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Mundo

Ampliação ainda vai dar muita discussão

Para o Comissário da União Européia Günter Verheugen, que dirigiu as negociações com os candidatos a ingressar na UE, a ampliação será o principal tema de política interna na Europa.

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Comissário alemão Günter Verheugen: um dos arquitetos da ampliação da UE

O chefe de governo da Dinarmarca, Anders Fogh Rasmussen, foi sem dúvida o "herói" do encontro de cúpula em Copenhague que culminou com a ampliação da União Européia de 15 para 25 países membros. E para que tudo desse certo, teve que "engrossar", como admitiram ele próprio e vários participantes, comentando o tom duro e enérgico a que se viu obrigado a recorrer ante as divergências. "À tarde as negociações estavam tão problemáticas que eu cheguei a duvidar que conseguíssemos chegar a um resultado satisfatório", admitiu Rassmussen, referindo-se às exigências de maiores subvenções e cotas por parte da Polônia, Hungria e República Tcheca, no encontro encerrado sexta-feira (13), em Copenhague.

Mas se coube ao premiê dinamarquês o "osso duro" da presidência da União Européia na fase final das negociações, um dos principais arquitetos da ampliação foi o comissário da UE encarregado da questão, o social-democrata alemão Günter Verheugen, um político de atuação discreta, mas cuja habilidade diplomática não passou despercebida nos bastidores de Bruxelas, onde é tido como sinônimo de competência e sensatez.

Necessidade de informação

Para Verheugen, que dirigiu as negociações com os países candidatos ao ingresso, com os quais ainda há uma série de detalhes a acertar até sua plena integração, agora começa a segunda parte do seu trabalho, que não é menos difícil: ""Queremos dar a entender a todos os cidadãos da Europa por que tomamos essa decisão, por que ela está correta. Queremos explicar as implicações para os países e os cidadãos, e como a ampliação irá mudar a Europa", comentou Verheugen à agência alemã DPA, neste sábado (14).

As pesquisas de opinião realizadas na Europa às vésperas da histórica cúpula parecem confirmar a necessidade de informação. Apenas poucas pessoas sabiam que a data de ingresso para os novos membros era 1º de maio de 2004. Grande parte dos 15.000 consultados não sabia quantos nem qual eram os países prestes a serem admitidos e alimentava temores quanto às conseqüências econômicas da decisão.

Ampliação dominará debates

Günter Verheugen acredita que a ampliação da UE dará motivo a grandes controvérsias na política interna. "Agora crescerá em toda a Europa a importância desse tema, que dentro de pouco tempo irá dominar a política interna, também na Alemanha", disse o comissário. A avaliação feita pela União Democrata Cristã (CDU), maior partido de oposição ao governo federal na Alemanha, comprova que Verheugen tem toda razão.

A CDU elogiou a dimensão histórica da ampliação, mas criticou a atitude da União Européia em relação à Turquia. Teria sido "um erro muito grave" cogitar em iniciar negociações para o ingresso da Turquia a partir de 2004, mesmo sob certas condições, disse o porta-voz de Política Externa do partido, Friedbert Pflüger. Com sua iniciativa em prol da Turquia, o chanceler federal Gerhard Schröder pretenderia agradar os Estados Unidos e romper o isolamento em que se colocou com sua posição contrária à guerra do Iraque. A Turquia, segundo o deputado, estaria muito longe de cumprir os critérios para iniciar negociações com a UE, principalmente por seu atraso econômico e violações dos direitos humanos.

Já o ex-ministro alemão da Defesa Volker Rühe, também da União Democrata Cristã, considerou correta a decisão. A fórmula encontrada em Copenhague seria aceitável para a Turquia e ofereceria suficientes garantias à União Européia. A UE não é, segundo ele, "um clube cristão" e a religião não pode ser motivo de exclusão de um país que se candidata ao ingresso. O Islã é a religião predominante na Turquia.

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