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Mundo

Analistas apostam na extensão de negociações sobre programa nuclear do Irã

Prazo para que o país e o Grupo 5+1 cheguem a um consenso aproxima-se do fim. A DW ouviu quatro especialistas sobre os possíveis desdobramentos da que deveria ser a última rodada de conversações.

O acordo nuclear entre o Irã e o grupo 5+1 – composto pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia) mais a Alemanha – é pauta do atual encontro entre representantes desses países, que acontece em Viena desde a semana passada.

As autoridades têm até esta segunda-feira (24/11) para chegar a um consenso sobre o programa nuclear iraniano. A DW entrevistou quatro especialistas sobre os desdobramentos das negociações e seus impactos.

Entre os entrevistados está Laura Rockwood, chefe de seção para não proliferação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) entre 1985 e 2014 e atualmente gerente de projetos de gerenciamento nuclear da Universidade de Harvard.

A seguir, vêm Ali Vaez, especialista em Irã do International Crisis Group, e Oliver Thränert, coordenador do Centro de Estudos sobre Segurança no Instituto Federal de Tecnologia de Zurique.

O último da lista é Seyed Hossein Mousavian, ex-negociador iraniano sobre o programa nuclear do país, ex-embaixador do Irã na Alemanha e atualmente pesquisador na Universidade de Princeton, nos Estados Unidos.

DW: Na sua opinião, qual será o resultado da última rodada de negociações sobre o acordo nuclear? Sucesso, fracasso ou extensão? Por quê?

Laura Rockwood: Acho que essa não será a última rodada de negociações. Os países, provavelmente, irão concordar em prorrogar o acordo provisório [assinado em novembro de 2013, em que o Irã prometeu maior transparência] e, talvez, acertar alguns elementos gerais da solução de longo prazo.

O melhor resultado seria um acordo mútuo para uma solução abrangente de longo prazo, que assegure que o programa nuclear iraniano seja exclusivamente pacífico. Esse é o objetivo da atual negociação, mas as partes ainda não chegaram lá. No entanto, eu acredito que nenhuma delas esteja pronta para abandonar o processo.

Ali Vaez: É improvável que um acordo pleno possa ser alcançado dentro do prazo final. Ainda é possível, no entanto, um avanço que poderia justificar a adição de mais tempo ao relógio. A realidade é que o status quo não é perfeito, mas é preferível às alternativas existentes.

É difícil acreditar que algum lado irá permitir um desacordo que possa acabar com um consenso tão perto da conclusão. O problema é que ambos os lados são mais movidos por como vender um negócio para os céticos no próprio país do que por como chegar a um acordo.

Oliver Thränert: Acho que as delegações irão assinar um documento na última hora. A direção disso nos Estados Unidos e no Irã é outra questão. É óbvio que o governo de Obama necessita desesperadamente de uma história de sucesso em termos de política externa.

O Irã, ou mais precisamente o presidente [Hassan] Rohani, precisa do fim das sanções internacionais. A Rússia deseja vender reatores nucleares ao Irã, o que seria difícil se as negociações falharem. A China quer acesso livre ao petróleo iraniano. E a Europa deseja uma solução diplomática para preservar o regime de não proliferação nuclear. Assim, todos estão interessados no sucesso. As questões remanescentes podem ser resolvidas, uma vez que são mais ou menos de natureza técnica.

Seyed Hossein Mousavian: Eles provavelmente chegarão um consenso sobre os contornos do acordo e prorrogarão a negociação dos detalhes por alguns meses.

DW: Quais seriam as implicações de uma extensão das negociações para os Estados Unidos, o Irã e o Ocidente?

Laura Rockwood: Para todas as partes, a implicação mais imediata de uma extensão é a permanência das restrições do acordo provisório sobre o programa nuclear iraniano. Além disso, a AIEA continuará apta a monitorar o cumprimento das restrições, particularmente, por meio do gerenciamento do acesso a cursos sobre centrífugas e instalações de armazenamento. Isso deveria ser visto como algo positivo para os EUA, o Irã e o Ocidente.

Uma prorrogação das negociações também facilitaria o progresso de medidas práticas pendentes acordadas em maio de 2014, durante um terceiro passo de cooperação entre o Irã e a AIEA [um acordo para fornecer mais informações sobre experimentos com explosivos de alta potência e cálculos de transporte de nêutrons]. Até agora, o Irã não consegui resolver essas questões com a AIEA e é improvável que as resolva, se as negociações com grupo 5+1 falharem.

Ali Vaez: Um acordo nuclear poderia ser uma porta que permitiria ao Irã renovar a cooperação com o Ocidente em questões de interesse comum, como a estabilidade do Afeganistão e do Iraque, o extremismo na Síria e a segurança energética na Europa. Mas isso não está garantido. A história das relações entre o Irã e o Ocidente, especialmente com os EUA, é repleta de desentendimentos e oportunidades perdidas.

Oliver Thränert: A revogação das sanções poderia ajudar o Irã a recuperar sua economia. Isso porque Teerã poderia declarar o resultado das negociações como uma vitória, continuando sendo uma potência nuclear virtual. Teerã ganharia influência na região.

Os Estados Unidos, por um lado, ganhariam mais flexibilidade para lidar com conflitos no Oriente Médio, mas, por outro, aborreceriam parceiros tradicionais, como Israel e Arábia Saudita. Além disso, a longo prazo, uma corrida armamentista nuclear, incluindo não somente a Arábia Saudita, mas também a Turquia e o Egito, não pode ser descartada.

Seyed Hossein Mousavian: Seria um grande passo para um acordo final. Resolver as disputas na frente nuclear abriria as portas para uma cooperação entre Irã e Ocidente na maioria dos focos de crise no Oriente Médio, como Iraque, Afeganistão e "Estado Islâmico".

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