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Esporte

Amoroso: "Eu só quero jogar"

Sem falar com a imprensa alemã, craque desabafa em entrevista exclusiva à DW-WORLD. Ele se sente preterido pelo técnico e fala em sair de Dortmund. Futebol alemão e Seleção Brasileira também foram temas da conversa.

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O atacante feliz, cena comum na temporada passada e rara na atual

Ao ser campeão e artilheiro em sua primeira temporada alemã, Márcio Amoroso jamais imaginou o purgatório em que a segunda se transformaria. Desde julho, o jogador mais caro do futebol alemão só disputou por inteiro duas únicas partidas. Uma por seu clube, o Borussia Dortmund, na Copa Alemanha (derrota de 3 a 0 para o Freiburg, da segunda divisão) e outra pela Seleção Brasileira, no último amistoso na Coréia do Sul (vitória de 3 a 2).

A lua de mel terminou de vez em agosto, quando Amoroso decidiu retornar ao Brasil para tratar de uma lesão no tendão de Aquiles com seu médico Rivaldo Baldo, à revelia do treinador Matthias Sammer. "Foi melhor lá, longe da pressão de ter de jogar logo, mesmo que não estivesse curado", justifica-se o atacante.

Dois meses depois, reapresentou-se ao clube. "Voltei muito bem recuperado e só preciso jogar para ganhar ritmo de jogo. Mas se o técnico não me escala, perco meu condicionamento e minha motivação vai embora", queixa-se Amoroso, que não se acostuma com o banco de reservas, entrando somente no fim das partidas, ou, quando é escalado desde o início, com as substituições já no intervalo.

"Alemães gostam de correr em vez de trabalhar com bola"

Falta de preparo físico do brasileiro costuma ser o argumento do treinador mais jovem a sagrar-se campeão da Bundesliga. Mas, para a imprensa alemã, existe represália por parte de Sammer e, por outro lado, falta de empenho de Amoroso. "Os jornalistas escrevem sem saber o que se passa no vestiário. Eles já puseram muito conflito entre mim e o técnico", reage o artilheiro da temporada passada, que não dá entrevistas para a imprensa alemã há mais de um mês, irritado com as notícias sobre ele.

O ex-jogador do Parma e do Flamengo também repudia as acusações de indisciplina: "Chego sempre no horário e treino como todos os outros". Mas Amoroso deixa transparecer não ser um fã dos treinos alemães. "Na Itália, dão muito mais valor à tática, enquanto na Alemanha eles trabalham mais a força física. Gostam muito de correr em vez de trabalhar com a bola", compara o goleador, depois de em outro momento da entrevista ressaltar: "Jogador brasileiro é extrovertido, gosta de mostrar habilidade, de divertir os torcedores, de jogar com alegria".

Hora de "tomar outra estrada"

O atacante repete que pessoalmente não tem qualquer problema com Sammer e que tem conversado muito com o treinador. "Ele precisa readquirir a confiança em mim e me colocar para jogar", receita o craque, que espera retornar a titular no mais tardar após os treinos do recesso de inverno, em janeiro.

"Se isto não acontecer, a motivação vai embora e a única coisa em que poderei pensar é resolver a situação quando o campeonato acabar. Se não houver mais espaço no clube, então é tomar outra estrada. Eu quero jogar. Se não posso aqui, tenho de procurar onde", ameaça, apesar de seu contrato vigorar até 2005.

"A postura de muitos colegas de equipe mudou"

Mas não é só o relacionamento com Sammer que se deteriorou. Amoroso diz que, "após a Copa do Mundo, a postura de muitos jogadores com ele mudou, o que vem tornando difícil manter um ambiente de família no vestiário". O desgaste entre os colegas não impede que o goleador aponte entre eles os melhores talentos do futebol alemão.

Para o craque verde-amarelo, o armador tcheco Rosicky é o melhor jogador da Bundesliga e o alemão Wörns, o melhor zagueiro. E qual o beque que ele mais teme? "Não temo nenhum. Os zagueiros é que devem temer os atacantes", rebate. Perguntado se prefere o gigante tcheco Koller ou o rápido brasileiro Éwerthon como parceiro de ataque, Amoroso responde diplomático: "Os dois, num ataque de três".

O descontentamento do brasiliense em Dortmund ultrapassa os limites do clube. "A vida também é mais difícil para minha família, que havia se dado muito bem na Itália. Aqui enfrentamos dificuldades de comunicação", admite o atacante, que conversa com o treinador em italiano, uma vez que Sammer igualmente atuou como jogador no país mediterrâneo. Quando o técnico dá orientações em alemão à equipe, o colega brasileiro Dede ajuda Amoroso, como tradutor. Além disto, Amoroso preferia o ar histórico das cidades italianas ao dos prédios do pós-guerra alemães.

Camisa canarinho, um trunfo

Diante da insatisfação, a convocação para a Seleção Brasileira que enfrentou a Coréia do Sul reanimou o artilheiro. "Infelizmente, o professor Scolari não deu uma chance para participar da Copa do Mundo. Ter sido chamado agora, depois de muitos anos, foi para mim uma alegria muito grande", ressalta Amoroso, que aproveita o episódio como trunfo.

"Se tenho condições de atuar 90 minutos pela Seleção Brasileira, acho estranho que não possa jogar no meu time", alfineta o atacante, que volta a sonhar com a disputa de um mundial. "Com 31 anos, a Copa de 2006 será minha última chance, embora tenha muito jogador se destacando no futebol brasileiro." Ou seja, para ser lembrado "preciso estar em minha melhor condição e, para isto, tenho de jogar também no clube", volta a bater na tecla Amoroso.

Ainda otimista com bicampeonato

Com o artilheiro na reserva e só um gol marcado, o Borussia Dortmund patina no Campeonato Alemão. Coincidência? "Na temporada passada, joguei todos os jogos e a gente estava lá brigando pelo primeiro lugar. Agora estamos a oito pontos do Bayern de Munique", compara o atacante, que mesmo assim não perde a esperança. "O campeonato é longo. Muita coisa ainda pode acontecer. No outro, passamos o Bayer Leverkusen na penúltima rodada."

O mesmo otimismo Amoroso não mostra em relação à briga pela artilharia. "Estou fora de cogitação este ano", admite o atacante, que no entanto promete terminar a temporada com 12 gols, igual número que o conterrâneo Aílton (Werder Bremen) soma no momento, na liderança entre os goleadores.