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Mundo

"Anti-semitismo de novo politicamente correto?"

"O anti-semitismo está se tornando de novo politicamente correto na Europa", desabafou o pianista suíço Olivier Truan, após o cancelamento do concerto do seu grupo Kol Simcha em Oslo.

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Cemitério judaico de Berlim, profanado em março

Os organizadores alegaram medo de atentado ou manifestação política contra a presença do grupo de músicos judeus e não judeus, que já havia se apresentado, sem problemas, em dez cidades da Noruega. O motivo real teria sido pressão dos árabes, que trabalham no Centro Cultural Cosmopolite.

As notícias de atividades contra judeus e instituições judaicas em numerosos países da Europa vêm se repetindo com mais freqüência desde o novo agravamento do conflito israelense-palestino. A França bateu recorde com os atentados incendiários contra as sinagogas de Lyon, Paris e Marselha, assim como escolas e cemitérios judaicos, e ataques contra cidadãos judeus. Desde o início do ano foram registrados mais de 300 delitos de caráter anti-semita, o que representa 50% a mais do que os registrados durante todo o ano passado.

A Alemanha, onde acontecem ataques a instituições judaicas e judeus a qualquer tempo e independente dos acontecimentos no Oriente Médio, foi poupada até agora do uso maciço da violência anti-semita. Um coquetel Molotov foi lançado contra a sinagoga do bairro de Kreuzberg, na noite de domingo. Vez por outra cemitérios ou memoriais judaicos são profanados com pichações e judeus são alvos de agressões verbais ou corporais, sem merecer destaque na imprensa nacional.

Atiçamento do anti-semitismo - Ameaças, tentativas de intimidação e difamações anônimas contra a comunidade judaica nunca faltaram na Alemanha. Mas, segundo o presidente do Conselho Central dos Judeus, Paul Spiegel, os ataques jamais foram tantos e tão constantes. "Muitos disfarçam a sua agressão anti-judaica como críticas a Israel", diz ele. A ativista dos direitos humanos russa Jelena Bonner vê atrás disso um sistema e acha que a Europa e os Estados Unidos estão atiçando uma histeria anti-israelense com o lema da defesa do povo palestino. A viúva do Prêmio Nobel da Paz Andrei Sakarov adverte, a propósito, para os riscos de uma repetição do terror nazista: "É fácil inflar o anti-semitismo, mas é muito mais difícil apagá-lo e nunca se sabe quem é o novo Führer político, qual o novo Hitler que será levado ao poder."

Onde mora o perigo - No Leste Europeu, os anti-semistas se acalmaram, surpreendentemente, nas últimas semanas. Os judeus da região dizem ver mais perigo de incidentes anti-israelenses na Europa Ocidental. Esta parte do Velho Continente terá mais dificuldade em combater a praga dos skinheads (jovens radicais de direita, de cabeça raspada) do que a Rússia, onde o sistema de ensino ainda estaria em ordem, segundo o rabino superior russo Verl Lasar.

De fato, é inquietante o número de incidentes nas últimas semanas, em países com rara tendência de disposição anti-semita. Em Helsinque, um asilo de idosos teve de ser evacuado depois de uma ameaça de bomba. Em Copenhague, encontra-se o lema "morte aos judeus" pichado em paredes de casas. Na Holanda, a suástica apareceu pintada em várias sinagogas e cemitérios judaicos. Na Grã-Bretanha, foram registrados 15 incidentes anti-semitas nos primeiros dez dias de abril. Oito judeus foram agredidos e duas vítimas tiveram de ser hospitalizadas. Mas, nem por isso, o rabino-mor britânico Jonathan Sachs acha que o país esteja sofrendo uma grande onda de anti-semitismo.

Para o jornal dinamarquês Information não há a menor dúvida de que "o velho anti-semitismo está de volta". Gente demais estaria se aproveitando da ofensiva israelense nos territórios palestinos para reagir ao estilo da velha tradição do terror nazista. O músico suíço, que não é judeu, quer reagir ao cancelamento do concerto do seu grupo em Oslo: "Nós temos que nos defender, senão daqui a pouco uma orquestra não poderá se apresentar se o dirigente for judeu."