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Cultura

Artistas pelas "metas do milênio"

No ano 2000, governos de 150 países estipularam metas para reduzir à metade a pobreza no mundo até 2015. Cinco anos depois, os progressos são poucos. Artistas do mundo começam a pressionar a classe política.

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Até agora, progressos não incluem regiões mais necessitadas

2005 é um ano chave na luta contra a fome. Entretanto, para que a meta estipulada por 150 países do globo de reduzir a pobreza absoluta no mundo pela metade até 2015 seja alcançada, ainda há muito a ser feito. Agora, artistas e outras personalidades de nações industrializadas organizaram uma campanha para pressionar os governos.

Na Alemanha, o barulho já começou. Baseados no slogan "Sua voz contra a pobreza", a União pela Política de Desenvolvimento - uma associação de mais de 100 organizações não-governamentais – e o cantor alemão Herbert Grönemeyer, representando um grupo de artistas alemães, cobram do governo que cumpra as "metas do milênio", estabelecidas perante a Organização das Nações Unidas.

Herbert Grönemeyer und Johannes Rau gemeinsam für Afrika

Herbert Grönemeyer (e) ao lado do ex-presidente alemão, Johannes Rau

"Trata-se de uma ação internacional organizada por artistas para pressionar governos, mas também para mostrar o nosso apoio", conta Grönemeyer. No total, participam da campanha 270 ONGs de 60 países, que buscam apoio dos mais variados círculos sociais e recolhem assinaturas para poder cobrar um maior empenho governamental.

Poucos progressos, mas otimismo

"O mais triste é que os progressos obtidos até agora são menores nos lugares onde há mais urgência, nos países mais pobres, especialmente na África subsaariana", disse Reinhard Hermle, presidente da União pela Política de Desenvolvimento.

"Mesmo assim, acreditamos que ainda seja possível atingir a maior parte das metas estipuladas em 2000." No entanto, Hermle avisa que, se as sementes não forem lançadas ainda neste ano, uma chance estaria sendo desperdiçada. Segundo ele, são necessárias decisões políticas corajosas e efetivas.

Em 1970, os países industrializados já haviam concordado em contribuir com 0,7% do Produto Interno Bruto (PIB) para o desenvolvimento de países mais pobres. Entretanto, apenas poucos, como os escandinavos e a Holanda, alcançaram essa meta. A Alemanha contribui hoje com apenas 0,28% do PIB. "Esperamos que o governo alemão eleve essa cota para os 0,33% prometidos até 2006, sem apenas descontá-la do montante de dívidas desses países", argumenta Hermle.

Além disso, Hermle pede que o governo alemão apóie a proposta britânica de criar uma "International Financing Facility", a ser financiada com a criação de um imposto sobre querosene ou sobre passagens aéreas e sobre transações no mercado de divisas.

"Não vamos deixar fácil"

Bono von U2

Bono do U2 (e) visita clínica pré-natal para pacientes infectados pelo vírus HIV na África do Sul

Artistas internacionalmente conhecidos, como Bono do U2 e o compositor britânico Bob Geldoff, também participam da campanha. "Não pode e não vai ser possível que políticos encerrem o encontro de cúpula do G8 na Escócia sem resultados efetivos. Nós vamos tornar a coisa tão pública, de modo que todos possam avaliar se as medidas anunciadas são realmente efetivas", disse Grönemeyer.

Grönemeyer salientou inclusive que há países que há muito tempo pediram ajuda e hoje encontraram maneiras de solucionar seus problemas sozinhos, como a Botsuana. Para ele, que conhece a África e seus problemas de perto, empenhar-se na realização efetiva dessas metas é uma questão de humanidade e solidariedade.

"Juntos temos a força para mudar as coisas e agora é o momento certo de agir, sacudir, doar e dar ao mundo uma nova direção. Se não fizermos isso agora, viveremos para sempre com a vergonha de não ter tomado medidas possíveis para eliminar a pobreza, a doença e a fome do mundo. E é por isso que as gerações futuras se lembrarão de nós", argumenta. O símbolo da nova campanha é uma fita branca. Neste ano, haverá dois "white band days": um em 1º de julho, por ocasião do encontro do G8 na Escócia, e outro em 10 de setembro, antes da reunião das Nações Unidas em Nova York.

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