″Anonymous″ é chance de se aprofundar na identidade de Shakespeare, espera diretor | Cultura europeia, dos clássicos da arte a novas tendências | DW | 13.11.2011
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Cultura

"Anonymous" é chance de se aprofundar na identidade de Shakespeare, espera diretor

Roland Emmerich fala, em entrevista exclusiva, sobre lançamento de seu filme mais recente. Embora tenha opinião formada sobre a identidade do autor de "Macbeth", prefere que cada espectador se envolva com o tema.

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Emmerich e o ator Rhys Ifans

Ele é o diretor alemão mais bem-sucedido em Hollywood, e até então preferia encenar a destruição da Terra ou catástrofes globais em suas produções. Em contraste, seu mais recente filme Anonymous (Anônimo) trata de uma questão histórico-literária: quem foi William Shakespeare? Assim Roland Emmerich retoma o debate de 200 anos sobre a verdadeira identidade do autor inglês.

Em parte baseada em dados históricos, sua tese é a seguinte: o genial dramaturgo e poeta não seria William Shakespeare (1564-1616), natural da cidade de Stratford-upon-Avon, mas sim seu contemporâneo Edward de Vere, 17º conde de Oxford. A partir desta polêmica, o cineasta alemão construiu um empolgante thriller, que acaba de estrear na Alemanha. Ele falou à Deutsche Welle, em entrevista exclusiva.

Godzilla

'Godzilla' foi um dos sucessos de Emmerich

Deutsche Welle:O debate erudito em torno da verdadeira identidade do autor Shakespeare é travado de forma ferrenha e muito emocional. Como você explica esse fenômeno?

Roland Emmerich: Acho que ele é assim tão emocional, porque ambos os lados afirmam conhecer o verdadeiro autor. Eu me mantive um pouco de fora, mas por outro lado estou plenamente seguro de que o autor não era o homem de Stratford-upon-avon. Mas, mesmo assim, não vejo razão para se exaltar demais: cada um tem o seu próprio candidato, enfim. E enquanto se discutir, da forma que seja, sobre Shakespeare, isso é fantástico! Importante é falar sobre ele: afinal de contas, esse homem continua sendo o autor mais representado do mundo, mesmo após 400 anos.

Até o momento, você se destacou acima de tudo com filmes de ação de altos orçamentos. Anonymousaposta na força dos atores, na temática literária, no teatro. O que o atraiu em especial para esse projeto?

David Thewlis (l) als William Cecil und Joely Richardson als Prinzessin Elisabeth Tudor in einer Szene des Kinofilms «Anonymus» (undatierte Filmszene). Die Debatte ist nicht neu, aber der Zweifel bleibt: War William Shakespeare (1564-1616) wirklich der Verfasser von Weltliteratur wie «Romeo und Julia», «Wie es euch gefällt», «Julius Cäsar» und «Hamlet»? Der deutsche Hollywoodregisseur Roland Emmerich schlägt sich in seinem Historien-Drama «Anonymus» auf die Seite jener Forscher, die in dem Adeligen Edward de Vere, Graf von Oxford, den wahren Verfasser dieser Werke sehen. Der Film kommt am Donnerstag (10.11.2011) in die deutschen Kinos. Foto: Sony Pictures Releasing GmbH (zu dpa-Kinostarts vom 03.11.2011 - ACHTUNG: Verwendung nur für redaktionelle Zwecke im Zusammenhang mit der Berichterstattung über den Film und bei Urheber-Nennung)

Antecipo com prazer cada dia em que posso trabalhar com atores e rodar filmes com diálogos. São dias em que estou completamente feliz. Quando rodo cenas de ação, geralmente a sensação é: "Oh my God! Isso de novo ...!". Pois aí o que se filma, na realidade, são só as tomadas e os elementos previamente criados; em princípio, é só trabalho mecânico. Por outro lado, nesse tipo de filme é muito difícil motivar os atores a atuar de verdade e a levar o todo realmente a sério: esse é o trabalho principal nas cenas de ação.

Que reações recebeu sobre seu filme, até agora? Como reagiram, sobretudo, aqueles que defendem o Shakespeare "conhecido", estabelecido, de Stratford-upon-Avon?

Eles abominam o filme, claro. Mas acredito que, no nível do entretenimento, ele é, de certo modo, inatacável. Todo mundo sabe que nos filmes não se lida com os fatos históricos de forma tão exata assim. Cito como exemplo A ponte do Rio Kwai, um dos meus favoritos. Mas a ponte histórica continua lá até hoje, ela nunca foi detonada [como no filme].

Qual é a relação entre os fatos e ficção, no seu filme?

Jamie Campbell Bower als der junge Edward de Vere und Joely Richardson als Prinzessin Elisabeth Tudor in einer Szene des Kinofilms Anonymus (undatierte Filmszene). Die Debatte ist nicht neu, aber der Zweifel bleibt: War William Shakespeare (1564-1616) wirklich der Verfasser von Weltliteratur wie «Romeo und Julia», «Wie es euch gefällt», «Julius Cäsar» und «Hamlet»? Der deutsche Hollywoodregisseur Roland Emmerich schlägt sich in seinem Historien-Drama «Anonymus» auf die Seite jener Forscher, die in dem Adeligen Edward de Vere, Graf von Oxford, den wahren Verfasser dieser Werke sehen. Der Film kommt am Donnerstag (10.11.2011) in die deutschen Kinos. Foto: Sony Pictures Releasing GmbH (zu dpa-Kinostarts vom 03.11.2011 - ACHTUNG: Verwendung nur für redaktionelle Zwecke im Zusammenhang mit der Berichterstattung über den Film und bei Urheber-Nennung)

Jamie Campbell Bower (esq.) representa Edward de Vere, ao lado de Joely Richardson

Utilizamos muitos acontecimentos baseados em dados verídicos. Mas, por motivos dramatúrgicos, há também numerosas inexatidões históricas. Por exemplo, acredito que Robert Cecil [primeiro secretário de Estado e homem de confiança de Elisabeth 1ª] não fosse tão avesso ao teatro assim. Acredito também que o conde de Essex [suspeito de conspirar contra a rainha] era uma personagem muito mais complicada do que o apresentamos no filme. Um outro exemplo: à véspera da Revolta de Essex, Ricardo 3º não foi apresentado e sim Ricardo 2º. Mas teria ficado complicado demais no filme. No fim das contas, representamos muitas coisas de modo diferente, em função da dramaturgia.

Qual era a ideia central por trás do projeto? Era a questão de quem foi o verdadeiro Shakespeare? Ou mais a história das conspirações na corte inglesa?

Bem, no roteiro inicial havaia, mais ou menos, um triângulo entre Oxford, Shakesperare e Ben Jonson – esta era a ideia central. Mas inicialmente o script estava muito próximo de Amadeus [película de 1984 de Milos Forman, sobre o compositor Wolfgang Mozart], ocupando-se do tema "gênio ou não gênio". Eu disse então ao roteirista Johen Orloff: "It's too much Amadeus". Eu achava que deveríamos fazer um filme que se sustentasse por si mesmo. Conversamos longamente e, por fim, me convenci de que Anonymous não deveria girar em torno da questão da identidade do autor Shakespeare.

O que o convenceu de que William Shakespeare não foi o autor dos famosos dramas, mas sim Edward de Vere?

17.09.2011 DW-TV KULTUR 21 Anonymus

Cartaz de 'Anonymous' na Alemanha

Trata-se da maior caçada literária de todos os tempos. Só que não existe um único documento ou, pelo menos, uma carta que tenha sido jamais encontrada reforçando a tese de que o homem de Stratford-upon-Avon tenha sido Shakespeare! Na verdade, é um absurdo: uma pessoa que escreveu tanto, e não existe uma única carta!

O senhor crê que o filme incentivará o interesse por Shakespeare?

Creio que ele simplesmente pode fazer com que as pessoas entrem numa livraria ou na internet e digam: "Agora vou verificar com meus próprios olhos!". Aí, elas poderão decidir se se identificam mais com os "ortodoxos", com os "oxfordianos", ou com quem quer que seja. Foi isso o que aconteceu comigo.

Entrevista: Jochen Kürten (av)
Revisão: Soraia Vilela