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Mundo

Ambição de liderança não faz um mundo melhor

O pronunciamento oficial do presidente americano suscitou grande expectativa, não apenas nos Estados Unidos. Daniel Scheschkewitz, correspondente da Deutsche Welle, não crê que Bush tenha convencido o eleitorado.

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O presidente George W. Bush não é conhecido por sua falsa modéstia ou autocrítica. Isso foi demonstrado também este ano, no seu pronunciamento à nação. Indiferente a todas as críticas no país e no exterior e indiferente às constantes dificuldades enfrentadas no Iraque, Bush defendeu mais uma vez de forma ardente a guerra contra o regime de Saddam.

O êxito só lhe dá uma justificativa parcial: a transformação para uma democracia estável no Iraque é uma possibilidade real, graças à intervenção americana, mas ainda pode ocorrer algo bem distinto. Enquanto isso, a credibilidade dos Estados Unidos sofreu danos graves em todo o mundo, em face da falta de armas iraquianas de extermínio de massa. Isso não mudou com o recente pronunciamento de Bush.

No Afeganistão, o balanço parcial é um pouco melhor, mas também aqui nem tudo está resolvido: continua existindo o "eixo do mal", que Bush denunciou há dois anos. Somente com sensibilidade diplomática e com o apoio da comunidade internacional é que a ameaça atômica através da Coréia do Norte e do Irã poderá ser eliminada. Por outro lado, esses regimes, da mesma forma como a Líbia, só se movimentaram porque os EUA de Bush, com sua política de poder e de prevenção, deram no caso do Iraque uma prova impressionante de sua capacidade de ação militar.

Já a promessa feita por Bush no ano passado, de combater mundialmente a epidemia de AIDS com um programa bilionário, não foi cumprida até agora. O Congresso americano destinou ao projeto a modesta verba de 400 milhões de dólares. Esse é o balanço da política externa de Bush.

Política interna

O poderoso chefe da Casa Branca logrou, em apenas um mandato, transformar o maior superávit do orçamento público num déficit recorde. Apesar disso, sua receita econômica continua sendo a redução de impostos. Disso tiraram vantagem até agora os ricos e os super-ricos. A conta terá, porém, de ser paga posteriormente por toda uma geração de americanos ainda jovens.

Tampouco é convincente até agora o balanço do governo Bush no que se refere à criação de empregos: os Estados Unidos perderam centenas de milhares de postos de trabalho, em parte bem remunerados, nos últimos anos. Agora, o presidente fomenta a exploração de mão-de-obra dos países latino-americanos vizinhos, que ele quer atrair para o país através de um programa limitado de imigração legalizada. Para muitos desempregados americanos, isso é tão insensato quanto o ambicioso programa de viagem a Marte.

O presidente Bush foi para os americanos um líder decidido e imperturbável na luta contra o terrorismo internacional. Sua política social, contudo, dividiu ainda mais a nação e a conduziu de volta à era de Ronald Reagan. As próximas eleições presidenciais demonstrarão se isso tem a chancela permanente do eleitorado. (am)

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