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Cultura

Apparat encerra monopólio do laptop em "Walls"

No recém-lançado terceiro disco, Sascha Ring abre seu leque de influências e aposta em vocais e instrumentos analógicos, com influências de techno, electro e pop.

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Menos experimental, mais humano

O título Walls até poderia sugerir uma linha divisória, talvez uma ruptura com a imagem de músico de laptop que é quase marca registrada do Apparat, conhecido pelas repartições públicas alemãs como Sascha Ring. Mesmo assim, o lançamento do seu terceiro álbum passou praticamente despercebido na mídia nacional, à exceção de singelos comentários e resenhas em publicações especializadas.

Seja como se justifique a apatia da mídia, ela é ainda mais incompreensível ao se levar em conta que quatro anos atrás, seu disco anterior, Duplex, fora elogiado como um dos marcos da vanguarda digital, com rebuscadas paisagens sonoras que soavam orgânicas por mais digitais que fossem.

Deutschland Musik Sascha Ring aka Apparat

Uma explicação plausível seria que, de fato, certas coisas mudaram desde o lançamento de seu experimental álbum de estréia Multifunktionsebene em 2001: conforme o estereótipo do músico de laptop vai sendo, aos poucos, deixado para trás, torna-se mais e mais difícil carimbar o Apparat com um rótulo específico.

Fim do monopólio do laptop

Quando, em 1997, Sascha Ring deixou a pequena cidade onde nasceu na serra do Harz, no estado da Saxônia, para buscar novos ares em Berlim, estava clara a influência do techno, já que a capital alemã era um dos epicentros do estilo no mundo.

Ao longo dos anos em Berlim e com reconhecimento cada vez maior (até John Peel o convidou para uma de suas Peel Sessions), Ring começou a trabalhar em parceria com artistas de cantos completamente diferentes do seu, como a cantora italiana Gianna Nannini, com quem trabalha na composição de uma ópera-rock ainda sem previsão de lançamento.

Deutschland Musik Sascha Ring aka Apparat

Hoje, o ecletismo vai tomando o lugar de sonoridades mais homogêneas e Ring destituiu de vez o laptop de seu monopólio sonoro, abrindo espaço para instrumentos analógicos, arranjos de cordas e participações vocais, tendo ele próprio assumido os vocais em três faixas (com um imperdível falsete em "Arcadia").

Além disso, Ring incorporou em Walls influências diversas, compondo um álbum pop no melhor dos sentidos. "Estava entediado com tanta programação. Meu estúdio hoje virou um playground, com instrumentos por toda parte e eu correndo de um lado para o outro quando estou inspirado", conta.

O mais importante é que o ecletismo nesse caso não implicou um álbum incongruente e descompassado. O modo como bateria acústica e arranjos de cordas combinam harmoniosamente com o resto é mais uma prova das qualidades de produtor de Sascha Ring.

Baú de acidentes sonoros

Mas a sustentabilidade de Walls nada tem a ver com uniformidade. O álbum é fruto de um baú digital de acidentes sonoros: mais de 70 faixas começadas e não terminadas nos últimos quatro anos, compostas sob influências diversas e em contextos variados.

Deutschland Musik Sascha Ring aka Apparat

"Este disco não é uma produção concentrada e conceitual, mas antes uma compilação dos últimos dois anos", conta. " Ao compor, apenas escolhi e desenvolvi algumas das melhores idéias de uma pasta com mais de 70 arquivos de faixas começadas."

Bem ao contrário de Orchestra of Bubbles, que lançou em 2006 em parceria com a DJ Ellen Allien, outra instituição do techno e do electro alemães, e que foi muito bem recebido pela mídia. "Naquele caso, a gente sabia que tinha um certo período de tempo e um plano concreto do que queríamos fazer."

Ao que parece, em Walls o Apparat conseguiu superar duas grandes barreiras: além de se livrar do árido rótulo de músico de laptop incorporando intrumentos diversos, Sascha Ring abriu seu leque de influências e de artistas convidados, sem que, no entanto, o resultado final deixasse de soar como um todo orgânico.

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