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Cultura

Antes e depois de Gutenberg

Confira nestas Notas Literárias onde a imprensa foi realmente inventada, onde ficou o espólio de W.G. Sebald e onde o Muro de Berlim continua existindo.

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Qualquer pessoa tem a convicção de que pode criticar livros, só porque aprendeu a ler e a escrever (William Somerset Maugham)

O Festival Internacional de Literatura de Berlim, ocorrido de 6 a 17 de setembro, reuniu 150 autores de todo o mundo em leituras, debates e conferências. Em sua quinta edição, o evento conseguiu assegurar um lugar fixo nas dependências do Berliner Festspiele, embora tenha perdido a garantia de financiamento a partir de 2007.

Doris Lessing

Doris Lessing

A conquista da confiança da crítica foi um processo mais lento. Fato é que o festival passou a ser mais respeitado, à medida que começou a incluir nomes mais conhecidos em sua programação. Este ano foram Kazuo Ishiguro (Grã-Bretanha), Doris Lessing (Grã-Bretanha), Friederike Mayröcker (Áustria), Kenzaburo Oe (Japão) e Martin Walser (Alemanha), por exemplo.

Na inauguração do evento, o diretor do Berliner Festspiele, Joachim Satorius, também poeta, expressou o desejo de que o festival se inserisse na "tradição de um teatro engajado e confiante no efeito da palavra". A tendência de incluir autores engajados já era mais ou menos a tônica do festival, que no mais sempre teve um programa muito desigual.

Além de destacar de certa forma a literatura de resistência em regimes não democráticos, os escritores são apresentados como interlocutores sobre a situação de seus países e envolvidos em debates com cientistas políticos. Este ano, a crítica questionou, no entanto, até que ponto escritores teriam uma opinião mais fundamentada sobre o mundo do que quem não escreve profissionalmente.

Leste x Oeste: "Até hoje não nos conhecemos"

Pelo menos para o jornal Die Zeit, que vive tentando inflamar debates políticos no meio intelectual, o escritor ainda tem muito a dizer sobre as circunstâncias sociopolíticas do lugar onde vive. Uma entrevista recente com a escritora Christa Wolf, um dos grandes nomes da literatura da antiga Alemanha Oriental, aborda as conseqüências da reunificação alemã.

Christa Wolf

Christa Wolf

"Através dos efeitos materiais da unificação alemã, sobretudo o alto índice de desemprego, muita gente no Leste tem a sensação de que somos inferiores. Uma coisa importante é o fato de as pessoas no Oeste nos virem como inferiores e nos olharem de cima", declarou Christa Wolf, lamentando que as críticas ao eleitorado do Leste por parte de políticos conservadores nas últimas eleições ainda corroboram mais esta sensação.

Christa Wolf também acusa os wessis, alemães do Oeste, de desinteresse pela outra parte do país: "O meu círculo de amizade inclui cada vez mais gente do Oeste. Mas no país como um todo, é necessário dizer com todas as letras que não houve interesse. Não houve nenhuma necessidade de aprender com os outros, com a gente. Eles se sentiam superiores. Até hoje não nos conhecemos."

Apesar de não ter exatamente esperança de que a força política da nova esquerda venha a mover o país, Christa Wolf considera importante uma força mais à esquerda do SPD (Partido Social Democrata) no Parlamento.

Para ela, algo tão importante quanto isso seria uma iniciativa de movimentos extraparlamentares críticos à política profissional.

O que restou de Sebald

O espólio do escritor e crítico literário alemão Winfried Georg Sebald (1944–2001) vai ser colocado à disposição de pesquisadores. Além da biblioteca do autor e de 69 caixas com documentos de arquivo, o material inclui correspondências e sobretudo manuscritos de suas obras literárias e publicações teóricas. O Arquivo de Literatura de Marbach, no sul da Alemanha, adquiriu em setembro o espólio do escritor que marcou a literatura européia na década de 90.

W.G. Sebald

Winfried Georg Sebald

W.G. Sebald viveu desde 1970 em Norwich, Inglaterra, como docente da Universidade de East Anglia. Suas obras narrativas – como o volume de contos Os Emigrantes (1992; publicado no Brasil pela Record, em 2002, em tradução de Lya Luft), o romance Austerlitz (2001) e seu volume de ensaios Os Anéis de Saturno (no Brasil: Record, 2004) – se tornaram conhecidas primeiro na Inglaterra, nos Estados Unidos e na França, antes de serem descobertos pela crítica alemã em meados dos anos 90. Sebald morreu em dezembro de 2001, após ter sofrido um infarto ao volante de seu carro.

Desde sua "descoberta" pelo público leitor alemão, ele ganhou importantes prêmios de literatura no país, além de ter desencadeado um amplo debate nacional com suas conferências sobre guerra aérea e literatura em Zurique, em 1998.

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