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Mundo

Anistia acusa curdos de "crimes de guerra" na Síria

ONG de direitos humanos afirma que combatentes curdos estão deslocando forçosamente árabes de suas casas e destruindo vilarejos. Liderança local, por outro lado, anuncia aliança com grupos rebelde árabes.

A Anistia Internacional acusou, nesta terça-feira (13/10), as autoridades curdas de forçosamente deslocar árabes de suas casas em algumas partes da Síria. Paralelamente, militantes curdos anunciaram uma aliança com combatentes árabes.

A organização não governamental que defende os direitos humanos afirmou que uma missão investigativa visitou 14 cidades e aldeias no norte e nordeste da Síria e descobriu uma "onda de deslocamentos forçados e demolições de casas que remetem a crimes de guerra cometidos pelo governo autônomo curdo".

"Ao deliberadamente demolir casas de civis, em alguns casos devastando e queimando vilarejos inteiros, deslocando seus habitantes em motivos militares justificáveis, o governo autônomo está abusando de sua autoridade e descaradamente desprezando o direito humanitário internacional", disse o conselheiro sênior de crises da Anistia, Lama Fakih.

Alguns civis disseram que foram ameaçados com ataques aéreos da coalizão liderada pelos Estados Unidos se eles se recusassem a deixar suas casas, afirmou a Anistia por meio de relatório publicado nesta terça-feira.

Presença forte contra o "Estado Islâmico"

As forças do governo sírio se retiraram de quase todas as áreas curdas em 2012, com o governo autônomo curdo preenchendo a lacuna. Suas forças de segurança, que incluem as Unidades de Defesa do Povo (YPG), revelaram-se eficazes na luta contra a organização jihadista "Estado Islâmico" (EI), esculpindo uma zona autônoma para si no norte da Síria e até avançando em áreas controladas pelos extremistas em direção à cidade de Raqqa.

No entanto, conforme relatório da Anistia, moradores do centro de Raqqa e da província de Hasakesh, no nordeste do país, disseram que os combatentes curdos têm usado a batalha como pretexto para destruir casas, principalmente de árabes.

Em seu relatório, contudo, a Anistia citou combatentes curdos dizendo que o deslocamento forçado visa atingir simpatizantes do EI, incluindo curdos, e que ocorreu, em alguns casos, para a segurança dos próprios moradores.

Suprimento de armas e novas alianças

Mais cedo, a milícia curda YPG anunciou uma nova aliança com pequenos grupos de combatentes árabes, que também lutam contra o jihadistas do EI. O YPG, que alcançou ganhos territoriais com a ajuda do poder aéreo do EUA, forma a maior parte da aliança, com os outros grupos se autodenominando a Coalizão Árabe-Síria.

As forças americanas realizaram uma entrega aérea na segunda-feira. As suspeitas indicam que o carregamento continha munição para armas pequenas e outros suprimentos e que faz parte de uma nova estratégia.

Rebeldes árabes da aliança disseram terem sido informados por Washington de que um novo carregamento de armas está a caminho – equipamento que iria ajudá-los a lançar uma ofensiva conjunta com os curdos contra o EI em Raqqa.

O Exército americano confirmou apenas a entrega de suprimentos para combatentes da oposição "aprovados", mas não deu maiores detalhes sobre os grupos ou o conteúdo do equipamento. Washington, no entanto, disse que poderia direcionar recursos e armas para combatentes árabes que são aliados do YPG.

PV/ap/afp/dpa/rtr

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