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Economia

Ampliação da UE divide Alemanha entre receio e otimismo

O povo alemão teme as conseqüências do ingresso de dez países do Leste à União Européia. Governo e empresariado estão convencidos que as vantagens superam os riscos. Quem está com a razão?

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Mapa da ampliação da UE, em Bruxelas

As pesquisas de opinião são inequívocas: quanto mais se aproxima a ampliação da União Européia, mais aumenta o ceticismo da população alemã. Para além do pessimismo econômico generalizado no país, há um grande temor da concorrência dos países do Leste Europeu no mercado de trabalho, assim como do crescimento da criminalidade internacional. Por fim, falta confiança básica na UE.

Uma enquete do Instituto de Pesquisa de Opinião Allensbach revela o temor de 84,9% dos alemães de que as firmas locais caiam em dificuldades, por não poderem produzir tão barato quanto os novos concorrentes; 73,5% receiam um aumento do desemprego na Alemanha e 82,1% um maior afluxo de imigrantes do Leste Europeu. Para 77,7% a maior ameaça é o crescimento da criminalidade.

No geral, 59% da população da Alemanha acredita que a ampliação é um passo precipitado. Um exame mais minucioso mostra nuances consideráveis neste ponto de vista, de acordo com a orientação política dos entrevistados: 67% dos democrata-cristãos e social-cristãos (CDU e CSU) são contra uma ampliação agora, assim como 66% dos que pertencem ao igualmente conservador Partido Liberal, contra 53% do Partido Social Democrata (SPD) e apenas 39% dos verdes.

Oportunidade de integração

Enquanto isso, o chanceler federal alemão, Gerhard Schröder, celebra o ingresso de dez novos países-membros em 1º de maio como uma "oportunidade histórica única" para superar definitivamente a divisão do continente no eixo leste-oeste, estabelecida após a Segunda Guerra Mundial.

A inclusão da antiga República Democrática Alemã na UE, após a reunificação do país, em 1989, fora um passo nesta direção, embora em proporções muito mais modestas. Com ela, parte da macabra Cortina de Ferro – a linha delimitando o Ocidente e o Leste – passava a ser fronteira interna da UE. Até então, relembra Schröder, "ainda havia ditadura e repressão, arame farpado e fuzilamentos na Europa Oriental".

Mais positivas ainda são as reações do empresariado alemão, que vê abrir-se um mundo de novas possibilidades. A Alemanha é, de longe, o principal parceiro dos novos membros: já hoje os negócios com o Leste garantem cerca de 100 mil empregos no país.

Faca de dois gumes

Galerie EU Erweiterung Polen Warschau

Varsóvia goes Coca-Cola (agosto de 2000)

Segundo estimativas do Instituto Eurostat, a ampliação em 1º de maio aumentará a população da União Européia em quase 20%, de 380,8 milhões para 545,9 milhões. A superfície do bloco europeu chegará a quase quatro milhões de quilômetros quadrados, ou 23% a mais. E embora os novatos não sejam exatamente potências econômicas, com eles o Produto Interno Bruto da UE ganha quase 5%.

Contudo, as estatísticas também chamam a atenção para problemas potenciais: se 20% a mais de habitantes representam um crescimento de apenas 5% do PIB, haverá forçosamente uma queda proporcional do desempenho econômico per capita. Segundo projeções realizadas em 2002, cada cidadão da UE ampliada renderá pouco mais de 90% dos valores atuais. Agrava-se ainda o abismo entre pobres e ricos: se hoje em dia a região européia com PIB mais elevado é cinco vezes mais rica do que a mais pobre, na União ampliada essa proporção será de um para nove.

Também no mercado de trabalho, o quadro futuro parece sombrio, com um aumento da taxa de desemprego de 8% para 9%. Com uma quota de desempregados de 19,1%, a Polônia – o maior dos novos países-membros – exerce o efeito negativo mais significativo.

Vários dos antigos países-membros, como a Alemanha, já vedaram seus mercados aos candidatos do Leste. Por outro lado, com seus salários muito mais baixos, a região apresenta-se como concorrente perigoso aos demais países. Enquanto uma hora de trabalho custa na atual UE, em média, 22,21 euros, na Letônia ela pode ser paga com parcos 2,42 euros.

Otimismo a prova de estatísticas

Mas políticos e empresários alemães parecem não se intimidar com estatísticas. Segundo o Instituto da Economia Alemã (IW), nos próximos dois anos o país viverá um crescimento econômico de até 0,5%, graças à inclusão dos países do Leste na UE. O consenso é que, não só do ponto de vista econômico quanto sobretudo político, as chances com a ampliação para o Leste irão superar de longe os riscos.

Prevenindo uma invasão de trabalhadores a baixos salários, a abertura do mercado para os novatos será gradual. Somente dentro de alguns anos estará totalmente liberalizada a escolha de postos de trabalho. E o governo de Berlim promete estar atento, no nível da UE, para evitar concorrência desleal devido à tributação mais baixa nos novos países-membros.

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