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Cultura

Anti-Potter: Harry é um horror

O temor é de uma vitória do mal. Ou do apocalipse. Ou até mesmo de um aumento das contribuições ao seguro-saúde. Pouco antes do lançamento do novo Harry Potter, manifestam-se os adversários do aprendiz de feiticeiro.

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Livros sobre magia pervertem as crianças, afirmam críticos

Harry Potter e a Ordem da Fênix chegou às livrarias alemãs neste sábado (8/11). E até parece feitiço: todos os lançamentos de aventuras de Harry Potter batem novos recordes de vendas. A avalancha de marketing é incomensurável, envolvendo inteiramente as crianças e adultos nas intrigas e querelas de Hogwarts. Mas nem todos se deixam envolver...

Sedução para a magia

Às vésperas da chegada do novo Potter às livrarias alemãs, a escritora e socióloga Gabriele Kuby publicou o livro Harry Potter – Bom ou Mau. Nele, a autora classifica a série mágica de Joanne K. Rowling de um "projeto global de longo prazo para a transformação da cultura". As crianças são seduzidas de maneira lúdica para a magia. O universo de Harry é um mundo "regido pelo mal e que, ainda assim, é exposto como almejável".

Além disso, Harry Potter não seria nenhum moderno conto da carochinha, segundo afirmam seus fãs: na série, não existe nenhuma figura que realmente deseje o bem. O próprio Harry não luta contra seu adversário Lord Voldemort para salvar o mundo, mas porque tem um receio: "aquele, cujo nome não pode ser pronunciado," poderia ameaçar a sua formatura na escola de mágicos de Hogwarts.

Na opinião de Gabriele Kuby, a autora Joanne K. Rowling destrói a fé cristã e perverte os símbolos divinos – por exemplo, quando um fantasma canta canções obscenas no Natal e Harry ganha de presente um set para "criar as próprias verrugas".

Depressão e vômito

O novo Harry Potter revira o estômago de alguns críticos. No correr da história, Harry fica possuído por Voldemort, porque o "Lord das trevas" bebe uma poção preparada com o sangue de Harry, um braço amputado de seu criado e um bebê cozido. "Durante a leitura, tive de vomitar várias vezes", afirma Reinhard Franzke, professor de Pedagogia na Universidade de Hanôver. E se ele passou tão mal, então o efeito sobre as crianças tem de ser, no mínimo, tão drástico. "As cenas de horror violentam as mentes jovens. Elas adoecem as crianças sensíveis, provocam depressões e pesadelos e prejudicam a capacidade de aprendizagem e de trabalho dos nossos escolares."

Franzke teme o apocalipse, caso o bastão mágico de Harry Potter não seja quebrado dentro em breve. "Cristãos que rechaçam a magia serão perseguidos; aumentará explosivamente o número de pessoas internadas em clínicas psiquiátricas; as contribuições para o seguro-saúde terão de aumentar drasticamente; crescerá o número de assassinatos 'não esclarecidos', de suicídios e de chacinas indiscriminadas", afirma.

Obra do diabo ou mundo normal?

O exorcista do Vaticano, padre Gabriele Amorth, condena as histórias de Harry Potter como "uma obra do diabo". Elas entregam centenas de crianças a Satanás.

O teólogo católico Mark Achilles não concorda com tais críticas de círculos religiosos conservadores. "Observando-se melhor, os romances não tratam de magia, feitiço e muito menos de ocultismo", diz o professor da Universidade de Munique. "Se deixarmos de lado toda essa atmosfera fantástica, temos um mundo como o nosso, no qual Harry Potter e seus amigos têm de decidir-se todos os dias em favor do bem e dos valores éticos, que querem concretizar."

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