1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Apesar de promessas, Kaesong pode ser fechado de novo, opina especialista

Para analista alemão Lars-André Richter, reabertura do complexo industrial operado pelas duas Coreias é gesto importante, "mas acordo não foi escrito na pedra".

default

Kaesong é marco da cooperação entre as duas Coreias

Depois de mais de cinco meses fechado, o complexo industrial de Kaesong, localizado perto da fronteira da Coreia do Norte com a Coreia do Sul, reiniciou nesta segunda-feira (16/09) suas atividades.

A reabertura acontece depois que o governo da Coreia do Norte concordou em não fechar mais o complexo de maneira unilateral ou devido à tensão política entre os dois países.

Kaesong fica do lado comunista e é uma importante fonte de divisas para a Coreia do Norte. No local operam mais de 120 empresas sul-coreanas, empregando mão de obra do Norte.

De acordo com o especialista Lars-André Richter, diretor do escritório da fundação política alemã Friedrich Naumann em Seul, a reabertura do parque industrial tem diferentes significados para os dois países. Apesar das promessas, não há garantias de que ele permanecerá aberto, opinou.

"Em suma: é um gesto importante. Mas [o acordo] não foi escrito na pedra", disse Richter em entrevista à Deutsche Welle.

Deutsche Welle: Nesta segunda-feira, o parque industrial de Kaesong foi reaberto. Qual é a importância disso para a evolução das relações entre as duas Coreias?

Lars-André Richter: Isso é certamente positivo, pois o parque industrial conjunto das duas Coreias é um símbolo da reaproximação e um marco da política conhecida como "raio de sol", datada de 2000. Nessas circunstâncias, o fechamento do parque em abril foi naturalmente fatal, e é um bom sinal que seja reaberto. Quanto ao significado disso para os dois países: para a Coreia do Norte, a reabertura tem uma dimensão política e econômica. Para o Sul, o complexo industrial tem, em primeiro lugar, um significado político, pois o país não é dependente economicamente de Kaesong.

O senhor citou o caráter simbólico de Kaesong. Até que ponto existe um real perigo de que este último projeto conjunto entre as duas Coreias seja definitivamente fechado?

Como é comum, também nesse caso houve os mais diversos prognósticos. "O Norte não pode fazer outra coisa a não ser reabrir o parque industrial conjunto", diziam. Para outros, Kaesong ficaria ao menos a médio prazo, talvez até mesmo permanentemente fechado. De fato, por meio de Kaesong, as pessoas no Norte obtêm certamente muitas informações sobre o mundo externo, principalmente sobre a situação no Sul. Mas, ao final, as ponderações econômicas foram mais fortes do que as ideológicas.

Quais são os danos econômicos por causa do fechamento, por cinco meses, desse parque industrial?

Em relação ao Sul, os prejuízos chegam a cerca de 1 bilhão de dólares. O Estado pagou quase 14 milhões de dólares em garantias a 46 empresas sul-coreanas. Esse dinheiro ele vai querer de volta. Além disso, nos últimos meses alguns clientes desistiram dos negócios e, agora, vão ter que ser recuperados. Deverá levar um ano até que tudo volte mais ou menos ao normal. Mas, do ponto de vista econômico, Kaesong não desempenha um papel tão importante para a economia do Sul como para a do Norte. Para Pyongyang, o fechamento do parque causou prejuízos muito mais significativos.

Kim Jong-un Militärparade in Pjöngjang 09.09.2013

Kim Jong-un (d) anunciava em março que estava em "estado de guerra" com Seul

No comunicado que definiu a reabertura, os dois países chegaram a um acordo que Kaesong não será de novo uma marionete da política. Na opinião do senhor, qual é o perigo que, mesmo assim, o parque seja fechado como consequência de tensões políticas entre as duas Coreias?

O papel aceita tudo. Foi uma decisão do Norte, e não do Sul, bloquear Kaesong e depois fechá-lo em 3 de abril. Isso quer dizer que Seul podia assinar o acordo de bom grado. Em suma: é um gesto importante. Mas não foi escrito na pedra.

A presença de multinacionais dificultaria um novo fechamento e é algo planejado a longo prazo. Quais são as chances de que isso realmente aconteça?

Isso é correto. A presença de investidores internacionais dificultaria um novo fechamento. Já há muito tempo, a própria Coreia do Norte demonstra interesse em atrair investidores internacionais para o país, e não somente para Kaesong. A possibilidade de que isso dê certo em curto ou médio prazo não é particularmente grande, também por causa da última crise diplomática entre os dois países.

A palavra-chave é diversificação. Os chineses já estão ativos na Coreia do Norte, onde possuem também zonas econômicas especiais próprias. Agora, espera-se que outros venham. Em todo caso, já existe uma infraestrutura em Kaesong. Contudo, eu não acredito que haverá uma corrida para isso. Uma feira para investidores está marcada para ser realizada em outubro, em Kaesong, o que é consenso há bastante tempo entre as duas Coreias. Resta saber como será a ressonância por parte dos países vizinhos e, principalmente, dos europeus e dos americanos.

Leia mais