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Mundo

Apesar de acenos positivos, poucos sinais de distensão nas Coreias

Dennis Rodman, seu amigo e ditador Kim Jong-un e a presidente sul-coreana têm diferentes formas de promover a reconcililação na península. Mas nenhum deles parece realmente disposto a atingir o objetivo.

O discurso nas últimas semanas foi insistentemente o mesmo. A viagem, afirmou Dennis Rodman às vezes em tom irritado, não era política, mas um presente de aniversário a um amigo – e uma chance de abrir um pouco ao mundo as portas da Coreia do Norte. Mas quando o viajante é uma personalidade americana e seu cicerone, o ditador do regime mais fechado do mundo, acaba inevitável atribuir uma conotação política ao evento.

Nesta quarta-feira (08/01), o ex-astro da NBA (liga profissional americana de basquete) participou junto com outros antigos colegas de uma partida de exibição em homenagem ao aniversário de 31 anos de Kim Jong-um. Diante de 14 mil pessoas num ginásio em Pyongyang, cantou "parabéns para você, querido marechal".

"Ele é um grande líder. Ele abastece as pessoas aqui neste país, e graças a Deus o povo aqui ama o seu marechal", teria dito Rodman, antes da partida, segundo a agência de notícias AP.

Kim Jong-un und Dennis Rodman in Pjöngjang 07.09.2013

Kim Jong-un (e) e Dennis Rodman já se encontraram em Pyongyang em setembro de 2013

O time de ex-estrelas da NBA liderado por Rodman perdeu para a seleção norte-coreana na primeira metade do jogo. Na segunda, as equipes se misturaram, e o ex-jogador assistiu da tribuna ao lado do ditador – "um amigo e um cara muito legal", como costuma dizer.

Missão sem sentido

Para organizações humanitárias e para o governo em Washington, a apresentação, sob o título "The Big Bang in Pyongyang", não passa de uma "viagem" egocêntrica de Rodman, sem qualquer relevância política.

Em carta aberta ao jornal The Washington Post, Shin Dong Hyuk, único norte-coreano nascido num campo de prisioneiros que conseguiu fugir para a Coreia do Sul, instou o jogador americano a insistir junto a Kim para que escute "os gritos do seu povo".

O diretor do serviço de notícias Inside NK reconhece que dificilmente poderia exigir de Rodman que cancelasse a viagem. "É o seu direito degustar vinhos caros, frequentar festas de luxo, como consta que o senhor fez em viagens anteriores a Pyongyang", escreve. Ao mesmo tempo, porém, Rodman deveria pensar no que o seu anfitrião e família fizeram e continuam fazendo com o povo norte-coreano, repreende Shin.

Apesar de todas as tensões, na virada do ano os governos das duas metades da Coreia se manifestaram em tom mais conciliador.

Südkorea Präsidentin Park Geun-Hye Neujahrsansprache 06.01.2014

Presidente Park Geun-hye defende a reunificação das duas Coreias

"A Coreia do Sul mantém uma política consistente de procurar o diálogo com o Norte", afirma Robert Dujarric, do Instituto de Estudos Asiáticos Contemporâneos da Temple University, na Filadélfia. "Ninguém no Sul está interessado num colapso do regime do Norte, ou na eclosão de uma guerra civil."

Segundo ele, nenhum líder de Estado do país quer tampouco entrar para a história como aquele levou a cabo a reunificação da Coreia, pois esse processo transcorrerá de maneira traumática. Os políticos de ponta em Seul procuram, antes, se destacar por seu empenho em prol de uma melhoria nas relações com o Norte.

Apelos pouco concretos

Foi esse também o sentido da iniciativa da presidente sul-coreana Park Geun-hye, divulgada na segunda-feira, de novamente tentar reunir as famílias separadas pela Guerra da Coreia. Um encontro com este fim já fora programado para setembro de 2013. Contudo Pyongyang cancelou a data no último momento, alegando que o Seul adotou "táticas hostis" que "ferem a dignidade nacional" norte-coreana.

Paralelamente à proposta de uma reunião das famílias, Park apresentou um roteiro para a reunificação da Coreia. A chefe de Estado rechaçou a alegação, de muitos de seus compatriotas, de que os custos da iniciativa seriam monstruosos, impossíveis de serem arcados pela economia sul-coreana. Pelo contrário, a reunificação proporcionará um enorme avanço para a economia, argumentou.

Nordkorea / Kim Jong Un / Neujahr

Retórica mais contida de Kim no Ano Novo convenceu a poucos

Também Kim Jong-un adotou um tom conciliador em sua mensagem de Ano Novo, defendendo uma melhoria das relações comprometidas e um arrefecimento das tensões militares. Certos observadores alegram detectar no discurso do líder norte-coreano um vocabulário menos agressivo do que de costume – e uma crítica menos cáustica ao Sul.

São bem poucos, porém, os que acreditam numa verdadeira mudança de atitude. "Isso é só da boca para a fora", assegura Toshimitsu Shigemura, especialista em Coreia do Norte da Universidade Waseda, de Tóquio.

"O regime da Coreia do Norte precisa de ajuda e investimentos estrangeiros. Para consegui-los, tem que reativar o diálogo com o Sul, mesmo que não tenha a menor intenção de traduzir em atos qualquer uma de suas promessas", continua.

A coisa toda é um cerimonial sem conteúdo verdadeiro, destaca Shigemura: "Vamos ter que viver com as circunstâncias atuais na Península Coreana até que o regime do Norte entre em colapso. E ninguém sabe quanto tempo isso ainda vai levar."

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