Aos 80 anos, Fernando Henrique Cardoso é referência da oposição | Notícias e análises sobre os fatos mais relevantes do Brasil | DW | 18.06.2011
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Brasil

Aos 80 anos, Fernando Henrique Cardoso é referência da oposição

Mesmo sem mandato eletivo desde que deixou o Palácio do Planalto, em 2003, ex-presidente Fernando Henrique Cardoso continua sendo a maior referência tucana e se afirma como a voz da oposição.

FHC é um dos fundadores do PSDB

FHC é um dos fundadores do PSDB

Com uma biografia invejável, o sociólogo Fernando Henrique Cardoso completa neste sábado (18/06) 80 anos de idade. Um dos intelectuais brasileiros de maior reconhecimento internacional, o nome de FHC está vinculado à implantação e ao sucesso do Plano Real – que há 17 anos conseguiu frear a assustadora inflação que corroía os bolsos dos brasileiros no início da década de 90. E tornou-se, ao longo dos últimos oito anos, a voz mais eloquente da oposição diante dos sucessivos governos petistas.

"O homem forte do PSDB, da oposição, continua sendo Fernando Henrique. Até por falta de alternativa, com o partido e a oposição totalmente desarticulados internamente", avalia o cientista político Tim Wegenast, do Instituto Alemão de Estudos Globais e Regionais (Giga) na cidade de Hamburgo. O ex-presidente é um dos fundadores do PSDB, partido do qual é presidente de honra.

O cientista político Christian Lohbauer, integrante do Grupo de Análise da Conjuntura Internacional da Universidade de São Paulo, concorda que, mesmo sem mandado eletivo desde que deixou o Palácio do Planalto, em 2003, FHC continua sendo a referência dos oposicionistas. "Outros são apenas líderes regionais, ou não agregam o partido todo", afirma Lohbauer.

FHC em 2000 ao lado do então premiê alemão Schröder

FHC em 2000 ao lado do então premiê alemão Schröder

A disputa pela autoria de políticas públicas implantadas pelo governo federal e que alcançaram sucesso também configuram como mais uma razão, na opinião de Wegenast, para que o ex-presidente frequentemente apareça na mídia criticando o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, e agora o de Dilma Roussef.

Algumas destas políticas, iniciadas no governo tucano, foram mantidas e expandidas na gestão Lula. "Quem acabou colhendo os louros foi o Lula", comenta o cientista.

Na gestão Dilma Roussef, FHC deve continuar exercendo este papel na oposição. Em artigo publicado há dois meses, intitulado "O Papel da Oposição", FHC criticou seus correligionários por não terem defendido os feitos de sua gestão e por terem perdido a "ressonância da sociedade".

Boa fase com Dilma

Enquanto a troca de farpas entre o tucano e seu sucessor em Brasília foram constantes ao longo dos últimos oito anos, a nova ocupante do Palácio do Planalto começa a dar demonstrações de que pretende ter uma relação de menos embate com o oposicionista. Em mensagem de aniversário enviada a FHC, Dilma parabenizou-o por ter sido o presidente que "contribuiu decisivamente para a consolidação da estabilidade econômica".

Na opinião de Wegenast, uma bandeira branca simpática, mas que não deve perdurar até o próximo período eleitoral. "A Dilma está em uma posição mais fácil para fazer um elogio. Quase não existe mais oposição real hoje em dia, [a oposição] está fragmentada", avalia.

A presidente ressaltou ainda, em sua mensagem, que FHC traduziu durante seu governo a consolidação da então recente democracia brasileira. "Ele foi eleito, iniciou e encerrou seu mandato e entregou a faixa presidencial a alguém da oposição, dentro da ordem legal", destaca Lohbauer. FHC foi o segundo presidente eleito após a redemocratização brasileira e o primeiro a completar o mandato – antes dele, Fernando Collor havia sofrido impeachment.

Liberalização da maconha

Durante mandato de Lula, farpas com FHC foram constantes

Durante mandato de Lula, farpas com FHC foram constantes

Professor em universidades de renome em diferentes países, como Estados Unidos, Reino Unido, França e Chile, FHC também é uma considerado uma importante voz brasileira no meio acadêmico internacional. Com este respaldo, ele colocou-se à frente da discussão de um tema polêmico: a liberalização da maconha.

O sociólogo lançou este ano em Genebra, na Suíça, a Comissão Global sobre Políticas das Drogas, para discutir alternativas às atuais políticas de drogas vigentes. O ex-presidente defende que o assunto seja tratado pela perspectiva da "saúde pública".

Apesar de suas últimas movimentações contar com a simpatia de vários setores da sociedade – especialmente de intelectuais e da classe média – especialistas não acreditam que FHC, que terá 83 anos na campanha de 2014, esteja ensaiando uma volta à disputa presidencial.

"Acredito que ele ainda tenha sim muito entusiasmo pela política. Mas não para disputar uma eleição novamente. Acho que é do interesse dele não querer que o PSDB, partido que ele fundou, venha a cair", diz Wegenast. "Mas prefiro evitar previsões".

Autora: Mariana Santos
Revisão: Carlos Albuquerque

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