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Alemanha

Analfabetismo, problema também das nações ricas

Neste 8 de setembro, instituído pela Unesco como Dia Mundial da Alfabetização, volta à tona o debate sobre a educação como direito ou privilégio. Também a rica Alemanha tem quase três milhões de analfabetos.

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O dilema de interpretar palavras e seu sentido

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) adverte que o analfabetismo é um problema mundial, que atinge principalmente os países menos desenvolvidos. Quase um bilhão de pessoas em todo o planeta não sabem ler, nem escrever. A notícia positiva refere-se à redução no índice de analfabetos: enquanto há 50 anos ainda era de 49%, hoje diminuiu para 23% da população mundial.

Uma pesquisa do Instituto da Economia Alemã, de Colônia, revelou que a Alemanha tem cerca de três milhões de analfabetos. Isto não significa necessariamente que eles não saibam ler e escrever, trata-se em grande parte de analfabetos funcionais, pessoas que apenas assinam o nome e conseguem ler o essencial no dia-a-dia.

Numa entrevista exclusiva ao DW-WORLD, Andreas Baaden, da Unesco na Alemanha, ressaltou que o analfabetismo alemão deve-se à desigualdade de chances dos filhos de estrangeiros e de famílias carentes. Para ele, é necessário implementar a escola em período integral, que estimule mais as crianças.

Dez anos para reduzir índice à metade

Em janeiro do próximo ano, as Nações Unidas pretendem instituir a Década da Alfabetização Mundial. Em dez anos, a Unesco quer diminuir pela metade o índice mundial de analfabetismo (23%) e garantir que todas as crianças do planeta tenham acesso à escola.

A organização calcula que o acesso da população mundial ao ensino fundamental custaria entre 8 e 15 bilhões de dólares a cada ano. Para Baaden, este objetivo pode ser atingido. "É pouco, se comparado aos gastos com armamentos. As nações industrializadas têm que começar a atender suas responsabilidades e aumentar seus gastos com a ajuda ao desenvolvimento", conclui o representante da Unesco na Alemanha.

Educação como produto

Num comentário divulgado pela DW-Rádio por ocasião do Dia Mundial da Alfabetização, Heinrich Bergstresser lembra que a palavra educação na sociedade moderna voltou à moda, com a oferta de uma série de seminários e oficinas sobre o assunto. Para o redator da Deutsche Welle, é um sinal de que os países ricos estão se conscientizando que os problemas com o ensino não dizem respeito apenas às nações pobres.

Em plena era da informação, cresce a consciência sobre os riscos para a economia, quando os indivíduos de uma sociedade começam a ter problemas com leitura e escrita. Bergstresser lembra que a educação é um direito fundamental. E que subdesenvolvimento, progresso e modernização não podem ser erradicados do mundo apenas com o capital, também com a inteligência.

Responsabilidade social e política

O jornalista adverte ainda para o perigo das privatizações. "A educação não deve ser degradada a um produto, vendido a quem pode pagar mais", destaca e ressalta que "a educação é e deve continuar sendo de responsabilidade social e política, indiferente se num país rico ou pobre".

Concluindo, Heinrich Bergstresser alerta que a educação dominada pela iniciativa privada fomenta o abismo entre ricos e pobres e, por outro lado, pode produzir radicais e fundamentalistas. Dois fatores – pobreza e fundamentalismo –, que justamente deveriam ser combatidos pela educação, termina o redator da Deutsche Welle.

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