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América Latina

Aproximação entre EUA e Cuba mira negócios, diz cientista político

Empresários dos EUA há muito fazem pressão para exportar para Cuba, e cubanos em Miami estão de olho em pechinchas no mercado imobiliário de Havana. "As pessoas querem fazer negócios", afirma especialista Bert Hoffmann.

Depois de mais de meio século de hostilidades, os

Estados Unidos e Cuba anunciaram nesta quarta-feira (17/12)

que pretendem restabelecer completamente as relações diplomáticas, incluindo a abertura de embaixadas nas capitais Washington e Havana.

"É definitivamente uma aproximação histórica", afirma o cientista político Bert Hoffmann, especialista em Cuba do Instituto Giga de Estudos Latino-Americanos de Hamburgo, em entrevista à DW. "O momento é surpreendente, mas a aproximação em si já havia se anunciado", analisa.

Para Hoffmann, a aproximação tem motivações políticas, mas sobretudo econômicas. "O mundo dos negócios dos EUA há muito tempo coloca pressão e diz: 'Queremos exportar para Cuba'", diz.

Hoje, cada transação precisa da aprovação do Congresso americano. Mesmo assim, "os EUA são o quinto maior parceiro comercial de Cuba – tantas são as exceções que já foram aprovadas", afirma Hoffmann.

DW: O presidente dos EUA, Barack Obama, e o chefe de Estado de Cuba, Raúl Castro, pretendem reestabelecer relações diplomáticas após

décadas de embargo e distanciamento

. Este é apenas um pequeno primeiro passo ou uma aproximação histórica?

Bert Hoffmann: É definitivamente uma aproximação histórica. Retomar as relações diplomáticas é, de fato, um passo muito importante. Isso tem um valor simbólico. Um presidente dos EUA não pode fazer mais do que isso dando um único passo. Mesmo que ainda sejam necessárias negociações para definir como as relações diplomáticas serão reestabelecidas: isso já é histórico.

Bert Hoffmann

Hoffmann lembra que os EUA já são quinto maior parceiro comercial de Cuba, mesmo com o embargo

A aproximação foi uma surpresa para o senhor?

O momento é surpreendente, mas a aproximação em si já havia se anunciado. É verdade que as negociações eram secretas. No entanto, há algum tempo era claro que havia negociações para a libertação do suposto agente do serviço secreto Alan Gross, preso em Cuba. Além disso, o governo de Obama anunciara há muito tempo que uma grande revisão da política em relação a Cuba estava prevista.

Que ambos os presidentes aparecessem simultaneamente na frente das câmeras foi algo novo, interessante e surpreendente. Mas que Obama tenha dado esse passo nos dois últimos anos de seu mandato não surpreende, pois politicamente ele não tem mais nada a perder e vê a aproximação com Cuba como algo que já deveria ter sido feito há muito tempo.

Qual o interesse de Obama e dos Estados Unidos numa relação normal com Cuba?

Em primeiro lugar, um interesse político. Os Estados Unidos não querem estar sempre numa posição passiva. Em abril acontecerá a cúpula da Organização dos Estados Americanos (OEA). Cuba estará presente. E lá os EUA teriam que voltar a apertar a mão de Raúl Castro e todo o mundo veria que os EUA estão numa atitude passiva e apenas reagem. Em vez disso, os Estados Unidos dão agora um passo adiante e afirmam: "Nós estamos ativos e avançamos".

Por outro lado, o mundo dos negócios dos EUA há muito tempo coloca pressão e diz: "Queremos exportar para Cuba". Empresas do setor alimentício, a indústria do turismo e outros fazem pressão pela normalização das relações. E a situação política já não é mais tão perigosa que seja necessário isolar Cuba.

Muitos cubanos exilados nos EUA têm uma visão diferente.

Este passo certamente será muito atacado. Obama terá que lidar com uma série de críticas da direita, dos linha-dura e dos exilados cubanos. Mas a comunidade cubana nos EUA está hoje muito mais dividida. As pessoas enviam muito dinheiro para seus parentes na ilha. Cubanos em Miami estão de olho em pechinchas no mercado imobiliário de Havana. As pessoas querem fazer negócios. A postura de isolar Cuba já não é mais tão unânime. "Mudança através da aproximação" e por meio de contato direito é há tempos uma postura estabelecida.

Obama consegue convencer o Congresso a renunciar completamente às sanções a Cuba?

Muito improvável, porque os republicanos têm a palavra final no Congresso. Ele certamente não obterá rapidamente – provavelmente nunca – uma revogação da sanções pelo Congresso. O que pode acontecer são exceções serem negociadas. Elas já existem. Os EUA são o quinto maior parceiro comercial de Cuba – tantas são as exceções que já foram aprovadas.

E quando Obama viajará para a abertura da embaixada dos Estados Unidos em Havana?

A embaixada certamente será aberta sem a presença dele. E até lá pode demorar, talvez todo o próximo ano. É necessário acertar regras para vistos e outras questões em aberto. Mas, a partir do momento em que se passa a negociar, é como se a embaixada já existisse em parte.

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