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Ciência e Saúde

Aplicativo transforma qualquer celular em "botão de pânico"

O app da Anistia Internacional pode localizar ativistas e jornalistas em perigo, com alguns toques no botão principal do smartphone. Mas a novidade também traz riscos potenciais, para os quais a própria ONG alerta.

Botões de pânico são comuns no dia a dia dos idosos: basta apertá-los para avisar aos serviços médicos que há uma emergência. O dispositivo geralmente fica pendurado num pingente ou pulseira, permitindo reação rápida em caso de acidente, tontura súbita ou ataque cardíaco.

Agora, a Anistia Internacional lançou uma ferramenta semelhante para jornalistas e ativistas que trabalham em locais perigosos. Em cooperação com o laboratório Information Innovation Lab (Iilab) e outros parceiros, a organização de direitos humanos desenvolveu o Panic Button, um aplicativo para telefones celulares que transforma botão de ligar e desligar num botão de pânico. Em caso de emergência – uma prisão ou sequestro, por exemplo – jornalistas e ativistas podem acioná-lo para pedir socorro rapidamente.

Ajuda com riscos

O dispositivo foi projetado especificamente para que indivíduos sob ameaça possam chamar ajuda, sem despertar a atenção, e não é detectável de imediato no smartphone. Se o botão principal é pressionado várias vezes num período breve, o aplicativo envia uma mensagem de texto, com a localização GPS do remetente, a três contatos de emergência pré-definidos.

Atualmente, o Panic Button só está disponível para o sistema Android, gratuitamente, na Google Store, onde há outros aplicativos com nomes semelhantes. No entanto, o app da Anistia Internacional é o único desenvolvido pelo Iilab.

"Estamos treinando ativistas de 16 países para utilizar esta ferramenta. E também a estarem alertas para a ameaça da crescente vigilância online, sabendo que riscos correm ao usar um smartphone", informa Tanya O'Carroll, da Anistia Internacional e integrante do projeto.

Pois, apesar de seus benefícios, o app também pode representar uma ameaça para seus usuários. O simples fato de portar um smartphone já traz riscos. "Quando estive na Síria pela primeira vez, uns anos atrás, eu nunca ligava meu celular", conta o jornalista e fotógrafo Daniel Etter, que viajou várias vezes a regiões de crise, a trabalho. "É grande demais o perigo de ter a sua localização revelada."

Se detectado, um telefone celular estrangeiro na rede da Síria já é razão suficiente para um monitoramento rigoroso ou até mesmo detenção. No entanto, observa Etter, o que é ou não comportamento seguro depende em grande parte da situação in loco. "Às vezes, é útil ter o telefone a postos para enviar um alerta de emergência. Outras, é melhor desligá-lo completamente e estar fora do radar."

Panic Button App von Amnesty International

Mensagem silenciosa traz localização GPS da pessoa em perigo

Depois de apertar o botão

Em caso de detenção ou sequestro, o celular costuma ser logo tomado da vítima. E aí o regime em questão provavelmente detectaria logo o aplicativo, obtendo informações valiosas sobre os contatos mais importantes do preso.

Wojtek Bogusz, da organização de direitos humanos Front Line Defenders, que colaborou com a Anistia Internacional no app, afirma que é possível melhorar certas funções no futuro. "Existe a ideia de apagar as informações do telefone quando o aplicativo é acionado", sugere.

O dispositivo só faz sentido, no entanto, se os contatos de emergência souberem exatamente como ajudar, tão logo o alarme tenha sido acionado. Segundo Etter, no caso dos jornalistas essa é a hora de contatar a redação. "Aí, ela precisa decidir quem será envolvido", se outros jornalistas, embaixadas ou empresas de segurança privada especializadas.

Além disso, o Panic Button depende de redes de telefonia móvel funcionais. A experiência de Etter é que as redes geralmente seguem disponíveis, mesmo em situações críticas. Na maioria das vezes, porém, ele usou um dispositivo especial de emergência por satélite, que não depende de redes móveis e pode ser usado em todo o mundo, contanto que se esteja em campo aberto.

"O problema, porém, é que o aparelho chama mais a atenção do que um telefone", comenta o fotógrafo. "Ter um aplicativo assim no celular e ser capaz de enviar um sinal de emergência rapidamente pode mesmo salvar vidas."

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