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Cultura

Articulações nordestinas em Berlim

O brasileiro Florivaldo Cardin do Nascimento Filho, conhecido como Nen, expõe seu trabalho até o próximo 24 de outubro em Berlim, na Galeria do Instituto Cultural Brasileiro na Alemanha (ICBRA).

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Escultura do artista plástico Nen, exposta em Berlim

Nen, natural de Valença, cidade afastada dos grandes centros urbanos, trabalhou quando adolescente em um estaleiro, quando perambulava pelo porto e pelas praias de sua cidade natal. Deste cenário repleto de carcaças de barcos e dejetos jogados pelas águas do mar no litoral, o artista passou a reunir material e inspiração para criar suas esculturas.


A série de trabalhos Articulações, Esculturas de Despojos do Mar está agora exposta na capital alemã. "Utilizo tudo o que encontro nas praias, portos e estaleiros: restos, partes ou despojos de jangadas e barcos, remos, lemes, velas, cascos abandonados, afundados, ao léu e até sucata de estaleiros. Tudo serve de inspiração", conta o baiano.

Novos signos

Enquanto abandonados, estes despojos são vistos por Nen como lembranças ou registros da história daquilo que fizeram parte. Em suas esculturas, contudo, os materiais deixam de ter algo em comum com o passado.

As obras passam a incorporar novos signos, que se distanciam dos aspectos funcionais que representavam anteriormente. Nen retira os objetos tanto do seu isolamento funcional, como do idílio a que estavam teoricamente submetidos, ao vagarem dia após dia junto às praias do litoral da Bahia.


Bienal do Recôncavo

Em 2002 Nen inscreveu suas obras na VI Bienal do Recôncavo - o maior evento de artes plásticas da região onde vive – tendo sido escolhido pelo júri como principal vencedor. Na ocasião, definiu-se a mostra de seus trabalhos em Berlim.

Segundo Pedro Archanjo, diretor do Centro Cultural Dannemann, um dos responsáveis pela presença de Nen em Berlim, "a Bienal do Recôncavo é um empreendimento que tem tido resultados altamente positivos, tendo nos mostrado que, assim como ocorre nas obras de Nen, o novo é um desenvolvimento dialético do velho".

Universal, sem perder as raízes

Archanjo salienta ainda a importância de eventos culturais como a Bienal como forma de contribuir para "o desenvolvimento cultural de uma região, através do fortalecimento das raízes culturais locais, porém sem perder de vista o dinamismo universal".

Os trabalhos criados pelo artista baiano representariam exatamente este anseio da Bienal "de se construir um universo visceralmente nordestino, que nos dignifica e nos possibilita dialogar com o universal com linguagem própria".

Esta linguagem própria Nen parece ter encontrado na simplicidade do mundo que envolveu sua infância e adolescência: "Não me esqueço das muitas horas em que ficava observando minha mãe pintando roupas, toalhas e telas. Já com 13 anos, quando realizei meu primeiro trabalho, sentia uma fascinação pela madeira, pelas matas e pelos pássaros. Talvez aí esteja o cerne do trabalho que realizo hoje", conta o artista.


" Lixo global"

De antigos barcos e navios, Nen utiliza tocos de jaqueira, jacarandá ou sucupira, unindo-os a bóias de vidro, típicas no arrimo de redes de pesca. Estes vidros, hoje substituídos por plástico ou isopor, são os mais raros e valiosos despojos do mar que chegam à costa brasileira.

Trata-se de "um lixo", que trazido pelo mar, é global, pois contém vários objetos provenientes de países longínquos. Um exemplo disto são as bóias de vidro que o artista emprega em suas esculturas e que trazem muitas vezes nomes em outras línguas.

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