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Mundo

Apoiar ou participar: o dilema alemão

Os Estados Unidos pediram ajuda à Alemanha na possível guerra contra o Iraque. Apoio ou participação? Que tipo de ajuda? A questão é polêmica e provoca intenso debate político.

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Donald Rumsfeld, secretário de Defesa dos EUA, ao lado do ministro alemão Peter Struck

Durante a campanha eleitoral, o chanceler Gerhard Schröder negou categoricamente que a Alemanha participaria de qualquer ataque militar contra o Iraque, mesmo se houvesse um mandato da ONU. Com esta posição, Schröder angariou simpatia e votos do eleitorado de esquerda e pacifista, próximo ao Partido Verde, seu aliado na coalizão governamental. Schröder venceu as eleições, em 22 de setembro, mas provocou uma crise sem precedentes entre a Alemanha e os Estados Unidos.

Depois que as Nações Unidas aprovaram a resolução contra o Iraque, e que países críticos como a França e a Rússia alinharam-se à posição dos Estados Unidos, o governo alemão teve de abrir mão de sua linha dura para não ficar isolado em relação a Europa, OTAN e Nações Unidas.

É claro que a Alemanha irá cumprir seus compromissos internacionais, deixou claro Schröder após a cúpula da OTAN, em Praga. Em termos concretos, isto significa que a Alemanha irá proteger as bases militares americanas instaladas em seu território e abrir o seu espaço aéreo aos aviões militares dos Estados Unidos. Fora isso, os alemães irão conceder apoio logístico às operações militares contra o Iraque, disse o chanceler. Mas exatamente aí é que está o "xis" do problema: que tipo de apoio? Soldados alemães participarão dos combates?

Mísseis de defesa antiaérea e blindados

O ministro alemão da Defesa, Peter Struck (SPD), tratou de desmentir nesta segunda-feira (25/11), que os Estados Unidos teriam pedido que a Alemanha colocasse à disposição seus mísseis de defesa antiaérea do tipo Patriot. Mas estes mísseis fariam parte da lista de exigências que os Estados Unidos formularam à Alemanha, informaram vários jornais alemães.

Fora os mísseis, os americanos gostariam de ter à disposição os seis blindados alemães do tipo Fuchs, especializados na luta contra armas atômicas, químicas e biológicas. Esses blindados estão estacionados no Kuwait, no âmbito da missão Liberdade Duradoura, de combate ao terrorismo internacional.

O deputado do Partido Verde Volker Beck reafirmou que o governo alemão mantém sua posição de não participar da guerra contra o Iraque, mas que, no caso de um ataque iraquiano ao Kuwait, os blindados alemães aí estacionados poderiam entrar em ação.

Estados Unidos pediram ajuda a 49 países

Na semana passada, os Estados Unidos pediram ajuda por escrito a 49 países para a guerra contra o Iraque. Que tipo de ajuda o presidente George W. Bush espera exatamente da Alemanha, isto não foi divulgado em detalhes. O governo alemão teria sido sondado para participar da reconstrução do Iraque após a guerra. Durante o conflito, os americanos esperam que a Alemanha conceda apoio logístico, como equipamentos de assistência médica e aviões de transporte.

Esta possível participação da Alemanha no conflito acirrou as críticas da oposição cristã (CDU/CSU), que acusa Schröder de ter mentido para conquistar os votos do eleitorado pacifista. Já os setores militares consideram o envolvimento alemão inevitável, no caso de um ataque ao Iraque.

O ex-general da OTAN Hanno Graf von Kielmannsegg afirmou por exemplo que a Alemanha, na qualidade de membro da ONU e da OTAN, não pode negar um apoio logístico, sob a forma de transporte, abertura do espaço aéreo, medidas de segurança ou serviços médicos. A promessa eleitoral do chanceler Gerhard Schröder, negando categoricamente qualquer participação na guerra contra o Iraque, é assim insustentável, disse o general.

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