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Mundo

"Ano de 2014 foi especialmente horrível", afirma diretor da Anistia

Avanço de grupos terroristas, como o "Estado Islâmico" e o Boko Haram, e conflitos na Síria, Faixa de Gaza e Ucrânia fizeram de 2014 um ano especialmente ruim para os direitos humanos, afirma Steve Crawshaw.

O novo relatório da Anistia Internacional sobre a situação dos direitos humanos no mundo mostra que o ano de 2014 foi "especialmente horrível", afirma o chefe de gabinete da Secretaria Geral da Anistia Internacional, Steve Crawshaw.

"Tantas coisas aconteceram ao mesmo tempo, da Nigéria à Síria, de Gaza à Ucrânia. As violações dos direitos humanos parecem aumentar ao invés de diminuir", comentou.

Ele também criticou a demora do Conselho de Segurança em reagir à situação na Síria e se mostrou preocupado com o avanço de grupos terroristas, como o Boko Haram e o "Estado Islâmico".

DW: Em comparação com anos anteriores, o relatório anual apresenta algum desenvolvimento?

Steve Crawshaw Amnesty International

Steve Crawshaw, da Anistia Internacioanl

Steve Crawshaw: Todos os anos, nós documentamos violações graves dos direitos humanos, mas para todos nós está claro que 2014 foi um ano particularmente horrível. Tantas coisas aconteceram ao mesmo tempo, da Nigéria à Síria, de Gaza à Ucrânia. Nós vimos casos terríveis de violência contra civis, tanto do governo quanto de grupos armados não-governamentais. Isso é muito preocupante. As violações dos direitos humanos parecem aumentar ao invés de diminuir.

O relatório informa que grupos armados não governamentais, como Boko Haram, Talebã ou "Estado Islâmico", perpetraram violações de direitos humanos em um de cada cinco países examinados. Tais grupos são uma crescente ameaça?

Há anos nós temos registrado problemas enormes relacionados a grupos armados, mas agora existe um padrão preocupante que se espalha – e não é só em uma região do mundo. Paralelamente a isso, registramos um comportamento extremamente errados dos governos. Na Nigéria, por exemplo, há um grande foco nos crimes do Boko Haram, mas muito menos atenção é dada aos crimes cometidos pelos militares nigerianos – que também decapitaram pessoas e gravaram tudo em vídeo. O problema dos grupos armados, esta loucura sem lei em muitas regiões do mundo, isso está maior do que nunca.

Estes grupos se desenvolvem em Estados frágeis, que fracassaram. Os Estados fracos são um problema que se agrava?

Estados frágeis e fracassados, como às vezes são chamados, sempre existiram. O real problema hoje é essas coisas ficarem fora de controle. A situação no Iraque, na Síria e em toda aquela região é muito preocupante no que se refere ao futuro. Quando essas coisas são levadas à sua atenção, o mundo pode pensar que elas são muito complicadas para se resolver, mas ao longo dos anos vimos que o mais problemático é quando se demora muito para se enfrentar os problemas. Se o Conselho de Segurança da ONU tivesse reagido de forma apropriada à violência contra manifestantes pacíficos na Síria, antes de a guerra começar, provavelmente não estaríamos onde estamos hoje.

Após as experiências negativas com as rebeliões árabes, o Ocidente pode ver as ditaduras como um "mal menor"?

Eu acho que os governos de todos os lados são muito seletivos ao tecerem críticas. Há uma grande relutância para se criticar a Arábia Saudita por razões que governos ocidentais chamariam de estratégicas ou geopolíticas. Mas o que a Arábia Saudita realmente precisa é observar os direitos fundamentais. Por isso os governos devem levantar a voz. No caso da Síria, a Rússia e a China têm bloqueado as resoluções do Conselho de Segurança da ONU.

Há outros conflitos, como na Faixa de Gaza, para o qual os Estados Unidos usaram reiteradamente seu poder de veto. Uma exigência-chave do novo relatório anual da Anistia Internacional, portanto, é que os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança renunciem a seu poder de veto em situações de violência em larga escala e outras violações sérias. Quando coisas terríveis acontecem não se pode simplesmente olhar para outra direção. No entanto, foi o que o Conselho de Segurança fez nos últimos anos com alguma frequência.

O que mais precisa ser feito?

Uma coisa importante que nós podemos fazer é aplicar o acordo sobre comércio de armas. A Anistia Internacional e outros defendem ao longo de 20 anos um tratado que proibisse a venda de armas para lugares e pessoas caso elas possam ser usadas para cometer atrocidades. Apesar de muitas pessoas terem dito que esse acordo era impossível de ser alcançado, hoje ele existe. O problema é que, apesar de muitos países o terem assinado, poucos o ratificaram.

Além disso, diante dos ataques terroristas mais recentes, não podemos repetir os erros cometidos depois dos ataques de 11 de setembro de 2001, suspendendo os direitos humanos fundamentais em resposta às ameaças. Nós, da Anistia Internacional, estamos preocupados porque muitos sinais indicam que isso poderá acontecer de novo. Outro ponto é que precisamos receber os refugiados com generosidade, oferecendo-lhes uma porta aberta.

O que o relatório prevê para 2015?

Há um risco claro de que a situação possa ficar pior. Nós observamos que os grupos armados estão se tornando cada vez mais fortes. Vemos ameaças à liberdade de expressão, aos direitos fundamentais e um agravamento da crise dos refugiados. Há um sentimento frequente de se afastar dos problemas porque eles são muito grandes, mas a ideia de que os problemas se resolvem se não olharmos para eles tem se mostrado errada, e há coisas que podem ser feitas.

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