Art Cologne altera perfil para reconquistar status no comércio de arte | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 21.04.2010
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Cultura

Art Cologne altera perfil para reconquistar status no comércio de arte

Fundada em 1967, a mais antiga feira de arte contemporânea do mundo foi condenada ao ocaso nos anos 1990, em função da perda de qualidade artística. Mas seu novo diretor, Daniel Hug, começa a recuperar terreno perdido.

default

Daniel Hug dirige a feira desde 2009

Inicia-se nesta quarta-feira (21/04) a 44ª Art Cologne, a renomada feira internacional de arte contemporânea realizada na cidade alemã de Colônia. Nos últimos anos, essa reputação foi abalada e atualmente o evento perde de longe para os concorrentes de Londres, Nova York, Miami, e sobretudo para a Art Basel, na Suíça. Porém, melhores tempos se anunciam desde que o galerista norte-americano Daniel Hug, de 41 anos, assumiu sua direção artística.

Art Cologne 2010 Flash-Galerie

'Circo', de Jeppe Hein, combina slapstick e instalação

Circo e arte

A arte transformada em circo: músicos fantasiados de fraque e cartola fazem alarde na entrada da sala Gürzenich. Há até mesmo uma arena, uma jaula de animais selvagens e uma máquina de fazer confete. Trata-se de um projeto artístico do dinamarquês Jeppe Hein, que denomina sua mistura de chanchada, performance e instalação Circus Hein.

A nova animação em Colônia deve-se, acima de tudo, ao empenho de Hug. Em 2009, ele aceitou dirigir o evento então declarado morto e teve sucesso. Profissionais internacionais de primeira linha retornaram a Colônia. Este ano, apesar do bloqueio do espaço aéreo europeu, todos os galeristas convidados – exceto dois – estão presentes no evento.

Art Cologne 2010

'Die Kontrolle', de Neo Rauch

Uma característica da Art Cologne é a justaposição de artistas estabelecidos e experimentais. Uma das obras que mais atraem a atenção em 2010 é a do neo-surrealista alemão Neo Rauch, que acaba de completar 50 anos. O galerista Harry Lybke pede 600 mil euros por uma tela de vários metros de comprimento, e já encontrou um comprador potencial.

No princípio era a pop art

Embora hoje seja corriqueiro colocar à venda obras de arte em exposição, 43 anos atrás essa noção era nova e quase revolucionária. A Art Cologne é a mais antiga feira de arte do mundo, e foi significativa do ponto de vista histórico, por haver proporcionado renome internacional aos galeristas alemães e livrado o país da triste fama de ser hostil à modernidade.

No segundo semestre de 1967, a Gürzenich, tradicional casa de festas da cidade às margens do Rio Reno, se colocou a serviço da arte moderna. Sob a orientação dos marchands Rudolf Zwirner e Hein Stünke, 18 galeristas se reuniram para criar a primeira Feira de Arte de Colônia. As expectativas eram modestas; contava-se com, no máximo, mil visitantes.

Zwirner menciona que possuía em sua galeria várias obras num estilo com que entrara em contato em 1959, na Documenta de Kassel, mas que interessava, na época, a poucos: pop art.

"Os primeiros quadros norte-americanos em grande formato apareceram na segunda Documenta, entre eles, pela primeira vez para mim, também obras de [Robert] Rauschenberg. E bem vi a força da arte americana em comparação com a pintura informal de proveniência europeia."

Flash-Galerie Wochenrückblick 16 KW 2010 Art Cologne

Em 'Cologne Cathedral', Andy Warhol aplicou pó de diamante sobre papel

Ascensão e queda

Esse encontro foi amor à primeira vista para Rudolf Zwirner, e ele fez questão de introduzir a pop art na feira de 1967. O evento conciliava de forma inédita uma exposição a um local de transações e um fórum para a arte, abrindo assim o caminho para futuras feiras. A recepção foi ambivalente, lembra Zwirner.

"Ficou claro que a geração mais velha rejeitava fortemente esse movimento em direção a um mercado aberto; enquanto os mais jovens ficaram felicíssimos de alcançar assim o público que faltava em suas galerias."

BdT Deutschland Kunstmesse Art Cologne 2010 in Köln

Dan Colen e Nate Lowman construíram uma cortina com cachimbos de crack

O sucesso dessa primeira Art Cologne superou todas as expectativas, com a presença de 15 mil visitantes e bons negócios para os marchands. Seguiu-se uma evolução meteórica. Em menos de 20 anos, o número dos galeristas participantes cresceu de 18 para 350 e a feira adquiriu renome internacional.

Em seguida, acumularam-se as críticas sobre a qualidade das obras exibidas. Na década de 90 grande parte dos galeristas voltou as costas para a "mãe de todas as feiras", fundando eventos de arte contemporânea concorrentes. Daniel Hug, em seu segundo ano como diretor artístico, é a esperança de recomeço. "Para mim é importante que a Art Cologne volte a ter uma cara", comenta. E isso ele já parece ter conseguido.

Autor: K. Gehrke / S. Oelze / A. Valente
Revisão: Simone Lopes

Leia mais