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Cultura

Anthony McCall apresenta suas esculturas de luz em Berlim

Com fumaça e singulares projeções de luz, a retrospectiva do artista inglês transforma a sala principal do Hamburger Bahnhof em uma enorme caixa preta, onde desenho, cinema e escultura se combinam extraordinariamente.

Nas primeiras sessões públicas de cinema no final do século 19, os irmãos Lumière mostravam um filme de 50 segundos com um trem chegando à estação de La Ciotat, próximo a Marselha. Hoje, a cena pode parecer simples e banal, mas conta a lenda que parte do público ficou tão impressionada com a imagem do trem vindo em direção à câmera que saiu correndo da sala aos gritos.

Os pioneiros da arte cinematográfica nos vêm a cabeça ao vermos o trabalho de Anthony McCall, talvez pela dramaticidade com que o espaço central da antiga estação ferroviária Hamburger Bahnhof tenha sido utilizado, ou pela simplicidade da luz em movimento em uma sala escura.

Sem medo ou gritos, mas cheio de beleza e encantamento, o trabalho do artista inglês radicado em Nova York ganha sua maior retrospectiva com Five minutes of pure sculpture (Cinco minutos de pura escultura, na tradução do inglês).

Projeções tridimensionais

Com uma técnica entre o cinema, a escultura e o desenho, a exposição apresenta sete obras feitas por McCall desde 2003. Nas palavras do próprio artista, seu trabalho é composto por "projeções tridimensionais ou simplesmente esculturas de luz".

Ausstellung Anthony McCall Nationalgalerie Berlin

Projeções verticais são como esculturas de luz

Uma técnica simples que ele começou a desenvolver nos anos 1970 e se resume em linhas brancas animadas projetadas em um quarto escuro com uma leve fumaça. Essas projeções dão a ilusão de esculturas que se movem lentamente no espaço real.

O artista se afastou por quase 25 anos do mundo das artes e retomou seu trabalho no começo de 2003, quando novas tecnologias como animação computadorizada e a projeção digital se tornaram mais populares. "Percebemos que um artista é genial quando suas ideias estão à frente dos meios tecnológicos", declarou Udo Kittelmann, diretor do Hamburger Bahnhof – antiga estação de trem e hoje museu – na abertura da exposição.

Para acomodar as obras de McCall, a enorme sala principal do museu foi transformada em caixa preta. Inicialmente, as colunas de ferros e o pé direito alto em combinação com a escuridão, as projeções de luz e a fumaça lembram um clube noturno. "A maior dificuldade é achar um espaço para expor essas obras, pois precisamos de um pé direito de dez metros", completou o artista.

Escultura livre e orgânica

A mágica das obras de McCall está em transformar simples desenhos bidimensionais em imagens tridimensionais em movimento. Essa simplicidade leva alguns segundos para se revelar, já que os olhos precisam se acostumar com a sala escura. Um estado que passa em menos um minuto do quase desinteressante ao encantamento e a beleza.

Künstler Anthony McCall

O artista inglês Anthony McCall

A retrospectiva marca a primeira vez que o trabalho vertical e horizontal de McCall é exibido lado a lado. Originalmente as projeções eram feitas na parede, remetendo mais claramente ao cinema, principalmente na obra Leaving (2003) onde as linhas em movimento são complementadas com sons ambientais gravados nas ruas de Nova York.

As projeções verticais abrem um novo espectro na obra do artista. As linhas e esferas de luzes projetadas do teto são como cones ou paredes feitas de luz. Algo semelhante às gigantescas esculturas de metal do norte-americano Richard Serra. Mas os limites entre obra e espectador no trabalho de McCall são menos delimitados.

Além de circular e o observar as esculturas como em um museu convencional, o espectador pode também cruzar o espaço físico e interagir, entrando na obra, alterando de maneira singular a forma e a ilusão do espaço. A imprevisibilidade da fumaça dá às esculturas um caráter fluido e orgânico.

Five minutes of pure sculpture mostra que a genialidade pode estar escondida em simples linhas, formas e contrastes entre a luz e a escuridão, que escapam aos olhos em nossa vida cotidiana.

A retrospectiva de Anthony McCall pode ser vista no Hamburger Bahnhof em Berlim até 12 de agosto de 2012.

Autor: Marco Sanchez
Revisão: Roselaine Wandscheer

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