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Cultura

Arquivos alemães optam por solução "retrô" para preservar dados

Bibliotecários temem perda de material arquivado apenas em CDs e DVDs. Mídia analógica é forma encontrada para garantir o acesso aos dados no futuro.

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Microfilme: mídia do futuro, apesar da fama de antiquada

A primeira grande salvação de dados da civilização ocidental foi a descoberta do papel, um meio que "sobrevive" em torno de mil anos. Já os fabricantes do microfilme garantem que ele pode ser lido em até 500 anos. Pelo sim, pelo não, acreditam os especialistas alemães do projeto ARCHE, esta ainda parece ser a melhor solução de arquivamento de dados, principalmente quando comparada aos meros cinco anos de "vida" dos CDs e DVDs.

Microfilme: fama injusta de "mídia do passado"

DVD mit 50 GB Speicher

DVDs e CDs: dados podem desaparecer cinco anos depois

"Somos muitas vezes ridicularizados quando dizemos que arquivamos dados digitais em microfilme, mas acreditamos que, no momento, esta seja a única forma de automatizar o arquivamento em grande quantidade", diz Thomas Wendel, funcionário da biblioteca da Universidade de Stuttgart.

Segundo ele, não basta hoje arquivar livros, imagens, fotos ou obras de arte, mas pensar como, daqui a cem anos, as pessoas vão conseguir localizar este material com facilidade. Além disso, o processo de arquivar tem que ser conduzido de forma relativamente rápida.

Wendel digitalizou cromos, livros e documentos do Arquivo Estadual do Estado de Baden-Württemberg, em Ludwigsburg. Na borda de cada página, é indexada uma tabela digital – contendo os dados que normalmente constariam do catálogo ou fichário de uma biblioteca sobre aquele livro – como forma de facilitar sistemas automatizados de pesquisa.

Garantir o acesso futuro

"O objetivo do nosso projeto não é criar dados novos, mas encontrar uma forma de fazer com que os dados já existentes continuem acessíveis nos próximos 500 anos, inclusive com fidelidade de cores. Arquivamos dados digitais nos microfilmes analógicos ", conta Wendel.

Uma das principais ferramentas do projeto ARCHE é um aparelho capaz de, através de raios laser, arquivar dados digitais no microfilme em cor. A técnica foi desenvolvida pelo Instituto Fraunhofer de Técnicas de Medidas Físicas, de Freiburg, especializado em arquivamento de dados digitais em película.

Soluções low tech para problemas high tech

Digitale Bibliothek

Acesso a dados digitalizados: bibliotecários preocupados com o futuro

Com os dados gravados num filme analógico, "você tem, no próprio filme, informações legíveis diretamente – human readable information –, não importando com que sistema ou com quais computadores você opera. Pois estes podem, daqui a cinco anos, deixar de existir. Quem tem ainda hoje um disquete?", pergunta Wolfgang Riedel, coordenador do projeto em Freiburg.

Para projetos que visam o arquivamento a longo prazo, pensando em séculos futuros, o importante é não depender de um determinado software ou hardware. O microfilme, no último caso, é legível até mesmo com a simples ajuda de uma lupa. Ou melhor, com o auxílio de um microscópio, pois é possível arquivar 18 páginas de jornal num pequeno espaço.

Dar conta do volume de dados

A partir de agora, uma empresa privada vai trabalhar em cooperação com os pesquisadores do Instituto Fraunhofer e oferecer no mercado serviços de arquivamento de dados digitais em microfilme. O próximo passo das pesquisas é desenvolver um equipamento adequado, capaz de ler automaticamente e redigitalizar os dados contidos no microfilme.

Uma das grandes preocupações dos especialistas é a perda inevitável de dados tanto analógicos, quanto digitais, pois o volume de material a ser arquivado cresce vertiginosamente. Mesmo considerando que apenas um por cento deste material tenha algum valor para a posteridade, seria necessário fazer hoje muito mais para garantir o acesso a estes dados daqui a mil anos.

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