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Alemanha+Brasil

Apresentação de Balé Jovem Nacional encerra Temporada Alemanha+Brasil

Centenas de pessoas encheram o auditório da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, para a apresentação do Balé Jovem Nacional da Alemanha. Evento marcou o fim da Temporada Alemanha+Brasil, que realizou mais de mil eventos.

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Balé Jovem Nacional da Alemanha apresenta coreografia do brasileiro Thiago Bordin , ao som de Bachianas Brasileiras No. 5, de Heitor Villa-Lobos

Centenas de pessoas encheram o auditório da Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (16/05) para a apresentação do Balé Jovem Nacional da Alemanha. O grupo dividiu o palco com a orquestra Young Euro Classic Ensemble Brasil-Alemanha, formada por 11 jovens dos dois países.

O espetáculo marcou o encerramento da Temporada Alemanha+Brasil 2013-2014. Desde maio do ano passado, foram realizados 1.100 eventos – uma média de 3 por dia – em 92 cidades brasileiras e 27 cidades alemãs, segundo o conselho empresarial alemão BDI Brazil Board.

"Mais de 7 milhões de pessoas foram diretamente envolvidas. Outras 50 milhões se informaram através da mídia sobre o Ano da Alemanha no Brasil. O interesse mútuo entre os países foi maior do que nós imaginávamos, excedeu em muito as nossas expectativas", disse o presidente do BDI Brazil Board, Stefan Zoller.

Segundo o embaixador da Alemanha no Brasil, Wilfried Grolig, a orquestra, criada especialmente para o ano temático, representa o espírito da Temporada. "Os músicos constituem um símbolo da nossa amizade e da futura cooperação entre os nossos países", disse.

Depois de uma turnê por várias cidades brasileiras, os jovens desenvolveram um laço forte. "Após o primeiro concerto, nós fizemos um grupo no Facebook para manter o contato. Estávamos sempre mandando fotos e choramingando, porque queríamos tocar juntos de novo. Então veio a ideia de continuar com a orquestra. É o nosso sonho", conta a flautista turco-alemã, Ayla Emanet, de 30 anos.

Ayla disse que se identificou com a obra do compositor brasileiro Heitor Villa-Lobos, tocada no espetáculo. "Eu senti a alma do Brasil na música dele. Essa melancolia me lembra o meu país", explica ela, que quer morar e trabalhar no Brasil.

A brasileira Kivia Santos, de 21 anos, afirma que, além de amigos, a experiência na orquestra foi também um grande aprendizado. "É muito bom trabalhar com pessoas de outras culturas. Hoje a gente fez uma brincadeira no camarim. Nós tentamos ensinar os Hinos Nacionais do Brasil e da Alemanha uns aos outros", lembra.

Bundesjugendballett

Autoridades alemãs e representantes de entidades organizadoras na coletiva de encerramento

Uma Temporada para pessoas

A experiência dos jovens da orquestra confirma um dos objetivos da Temporada: promover a aproximação entre brasileiros e alemães.

"O mais importante não é a relação institucional, mas a que se estabelece entre as pessoas. Parceria estratégica é só uma palavra, nós temos que dar substância a essa ideia abstrata", defendeu o embaixador.

Segundo ele, há uma negociação em curso com o governo brasileiro para diminuir os obstáculos para o intercâmbio de jovens.

"Estamos motivados a estabelecer um programa em que brasileiros e alemães possam viajar para o outro país, trabalhar como trainees ou estagiários, adquirir experiência e conhecer a outra cultura", conta Grolig.

Com a Temporada, os organizadores almejavam também aumentar o conhecimento dos brasileiros sobre a Alemanha. "Acho que foi bem positivo. Foram muitos eventos com trocas de ideias, como seminários e congressos. Apresentamos aspectos da Alemanha que fogem do clichê, como um país com tradição no design e gastronomia moderna, por exemplo", afirma o coordenador-geral da Temporada Alemanha + Brasil, Claudio Struck.

Os mais de mil eventos realizados durante a Temporada Alemanha+Brasil custaram cerca de 10 milhões de euros a empresas dos dois países. O governo alemão investiu 7 milhões por meio dos ministérios do Exterior, para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento, e de Educação e Pesquisa. Esse valor inclui cerca de 2 milhões de euros provenientes do Instituto Goethe.

As estimativas ainda são preliminares, de acordo com a organização. "Os investimentos com atividades de parceiros, como instituições culturais e de ensino no Brasil e na Alemanha, ainda não foram precisados", diz Struck.

Modelo de cooperação

Por focar mais nas pessoas e menos em instituições, os organizadores da Temporada optaram por um modelo diferente de cooperação: uma administração mais descentralizada. Neste caso, o projeto foi levado a cabo pelo governo alemão, junto aos realizadores BDI Brazil Board e Instituto Goethe, mas sem uma parceria oficial com o governo brasileiro.

"Nós escolhemos outra forma, que não a dos anos bilaterais. Foi uma solução melhor, porque nós estivemos em contato com muitas instituições individuais, não ficamos restritos ao nível de cooperação entre Estados. Isso funcionou muito bem", explica Grolig.

Ele ressaltou que, em muitos projetos, a Temporada teve a colaboração de instituições oficiais brasileiras, como secretarias, prefeituras, governos estaduais e o governo federal. "No Túnel da Ciência, por exemplo, houve contribuição oficial do governo brasileiro e tivemos um patrocínio político da presidente, mas decidimos por essa estratégia descentralizada", aponta.

Para Luiz Ramalho, organizador das jornadas "Nunca Mais Brasilientage", que foram incluídas na agenda da Temporada, esse modelo de organização permitiu uma maior liberdade na escolha de temas.

"Evitou essa postura 'chapa branca' e criou espaço para assuntos políticos e críticos. Nas nossas jornadas, se falou muito sobre o papel do governo e da indústria alemã na ditadura militar brasileira. Acho muito positivo isso ter sido parte da Temporada sem problemas", argumenta.

Bundesjugendballett Deutschland Brasilien

Balé Jovem Nacional da Alemanha também se apresentou em Salvador

Pouca repercussão na Alemanha

Ramalho elogia a iniciativa pela diversidade de atividades e a boa aceitação do público brasileiro, mas avalia que a Temporada teve pouca repercussão na Alemanha.

Além disso, ressalta outro ponto que pode ser aperfeiçoado. "Como instrumento para incentivar intercâmbios culturais, científicos e políticos a Temporada é válida. Só acho que poderia ter tido mais envolvimento de instituições brasileiras. Não do governo, mas culturais, acadêmicas, ONGs, etc", disse.

Ramalho lembra que o momento de protestos, Copa do Mundo e aproximação das eleições não favoreceu a Temporada.

"O Brasil vive uma época de ebulição e está muito voltado para si mesmo. Nessa situação, atrair a atenção da população para outro país é difícil, porque as pessoas não estão tendo essa dimensão internacional. É uma tarefa de Hércules tentar reverter isso. Mesmo assim, acho que a série de eventos conseguiu ser construtiva e inovadora."

Ainda que seja um período conturbado, os frutos da Temporada ficam para a posteridade, afirmou o cônsul geral da Alemanha no Brasil, Harald Klein. "Temos projetos que continuam até depois da Copa. A parceria não termina aqui."

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