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Mundo

Ameaça terrorista online

Ministro alemão do Interior, Wolfgang Schäuble, chama a internet de "livro didático" de terrorismo e anuncia medidas austeras de controle da rede no país.

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Organizações terroristas: intercâmbio de informações na internet

Segundo especialistas, enquanto instruções para a construção de bombas pipocam pela internet, radicais islâmicos fazem uso cada vez mais freqüente de fóruns online para planejar atentados.

BKA-Präsident Jörg Ziercke

Jörg Ziercke, do Departamento Federal de Investigações

O presidente do Departamento Federal de Investigações (BKA), Jörg Ziercke, pretende, através de uma nova legislação, forçar os provedores de internet na Alemanha a controlar melhor o conteúdo de websites, o que inclui, por exemplo, tirar da rede instruções sobre a construção de bombas. Até hoje, essa forma de controle não era obrigação dos provedores.

Bernd Carstensen, vice-presidente da Associação dos Investigadores Criminais (BDK), acredita que não se deva subestimar as ameaças que surgem através do uso da internet por grupos radicais islâmicos. "Há indícios suficientes registrados por postos policiais e pelos serviços secretos, de que a internet é uma forma de comunicação extremamente importante para grupos islâmicos", diz o especialista.

Islâmicos de todos os matizes

A internet é usada como plataforma de intercâmbio tanto inidividualmente quanto por redes de comunicação. O Serviço de Defesa da Constituição da Renânia do Norte-Vestfália, por exemplo, vê a internet como um campo de ação para islâmicos de todos os matizes. Estima-se que o número de websites de ativistas islâmicos radiciais chegue a cinco mil. As salas de chat, nas quais os grupos terroristas acabam entrando em contato uns com os outros, não entram nesta contagem.

Segundo Gabriel Weimann, especialista em comunicação em Haifa, Israel, e autor do livro Terrorismo na internet, até o ano de1998 havia apenas uma dúzia de websites com contéudo terrorista na internet. No mais tardar depois do 11 de setembro de 2001, segundos os especialistas, o número destes websites aumentou consideravelmente.

Inovações tecnológicas

Terror Ermittlungen in Köln

Após atentados fracassados, policiais revistam apartamento em Colônia: instruções para construção de bombas na internet

Há, de acordo com os observadores, uma mudança óbvia do uso da internet por grupos islâmicos de uma plataforma de propaganda em direção a uma rede de contatos. "Da mesma forma como a internet ganhou uma importância maior em todos os setores da sociedade, isso também aconteceu em relação a grupos islâmicos radicais", diz Carstensen, que também atua no Departamento Estadual de Investigações de Schleswig-Holstein.

"Desde que surgiram inovações tecnológicas como salas de chat, fóruns de discussão e áreas cuja entrada é controlada por senhas, a internet passou a ser cada vez mais usada por grupos terroristas. Na rede, é possível se comunicar anonimamente", observa o especialista.

Propaganda na rede

Hoje, tanto a polícia quanto o serviço secreto rastreiam a internet em busca de conteúdos que possam estar ligados à propaganda islâmica radical. No entanto, por razões de segurança, o Departamento Federal de Investigações e o Ministério alemão do Interior negam-se a dar declarações a respeito da amplitude desses conteúdos.

De acordo com a Associação dos Investigadores Criminais, há, dentro do serviço secreto e da estrutura policial, vários profissionais que se ocupam de delitos na internet, mesmo que as regras para exercer tal função sejam diferentes em cada Estado e nem todos Estados possuam um departamento destinado apenas ao problema. E, mesmo nas regiões em que este departamente existe, ele não cuida apenas do terrorismo na rede, mas também de delitos como pornografia infantil ou criminalidade no setor financeiro.

Máquinas de busca são insuficientes

Hand mit Notebook

Filtros bloqueiam páginas com conteúdo ligado a planos de atos terroristas

A Associação dos Investigadores Criminais questiona a forma como as investigações na internet vêm sendo conduzidas até agora: "Quando se procura tais páginas na rede com o auxílio das máquinas de busca comuns, esbarra-se sempre num filtro, que bloqueia sites que contêm possíveis delitos", diz Carstensen.

No mais, segundo o especialista, os investigadores não têm, via de regra, uma formação especial para tratar de assuntos relativos à internet. Quanto às medidas de controle mais austero da rede aunciadas pelo ministro do Interior, Wolfgang Schäuble, ainda não se sabe que alcance terão. No próximo 4 de setembro, deverá ser realizada uma conferência especial dos secretários do Interior de cada Estado para discutir a questão.

O exemplo a ser seguido, na opinião dos especialistas, é o Reino Unido, onde os sistemas de vigilância por vídeo, telefone e internet já são consideravelmente avançados, se comparados aos existentes na Alemanha.

Capacitação necessária de pessoal

Para o especialista Carstensen, não há exatamente necessidade de mais pesoal para o setor de delitos terroristas na internet, mas sim de uma melhor capacitação dos envolvidos: "Os investigadores devem estar em condições de analisar resultados de busca e, para isso, precisam de conhecimentos da língua árabe".

Outro fator importante, segundo o especialista, seria também a forma de pesquisa na rede, que possibilitasse aos investigadores estabelecer eles próprios os parâmeros da busca. Além disso, outra barreira seriam os passos que os policiais precisam seguir, quando encontram sites com conteúdo passível de punição: primeiro fazer um screenshot da página, depois localizar o provedor e só então confiscar o disco rígido onde está arquivado o material.

"Esse processo pode, diga-se de passagem, demorar dias e até semanas, o que faz com o que os conteúdos desapareçam da rede neste interim", conta Carstensen.

"Uma falha imperdoável, quando se pensa que no mercado há vários programas que permitem não somente uma pesquisa mais afiada dos conteúdos, mas também a possibilidade de manter essas páginas suspeitas na rede até o esclarecimento da situação. Mas no setor policial, infelizmente, ainda reza a lenda de que é melhor procurar soluções individuais e desenvolver os próprios sistemas do que comprá-los de outros", alerta o especialista.

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