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Cultura

As dúvidas do jovem Schiller em quadrinhos

Louro ideal romântico ou ruivo sardento e magrelo? As representações pictóricas do grande autor alemão são contraditórias. Uma edição comemorativa em quadrinhos o revela como ser humano no duro caminho da maturidade.

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O poeta-gênio e seu quadrinista

Um dos maiores desafios já enfrentados pelo desenhista de histórias em quadrinhos Horus foi decidir: qual era a verdadeira aparência de Friedrich Schiller? "O poeta foi manipulado ideologicamente", afirma, tentando explicar as formas tão díspares como Schiller (1759–1805) foi representado. Horus foi encontrar o verdadeiro Schiller justamente em sua máscara mortuária.

Por ocasião do bicentenário da morte do escritor, em 9 de maio, a Sociedade Alemã Schiller (sediada em sua cidade de nascença, Marbach) lançará uma revista em quadrinhos baseada na sua biografia, em colaboração com a editora Ehapa, de Colônia. Os editores esperam assim aproximar sobretudo os jovens leitores da vida e obra do autor de Guilherme Tell e Don Carlos.

Decisão vital

Johann Christoph Friedrich von Schiller tinha 22 anos ao deixar Stuttgart, fugindo do Duque Carlos Eugênio de Württemberg. Este proibira o então médico do regimento de dedicar-se à arte literária. Porém, o jovem dramaturgo, cuja peça Os Salteadores acabara de ser estreada, rebelou-se e escapou para Mannheim.

"A fuga significa que amadurece sua decisão de viver exclusivamente para a literatura", analisa Horus. Seus desenhos narram este episódio importante da vida de Schiller. O poeta-gênio não lhe interessa em absoluto: "Não o colocarei num pedestal, mas sim contarei a emocionante história de um ser humano".

Para o quadrinista de 42 anos, nada mais empolgante do que essa saga pessoal de amadurecimento, dúvidas íntimas e decisões corajosas. Antes mesmo de pegar no lápis, Horus W. Odenthal (seu nome verdadeiro) mergulhou em inúmeras biografias do escritor.

Schiller, desenhista de HQ

Geburtshaus von Friedrich von Schiller in Marbach am Neckar

A casa onde nasceu Friedrich Schiller, em Marbach

Porém, ainda mais reveladoras foram as cartas pessoais de Schiller. Nelas cristaliza-se a imagem de um homem contraditório: num momento, é o autor munido de infalível faro verbal e dramático, noutro é o pária, impetuoso e desmedido, sempre causando escândalo.

"Ele era como o menino feio da classe: ruivo, sardento, pálido, de pescoço longo e nariz de papagaio", assim sintetiza o desenhista sua visão do físico de Schiller. Essa imagem real foi transfigurada através dos séculos, transformando-o no atraente e louro jovem romântico.

O grande Schiller como herói de HQ: esta idéia, à primeira vista inusitada, revela-se bastante plausível. Segundo Christiane Daetsch, da Sociedade Alemã Schiller, "ele próprio possuía uma espécie de humor gráfico". Prova disso são as histórias ilustradas com "figuras cômicas", que o poeta desenhou para seu amigo Gottfried Körner.

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