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Mundo

Apple segue explorando operários na China, afirma ONG trabalhista

Li Qiang, diretor da China Labor Watch, explica estudo da ONG que diz que a Apple trabalha com a fornecedora taiwanesa Pegatron, cujos funcionários fazem 100 horas extras mensais, violando lei trabalhista chinesa.

Em seu relatório mais recente, a organização de direitos trabalhistas China Labor Watch (CLW), sediada em Nova York, acusa a multinacional de produtos eletrônicos Apple de operar com a fornecedora taiwanesa Pegatron, que viola os direitos dos operários de forma sistemática e especialmente grave. A DW entrevistou o diretor geral da CLW, Li Qiang.

Deutsche Welle: No ano passado, a Apple foi alvo de críticas, devido às más condições de trabalho nas fábricas da Foxconn, na época maior fornecedora de iPhones. Agora, a China Labor Watch constatou que a situação na Pegatron é ainda pior. Como?

Li Qiang: As práticas na fornecedora Pegatron não colidem apenas com as diretrizes da Apple de proteção aos funcionários, mas também contrariam a legislação trabalhista chinesa. Ao todo, registramos mais de 30 violações. Embora o desrespeito aos direitos dos operários seja muito difundido nas fábricas chinesas, pode-se afirmar que as condições de trabalho na Pegatron estão ainda abaixo dos padrões usuais do setor eletrônico.

Que violações considera especialmente graves?

Li Qiang Geschäftsführer der Organisation China Labor Watch

Li Qiang, diretor-gerente da China Labor Watch

A lei trabalhista chinesa dita que o operário não faça mais de 36 horas extras mensais. Na Pegatron, a regra é de 100 horas extras por mês. Os documentos sobre as horas extras são manipulados para não chamarem a atenção durante a fiscalização pela Apple. A Pegatron emprega muitos trabalhadores temporários, muito mais do que a taxa legalmente permitida. Para esses, ela não paga nem seguro social, nem aposentadoria.

Durante o período de experiência, os operários têm que entregar seus documentos de identidade e só recebem os papéis de volta semanas mais tarde. Dessa forma, muitos são obrigados a continuar trabalhando. Quem se demite antes da hora, recebe menos pagamento.

No processo de seleção, a discriminação é rigorosa: quem tem menos de 1,50 metro de altura ou mais de 35 anos de idade, é rejeitado. O mesmo ocorre com muçulmanos, uigures, tibetanos ou membros de algumas outras minorias étnicas.

Num mundo globalizado, como é possível combater a exploração dos trabalhadores de forma eficaz?

O governo e as empresas poderiam fazer algo, só que não estão seriamente interessados na proteção dos operários. As autoridades locais na China pagam qualquer preço para atrair investidores, e aceitam tacitamente a violação do direito trabalhista. Afinal de contas, a maioria dos empregados nas fábricas não é natural da própria província – são trabalhadores sazonais vindos do interior, que pouca importância têm para as autoridades.

E as empresas querem baixar os custos, é claro. A competição entre os fornecedores é grande: quem oferece o produto ao preço mais baixo ganha o adicional.

A Apple cita quatro fatores em sua cadeia de valor: preço, qualidade, rapidez e responsabilidade social. Na prática, porém, os três primeiros critérios dominam: eles é que decidem se um fornecedor recebe uma encomenda.

Então, não se pode contar nem com a política, nem com as empresas. Em que pé anda a organização trabalhista na China?

Na China só existe um sindicato oficial. No que diz respeito ao seu financiamento, a Secretaria das Finanças recolhe diretamente as contribuições dos afiliados. No fim das contas, o dinheiro vem das empresas e é repassado diretamente para o sindicato. Por isso, ele não defende os interesses dos empregados, e sim dos empregadores. Os operários da China não têm uma organização própria que defenda os seus direitos. Os conglomerados internacionais precisam tomar consciência da sua responsabilidade social e implementar as normas trabalhistas que propagam. Mas a Apple está longe de aplicar esse princípio.

A pressão pública sobre a Apple não é grande o suficiente?

Contra a pressão pública, a Apple faz trabalho de relações públicas. Vale mais a pena investir um pouco na publicidade do que se preoocupar seriamente com a melhoria das condições de trabalho. Além disso, a onda de indignação logo vai baixar. É improvável que ocorra uma fiscalização mais rigorosa.

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