Após nove anos, últimas tropas norte-americanas deixam o Iraque | Notícias e análises internacionais mais importantes do dia | DW | 18.12.2011
  1. Inhalt
  2. Navigation
  3. Weitere Inhalte
  4. Metanavigation
  5. Suche
  6. Choose from 30 Languages

Mundo

Após nove anos, últimas tropas norte-americanas deixam o Iraque

Cronograma de retirada dos militares havia sido acertado em 2008. A guerra que derrubou Saddam Hussein deixou um saldo 100 mil iraquianos e 4,5 mil norte-americanos mortos.

157 soldados dos EUA ficarão para treinar tropas iraquianas

157 soldados dos EUA ficarão para treinar tropas iraquianas

O último comboio de soldados norte-americanos cruzou a fronteira iraquiana em direção ao Kuwait nas primeiras horas deste domingo (18/12), levando ao fim a ação militar dos EUA no Iraque após quase nove anos. Apenas 157 soldados ficaram no país, a fim de treinar as forças iraquianas, enquanto um grupo da Marinha permanecerá para garantir a segurança da missão diplomática.

Uma frota com cerca de 100 veículos militares, transportando 500 homens, viajou durante cinco horas ao longo da rota desértica no sul do Iraque após deixar a base de Imam Ali, próxima da cidade de Nasiriyah. Forças norte-americanas pagaram xeques tribais xiitas para inspecionarem regularmente as imediações das rodovias, a fim de reduzir o risco de bombas ou ataques às últimas tropas.

Em março de 2003 os EUA lideraram uma invasão que derrubou o governo de Saddam Hussein e desencadeou uma violência sectária brutal. A guerra matou 4,5 mil norte-americanos e mais de 100 mil iraquianos, segundo a ONG britânica Iraq Body Count.

Promessa cumprida

Primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki (e), e Obama

Primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki (e), e Obama

O cronograma para a retirada militar foi acertada entre Bagdá e Washington em 2008 e foi objeto de promessa durante a campanha eleitoral do atual presidente Barack Obama. A ocupação no Iraque foi uma herança deixada pelo seu antecessor, George W. Bush, e considerada uma das guerras mais impopulares encabeçadas pelos norte-americanos, atrás apenas da guerra do Vietnã.

As tropas dos EUA deixam para trás um Iraque que tenta superar novos impasses políticos e incertezas acerca da força suas estruturas políticas. Neste sábado (17/12), o bloco político Iraqiya – que despontou após as eleições em março de 2010, com apoio da minoria sunita – disse que estava boicotando o Parlamento como forma de protesto contra a centralização das decisões nas mãos do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, xiita. O bloco controla nove ministérios e ainda não deixou a base do governo iraquiano.

Após a ocupação das tropas norte-americanas e da queda de Saddam Russein, o país mergulhou em um caos. Em vez de uma nova orientação democrática e de expansão econômica, revoltas sangrentas contra a presença dos EUA e confrontos étnicos e religiosos levaram a uma completa instabilidade.

Olho no futuro

EUA derrubaram Saddan Hussein do poder em 2003

EUA derrubaram Saddan Hussein do poder em 2003

Apesar dos graves problemas, os iraquianos aprovaram uma constituição democrática no ano passado e realizaram eleições. "Apesar de todas as dificuldades, problemas e vítimas do país desde a ocupação norte-americana, o Iraque de 2011 está melhor que o de 2003, pois um dos ditadores mais violentos do Oriente Médio saiu de cena", avalia Henner Fürtig, diretor do Instituto de Estudos do Oriente Médio Giga em Hamburgo.

O especialista em Oriente Médio e diretor do Instituto Alemão de Relações Internacionais e de Segurança (SWP) em Berlim, Volker Perthes, a consolidação da política interna e o fortalecimento social serão decisivos para o futuro do Iraque. A segurança social também é importante, afirma Perthes, por isso deve haver uma melhor distribuição de recursos. Uma base financeira já existe, já que o Iraque voltou a produzir petróleo nas mesmas quantidades que antes da guerra. Mas nem todos lucram com isso.

"Nos últimos anos, poderia se colocar a responsabilidade de tudo que estava errado sobre os norte-americanos. Os EUA realmente têm grandes responsabilidades e culpas. Mas, ultimamente, grupos e facções políticas também foram responsáveis por muita coisa", afirmou o especialista.

MSB/afp/rtr/dw
Revisão: Soraia Vilela

Leia mais