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Economia

Após as bombas, as empresas americanas

A reconstrução do Iraque será uma verdadeira mina de ouro para algumas empresas. Mas o mais importante é que a economia mundial livrou-se das incertezas impostas pela crise do Iraque.

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Apesar das turbulências ainda existentes, a paz no Iraque favorece a economia mundial

A reconstrução do Iraque deverá valer ouro para o próximo balanço de algumas firmas, na sua maior parte americanas. Os críticos afirmam, com razão, que a forma adotada pelos Estados Unidos para a licitação das obras de infra-estrutura desrespeitam inteiramente as regras estabelecidas pela OMC – Organização Mundial do Comércio.

O conceituado diário New York Times avaliou da seguinte forma a situação: "A conquista, a ocupação e a reconstrução do Iraque custarão aos contribuintes americanos mais de 100 bilhões de dólares. Empresas com contatos políticos, como a Halliburton, estão entre as ganhadoras do primeiro momento. Isto aparenta um favorecimento aberto e liquida os esforços do governo Bush, de apresentar a guerra como uma cruzada pelo desarmamento e pela democracia, e não como um caso de ganância."

Ex-chefe na vice-presidência

Dick Cheney

Vice-president norte-americano Dick Cheney

O fato de que a Halliburton tenha obtido enormes contratos para reconstruir a infra-estrutura petrolífera iraquiana parece, sem dúvida, um caso óbvio de favorecimento. Pois o vice-presidente dos Estados Unidos e uma das figuras-chave da administração Bush, Dick Cheney, foi durante cinco anos o presidente da Halliburton.

Por outro lado, há de se considerar que a infra-estrutura petrolífera do Iraque está inteiramente destruída, a reconstrução tem de ser iniciada o mais depressa possível e demorará vários anos. Além disto, esta tarefa só pode ser executada praticamente por empresas americanas, que dispõem da melhor tecnologia do setor. Até mesmo o Irã, inimigo figadal dos EUA, importa seus equipamentos e instalações petrolíferas de empresas americanas.

Esperança para os aliados

Também as empresas de países que apoiaram os Estados Unidos, direta ou indiretamente, na sua política para o Iraque podem ter esperança de negócios: como, por exemplo, as refinarias de Gdansk na Polônia ou a Urkneft – empresa petrolífera da Ucrânia. Um total de onze países do extinto bloco comunista da Europa oriental faz parte da lista americana dos que apoiaram o "desarmamento imediato do Iraque". E tais países serão beneficiados com encomendas para a reconstrução da infra-estrutura iraquiana.

Irakische Ölraffinerie

Refinaria perto de Bagdá

Uma coisa é certa: o futuro da indústria petrolífera iraquiana terá um significado decisivo para a reconstrução, a recuperação econômica e a amortização das dívidas externas do Iraque, avaliadas entre 100 e 120 bilhões de dólares. No entanto, ainda está inteiramente em aberto, até que ponto a indústria petrolífera iraquiana (que continua sendo estatal) permitirá a atuação de concorrentes estrangeiras, como Exxon, ChevronTexaco, BP ou Royal Dutch/Shell. Também não existe clareza, se as empresas petrolíferas da França e da Rússia, que antes possuíam acordos lucrativos durante o regime de Saddam Hussein, poderão continuar atuando no Iraque no futuro.

Excluídos da reconstrução

Em outros países, entre os quais a Alemanha, os políticos e dirigentes do setor econômico poderão lamentar que o processo de recuperação do Iraque não atenda às regras da OMC, mas isto não lhes adiantará muito. O presidente da Federação Alemã das Empresas da Construção Civil, Ignatz Walter, não espera "absolutamente nada" em termos de encomendas relacionadas com o Iraque. O que pode ser tomado como uma avaliação inteiramente realista.

Rastende Bauarbeiter

Trabalhadores da construção civil, setor que enfrenta grave crise na Alemanha

Também Anton Börner, presidente da Federação Alemã de Comércio Exterior e Atacadista, afirma que "os aliados não deixarão que o cetro lhes seja tirado das mãos". A Alemanha só terá vez, quando o setor privado da economia iraquiana retomar suas atividades. Mas isto deverá tardar, no mínimo, um ano e meio. Até lá, somente as subsidiárias americanas de empresas alemãs é que poderão ter chance de receber alguma encomenda, ainda que pequena.

Também a avaliação de Anton Börner pode ser considerada bastante realista. Para o setor econômico alemão não adiantará lamentar. O lema agora é esperar o momento certo. Quando o setor civil no Iraque retomar o caminho da expansão, então as boas relações econômicas tradicionais com empresas alemãs e francesas voltarão a dar frutos.

Um dos países mais ricos do mundo

Em princípio, o Iraque é um dos países mais ricos do mundo, possuindo a segunda ou terceira maior reserva mundial de petróleo. Assim que for reiniciada a exploração das jazidas, o país poderá ter uma renda anual entre 18 e 25 bilhões de dólares, dependendo da quantidade exportada e do preço do óleo bruto no mercado internacional, de acordo com os cálculos de especialistas do setor.

Por mais que algumas empresas enriqueçam no Iraque – por exemplo, na reconstrução dos aeroportos e do abastecimento de água e das redes de esgoto – e apesar das perspectivas positivas de uma sólida base financeira para o país, o processo do pós-guerra deverá ter pouca influência direta na economia mundial. Os fatores psicológicos desempenham nisto um papel preponderante.

O que paralisou a economia mundial durante meses foram os conflitos que precederam a guerra no Iraque. Eles geraram um compasso de espera, com uma drástica suspensão dos investimentos em todo o mundo. Esta incerteza terminou agora, da mesma maneira como a ameaça de uma terceira crise do petróleo, comparável às das décadas de 70 e 80 do século passado. Quanto a isto, a economia mundial livrou-se de duas enormes preocupações. A paz no Iraque criou melhores condições para que a conjuntura internacional retome o caminho do crescimento.

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