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Cultura

Arcimboldo ganha exposição monográfica em Paris e Viena

Considerado o precursor do surrealismo, Giuseppe Arcimboldo, pintor das cabeças antropomórficas feitas a partir de plantas, animais e outros elementos, ganha sua primeira exposição monográfica, em Paris e Viena.

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'Natureza morta: o homem verdura': Quadro reversível de Arcimboldo, cerca 1590

Célebre por suas cabeças antropomórficas compostas a partir de plantas, frutas, animais e outros elementos, o pintor milanês Giuseppe Arcimboldo (1526–1593) ganha sua primeira exposição monográfica no Musée du Luxembourg em Paris.

Organizada por Sylvia Ferino, curadora do departamento de pintura italiana renascentista do Kunsthistorisches Museum de Viena, a mostra engloba cerca de 40 quadros do pintor, além de dezenas de obras gráficas, tapeçarias e outros objetos.

Após mais de 400 anos, a obra de Arcimboldo ainda continua um mistério. Ele foi venerado enquanto vivo, mas caiu no esquecimento após sua morte, em 1593, tendo sido redescoberto pelos surrealistas, no começo do século 20, que consideraram o criador das "bizarrices plásticas" um dos precursores da arte moderna.

Quadros cheios de invenção

Ausstellung ARCIMBOLDO Musée du Luxembourg

'As quatro estações em uma só cabeça', cerca 1590

O percurso cenográfico da exposição Arcimboldo (1526–1593) tenta traçar a evolução da carreira do artista, desde seus trabalhos como desenhista nas obras da Catedral de Milão até sua morte, e ilustrar a prodigiosa riqueza formal e temática do seu universo artístico.

As maravilhosas composições de cabeças são expostas entre objetos de arte e extraordinários estudos da fauna e da flora em uma ambientação que lembra os célebres gabinetes de curiosidades da casa de Habsburgo.

Após seu trabalho em Milão, Arcimboldo foi chamado em 1563 para trabalhar na corte vienense por Maximiliano de Habsburgo, coroado imperador do Sacro Império Romano-Germânico como Maximiliano 2°, em 1564.

O futuro imperador deixou-se seduzir, provavelmente, por seus quadros cheios de invenção, realizados a partir de estudos da natureza, como também por seu talento como cenógrafo de suntuosas festas.

Conde paladino

Ausstellung ARCIMBOLDO Musée du Luxembourg

'O inverno', 1563

As séries de quadros Estações (1563) e Elementos (1566) marcam o início da carreira vienense de Arcimboldo. A imaginação criativa do artista também foi utilizada na concepção de projetos para celebrações efêmeras, como, por exemplo, o cortejo de festas em honra do casamento de Ana, filha do imperador, com Filipe 2°, rei de Espanha, como também de diferentes coroamentos e festividades.

Com a morte de Maximiliano 2°, em 1576, seu filho, Rodolfo 2°, elevou Arcimboldo à artista da corte. Em 1580, o imperador lhe deu um título de nobreza.

Reconhecido por seus conhecimentos, especialista em Ciências Naturais, Arcimboldo foi enviado à Alemanha, dois anos mais tarde, para aí pesquisar objetos de arte e antigüidades, como também curiosidades da natureza, entre elas animais e pássaros provenientes do Novo Mundo.

Ausstellung ARCIMBOLDO Musée du Luxembourg

'Cabeça composta de cesta de frutas'. Quadro reversível, cerca 1590

Já com idade avançada e coberto de honras, o artista recebeu a permissão de retornar a Milão, sua cidade natal, em 1587, sob a condição, no entanto, de prosseguir suas atividades a serviço do imperador.

Nesta última fase, Arcimboldo continuou a pintar quadros para Rodolfo 2°, entre eles os célebres Flora e Vertuno, deus do outono, protetor dos frutos e dos jardins.

Em agradecimento, o artista recebeu o título de conde paladino, em 1592, antes de seu falecimento, no ano seguinte.

"Bizarrices plásticas"

Até hoje, o nome de Arcimboldo continua intimamente associado às suas obras estranhas, como também às fantásticas invenções de cabeças antropomórficas.

Ausstellung ARCIMBOLDO Musée du Luxembourg

'O fogo', 1566

À primeira vista, elas parecem simples representações de estações do ano e dos elementos da natureza, mas também representam personalidades da corte de Rodolfo 2°, como o quadro Jurista. Suas obras retratam as numerosas facetas do caráter excêntrico da cultura maneirista da corte.

Entre as novidades dos novos estudos sobre o pintor, está sua participação ativa como ilustrador de obras científicas sobre a fauna e a flora da época. O artista realizou ainda numerosos retratos para a família real durante os 25 anos em que a serviu em Viena.

É importante mencionar que as "bizarrices plásticas" ou obras pelas quais ele é, hoje, conhecido, são apenas uma pequena parte daquelas que realizou na condição de artista da corte.

Arcimboldo (1526–1593 ) estará em exposição até 13 de janeiro de 2008, no Musée du Luxembourg em Paris. Em seguida, ela segue para o Kunsthistorisches Museum de Viena, onde poderá ser visitada de 12 de fevereiro a 1° de junho de 2008.

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