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Mundo

Anistia Internacional chama fuzilamentos na Indonésia de "retrocesso"

Entidade diz que execução de condenados por tráfico de droga é grave revés para direitos humanos no país. Corpo de brasileiro executado foi cremado, e cinzas seguem para o Rio. Holanda protestou contra morte de holandês.

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Brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, fuzilado na Indonésia, em foto de arquivo de 2004

A Anistia Internacional classificou neste domingo (18/01) o fuzilamento de seis condenados por tráfico de droga como um retrocesso para os direitos humanos na Indonésia. Entre os executados, estava o instrutor de voo livre carioca Marco Archer Cardoso Moreira, de 53 anos, que foi cremado e cujas cinzas serão levadas ao Rio de Janeiro.

"Este é um grave retrocesso num dia muito triste. O novo governo tomou posse com a promessa de fazer dos direitos humanos uma prioridade, mas a execução de seis pessoas vai na contramão desse compromisso", disse o diretor de pesquisa da Anistia Internacional para o Sudeste Asiático e Pacífico, Rupert Abbott, em referência ao governo do presidente indonésio, Joko Widodo.

As execuções foram as primeiras desde a posse de Widodo, em outubro. A administração do país planeja ainda outras 14 execuções para este ano.

Apelo por fim das execuções

Rupert Abbott instou o governo indonésio a suspender as execuções e lamentou que o Executivo tenha mudado de direção depois dos "passos positivos" dados no país nos últimos anos.

"O uso da pena de morte em casa faz com que os esforços do governo para evitar execuções de indonésios no estrangeiro sejam hipócritas. A Indonésia deve impor uma moratória à pena de morte, visando a sua abolição", acrescentou Abbott, em comunicado.

Além do carioca, foram executados na ilha de Nusa Kambangan o cidadão holandês Ang Kiem Soe; Namaona Denis, residente do Malawi; Daniel Enemuo, nigeriano, e Rani Andriani, cidadã indonésia. A vietnamita Tran Thi Bich Hanh foi executada em Boyolali, na ilha de Java.

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Cidadão holandês morto na Indonésia Ang Kiem Soei: governo da Holanda condenou execução

O corpo do brasileiro foi cremado no país, e as cinzas serão levadas para o Rio de Janeiro pela advogada Maria de Lurdes Archer Pinto, tia de Moreira. Ela está na Indonésia e esteve com ele antes da execução.

Abalo nas relações diplomáticas

Após o fuzilamento do brasileiro, a presidente Dilma Rousseff se disse "consternada" e "indignada" e convocou para consultas o embaixador do Brasil em Jacarta. No meio diplomático, a medida representa uma espécie de agravo ao país no qual está o embaixador. Já o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, disse que a execução causa “uma sombra” na relação entre o Brasil e a Indonésia.

O governo da Holanda também condenou com rigor a execução de um cidadão de seu país. O rei holandês, Willem-Alexander, havia igualmente pedido clemência para seu compatriota ao presidente indonésio. "É profundamente triste que ele e outros cinco tenham sido mortos", disse neste domingo o ministro do Exterior da Holanda, Bert Koenders.

Moreira foi o primeiro brasileiro executado por crime no exterior. Ele trabalhava como instrutor de voo livre e foi preso em agosto de 2003, quando tentou entrar na Indonésia, pelo aeroporto de Jacarta, com 13,4 quilos de cocaína escondidos em uma asa-delta desmontada em sete bagagens.

Ele conseguiu fugir do aeroporto, mas foi localizado após duas semanas, na Ilha de Sumbawa. Moreira confessou o crime e disse ter recebido 10 mil dólares para transportar a cocaína de Lima, no Peru, até Jacarta. No ano seguinte, ele foi condenado à morte.

MD/ebc/lusa/dpa

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