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Mundo

Anistia acusa regime sírio de lucrar com desaparecimentos forçados

Mais de 65 mil pessoas foram detidas pelo Estado e milícias, obrigando familiares a pagar propinas a intermediários em troca de informações e impulsionando um lucrativo mercado negro, denuncia Anistia Internacional.

O Estado sírio e milícias aliadas detiveram mais de 65 mil pessoas, 58 mil delas civis, desde 2011, numa campanha de desaparecimentos forçados que constitui crime contra a humanidade, denunciou nesta quinta-feira (05/11) a organização humanitária Anistia Internacional (AI).

Os milhares de desaparecidos deram origem a um mercado negro, no qual funcionários do Estado e do governo estão lucrando com o dinheiro cobrado de familiares desesperados por informações sobre o destino dos detidos.

A organização de direitos humanos entrevistou parentes de pessoas desaparecidas que, "desesperados para descobrir o destino de seus familiares", pagaram propinas a intermediários ligados às autoridades para obter informações, impulsionando um lucrativo mercado negro.

As propinas variam de centenas a milhares de dólares, obrigando algumas famílias a vender suas casas para conseguir a quantia exigida, e tornaram-se uma parte importante da economia e "uma fonte inesgotável de recursos para o regime", afirma o relatório.

Os familiares em busca de informações ainda correm o risco de serem eles mesmo detidos. O relatório cita um caso "particularmente chocante": Rania al-Abbasi, dentista, foi detida em 2013 com os seis filhos, com idades entre os 2 e os 14 anos, um dia depois de o marido ter sido levado pela polícia da casa da família. Até hoje não há notícias de nenhum dos oito membros da família.

"Os desaparecimentos forçados efetuados desde 2011 pelo governo sírio foram perpetrados como parte de um ataque organizado contra a população civil, que tem sido amplo e sistemático", afirmou a Anistia Internacional.

"Estamos certos de que funcionários do governo e de presídios estão se beneficiando dos pagamentos que recebem em relação aos desaparecimentos, algo corroborado por centenas de testemunhas", afirmou Nicolette Boehland, autora do relatório, à agência de notícias AFP.

Segundo a AI, os detidos são colocados em celas superlotadas e sujas, acabando por morrer de doenças, torturas ou execuções extrajudiciais.

A Anistia afirmou ter tentado contatar autoridades sírias sobre o assunto, mas não obteve resposta. O governo do presidente Bashar al-Assad tem negado regularmente acusações de violação de direitos humanos.

Philip Luther, diretor do programa da AI para o Oriente Médio e o Norte da África pediu ao Conselho de Segurança da ONU que leve o caso dos desaparecimentos forçados ao Tribunal Penal Internacional.

Desde 2011, uma guerra civil assola o país, com grupos insurgentes de um lado e forças do governo e milícias aliadas do outro. Mais de 250 mil pessoas já morreram no conflito.

LPF/rtr/afp/lusa

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