, do sul-africano William Kentridge. Uma estranha procissão de sombras de diversas intensidades, às vezes sobrepostas umas às outras, do mais simples trabalhador até aleijados, enforcados, pessoas tomando banho ou um grupo que carrega nas costas um horizonte urbano.

Frankenstein´s Laboratory – Esse é o nome do primeiro módulo, dedicado a animações de caráter artesanal, no qual a consciência histórica do longo desenvolvimento da prática de animação e suas origens não escapa aos olhos. O destaque do módulo é o filme Fear, de Karen Yasinsky, no qual a artista aborda as relações humanas em duas telas, através das quais um homem e uma mulher tentam se tocar, mas a divisão das telas os impede e ambos derramam lágrimas. Outro destaque é Illusion of the First Time, de Haluk Akakçe, uma animação abstrata, que explora a memória poética do próprio meio, seu caráter hipnótico e imersivo.

O segundo módulo, On the Web, reúne trabalhos de natureza interativa em computadores, num ambiente desenhado por Paul Johnson, que também espalhou pelo local projetores artesanais que ele próprio criou com objetos cotidianos, como papelão, toalhas, lupas e garrafas de suco de laranja, todos em funcionamento. Um título interessante é Killing me Microsoftly, de Jan Freuchen.

Pierre Huyghe

Annlee: Eu sou uma criatura imaginária

No Ghost, Just a Shell – Uma temática um tanto recente, a desse terceiro módulo. Em 1990, os franceses Pierre Huygue e Phillipe Parreno compraram de um estúdio japonês de histórias em quadrinhos os direitos de exibição de um personagen sem nome, que eles batizaram de Annlee. Desde então, Huygue e Parreno convidam diversos artistas para fazerem obras baseadas em Annlee, questionando simultaneamente a autoridade do autor e a autenticidade do personagem. "Meu nome é Annlee. Eu sou uma personagem imaginada. Eu não existo. I´m not a ghost, just a shell", diz Annlee.

O último andar reúne os dois últimos módulos, que servem como uma espécie de vitrine da categoria. The Folly reúne uma coleção de centenas de pequenos filmes de animação de artistas de diversos países e At the cinema volta no tempo e apresenta uma seleção histórica de clássicos da animação. Só para esse andar já vale a pena dedicar uma tarde inteira.

Da janela do KW – Se você chegou ao fim da exposição (e do texto!), não deixe de perder alguns minutos olhando para o centro histórico de Berlim pela janela do Kunst-Werke, sem dúvida umas das mais charmosas galerias entre as inúmeras da capital alemã. A velha sinagoga, a Fernsehturm e o Forum Hotel, na Alexanderplatz, e o Domo de Berlim por sobre os telhados dos prédios históricos é uma imagem que animação nenhuma vai superar.

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