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Economia

Amazon afasta empresa de vigilância após denúncia de maus-tratos

Reportagem revela que trabalhadores temporários da Amazon eram intimidados por seguranças, alguns dos quais vestiam roupas associadas a grupos neonazistas.

A empresa de comércio eletrônico Amazon dispensou os serviços de uma firma de vigilância nesta segunda-feira (18/02), depois de denúncias de que trabalhadores do seu setor de logística na Alemanha estariam sendo vítimas de maus-tratos.

"Como empregadora responsável de aproximadamente 8 mil funcionários de logística, nossa empresa tem tolerância zero à discriminação e intimidação, e esperamos o mesmo dos nossos parceiros", afirmou uma porta-voz.

Uma reportagem da rede de televisão Hessicher Rundfunk gerou revolta entre consumidores alemães ao revelar que trabalhadores temporários da Amazon eram importunados e intimidados pelos seguranças, alguns dos quais vestiam roupas associadas a grupos neonazistas.

A reportagem afirma que a empresa de vigilância H.E.S.S. mantém contato com a cena alemã de extrema direita, sendo que o diretor da empresa aparece ao lado de notórios neonazistas em fotos disponíveis na internet. A H.E.S.S. negou as acusações.

Segundo a reportagem, os trabalhadores temporários da Amazon sofrem com jornadas de trabalho abusivas e vivem em péssimas condições, muitas vezes tendo que dividir espaços pequenos com mais seis colegas. A Amazon alemã contrata milhares de trabalhadores temporários de outros países da Europa, especialmente durante a época de Natal.

Segundo a reportagem, eles apenas recebem o contrato de trabalho após chegar à Alemanha, e em vez de serem contratados diretamente pela Amazon, conforme lhes havia sido prometido, acabam trabalhando para empresas terceirizadas, o que normalmente significa salários mais baixos. Muitas vezes os contratados chegam a trabalhar até 15 dias seguidos sem folga, e sempre sob rígida vigilância dos agentes de segurança.

Sindicalista confirma denúncias

Nas redes sociais, consumidores iniciaram campanhas de boicote à Amazon

Nas redes sociais, consumidores iniciaram campanhas de boicote à Amazon

As condições de trabalho mostradas na reportagem da Hessischer Rundfunk foram confirmadas pelo sindicalista Norbert Faltin, que trabalha no centro de logística da Amazon na cidade de Koblenz. Ao mesmo tempo em que afirma ser "100% Amazon", Faltin confirma que recebe um grande número de denúncias por parte dos empregados, especialmente durante a época do Natal.

Ele avalia que os casos apresentados na reportagem são sintomáticos para toda a Alemanha, mas evitou insinuar que os trabalhadores vindos de países europeus em crise, como Espanha e Grécia, sejam considerados de segunda categoria pela empresa.

Faltin considera pouco provável que trabalhadores estrangeiros cheguem a formalizar queixas, mas vê a decisão da empresa de afastar a firma de segurança como um bom sinal, apesar de sentir falta de um pedido de desculpas da direção alemã.

Indignação e sentimento de culpa

Consumidores reagiram com indignação às denúncias da reportagem. Em algumas redes sociais foi convocado um boicote à Amazon. Mas, segundo o especialista em redes sociais Tapio Liller, essa revolta é apenas uma válvula de escape. "Muitas das pessoas que se manifestam são clientes da Amazon e acabam se sentindo culpadas pela situação."

Dessa forma, expressar repúdio na internet seria uma maneira de se livrar da consciência pesada, sem que haja mudanças reais no comportamento desses consumidores. O especialista afirma que, quando chegar a época do Natal e surgir a necessidade de fazer compras de última hora, as pessoas que agora reclamam irão recorrer novamente ao comércio online e ficarão satisfeitas se as encomendas chegarem no dia seguinte.

RC/dw/dpa/afp/rtr
Revisão: Alexandre Schossler

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