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Mundo

Apatia de autoridades húngaras emperra caça a criminoso nazista

László Csatáry foi encontrado por repórteres britânicos em Budapeste. Paradeiro era de conhecimento das autoridades húngaras havia quase um ano, mas elas nada fizeram.

Naquele dia, ele caprichou no visual. Vestiu uma nova calça comprida cáqui, uma camisa recém lavada, um casaco quadriculado cinza e branco e botou um boné na cabeça. Saiu do apartamento e pegou o bonde, indo até um centro comercial próximo, na capital húngara, Budapeste. László Csatáry não sabia que estava sendo observado durante aquele passeio de quatro horas. Desfilava tranquilamente ao largo das lojas e entrou numa banca para comprar jornal.

Mas repórteres de um tabloide britânico seguiam atentamente os passos de Csatáry. O jornal havia recebido informações do Centro Simon Wiesenthal, que caça no mundo inteiro criminosos de guerra nazistas para levá-los a julgamento.

Já em setembro de 2011, o centro havia recebido informações sobre o paradeiro de Csatáry, através de um informante, tendo verificado imediatamente a veracidade delas. Mas as autoridades húngaras não reagiram, e o diretor do Centro Wiesenthal, Efraim Zuroff, colocou Csatáry no topo da lista dos mais procurados criminosos de guerra nazistas. "Mas nada aconteceu", lamenta Zuroff em entrevista à Deutsche Welle.

Matéria no jornal chamou atenção

"Então, encaminhamos nossas informações ao jornal britânico The Sun, com quem temos uma espécie de cooperação e que já rastreou outros criminosos de guerra nazistas no passado", conta Zuroff. "Antes tínhamos zero de atenção, mas depois que o The Sun o fotografou de cueca, o mundo inteiro ficou sabendo da existência dele."

László Csatáry, de 97 anos, foi localizado por repórteres britânicos num pequeno apartamento em Budapeste, onde os jornalistas o confrontaram com seu passado. Ele pareceu constrangido. "Não, não, vá embora!", gaguejou, antes de bater a porta na cara dos ingleses.

Csatáry é considerado responsável pela deportação de quase 16 mil judeus para o campo de extermínio de Auschwitz em 1941, quando era chefe de polícia de Kosice, cidade da Eslováquia que na época pertencia à Hungria. Há registros em documentos do Centro Wiesenthal que relatam ser ele na época famoso por carregar sempre um chicote na cintura, com o qual açoitava cruelmente mulheres. O húngaro foi condenado à morte, à revelia, na Tchecoslováquia em 1948, por seus crimes de guerra.

Após a Segunda Guerra, ele havia fugido para o Canadá, onde trabalhou como comerciante de arte. Em 1955 recebeu a cidadania canadense, revogada em 1997, quando seu passado se tornou conhecido. Mas antes que Csatáry pudesse ser preso em Toronto, ele fugiu para a Europa, retornando a seu país de origem, onde viveu nos últimos anos.

Autoridades húngaras relutantes

Agora, a situação de Csatáry está num impasse. A questão está sob os cuidados das autoridades húngaras. E Zuroff continua se dizendo extremamente surpreso, já que nada acontece. "A Hungria se encontra atualmente sob fogo cerrado devido a várias questões: direitos humanos, democracia, antissemitismo. Na verdade seria realmente muito do interesse da Hungria se Csatáry fosse levado a processo."

O Ministério Público, em Budapeste, argumenta que as investigações sobre László Csatáry são um trabalho difícil, já que os crimes em questão ocorreram há 68 anos, conforme declarou o órgão nesta segunda-feira. Uma "parte significativa", alega, corresponde a tentar encontrar testemunhas oculares ainda vivas, muitas das quais possivelmente se encontram em outros países.

Österreich Simon Wiesenthal Zentrum Efraim Zuroff

Zuroff, diretor do Centro Wiesenthal, corre contra o tempo

Historiador israelense nascido em Nova York, Zuroff assumiu a direção do Centro Simon Wiesenthal após a morte do fundador da entidade e tem se dedicado principalmente a encontrar criminosos do Holocausto oriundos dos Balcãs. Em 2011, ele publicou o livro Operation Last Chance; one man's quest to bring nazi criminals to justice ("Operação última chance, a busca solitária de um homem para levar criminosos nazistas à justiça", em tradução livre).

No entanto, Zuroff corre contra o tempo. Os poucos criminosos de guerra nazistas ainda vivos têm, em maioria, mais de 90 anos e poucos anos de vida pela frente. Mas assassinato é um crime que não prescreve. Portanto, os criminosos podem ser julgados por seus crimes, mesmo décadas depois de os terem cometido. "Rastrear e caçar os criminosos é, por vezes, um trabalho incrivelmente frustrante", reclama Zuroff. "Mas as dificuldades que enfrento não são absolutamente nada em comparação com o sofrimento e a dor das vítimas e sobreviventes do Holocausto."

Autora: Arne Lichtenberg (md)
Revisão: Alexandre Schossler

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