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Ciência e Saúde

Amazônia mais seca compromete absorção de CO2, diz estudo

Pesquisa inédita publicada na última edição da revista "Nature" mostra que, em ano de seca forte e muitas queimadas, floresta tem sua capacidade de retirar gás carbônico da atmosfera comprometida.

O estudo sobre a Floresta Amazônica que estampa a capa da Nature publicada nesta quinta-feira (06/02) mostra o quanto a falta de água reduz a capacidade da mata de absorver carbono. A pesquisa – a mais completa do tipo já feita – observou os níveis de carbono que pairam sobre toda a Bacia Amazônica ao longo de dois anos (2010 e 2011).

O primeiro ano de observação foi de forte seca na região. Em 2010, a Amazônia registrou um recorde de emissões de CO2 devido a queimadas: foram 510 milhões de toneladas. Vivendo um estresse causado pela escassez de água, a floresta conseguiu absorver apenas 30 milhões de toneladas de CO2. Ou seja, os 480 milhões restantes gerados pelas queimadas foram parar na atmosfera.

"Nós observamos que a seca diminuiu muito a capacidade das plantas de absorver carbono", observa Luciana Vianni Gatti, química da USP e coautora principal do estudo. Em entrevista à DW Brasil, Gatti explica que aquele período de seca em 2010 já havia começado na estação chuvosa – a água que deveria ter caído na época mais úmida não veio.

Em 2011, por outro lado, o cenário foi outro. O ano registrou chuvas acima da média, uma "variabilidade máxima", como pontua a pesquisadora. O panorama favoreceu a absorção de 250 milhões de toneladas de CO2 e deixou um saldo positivo que variou entre 50 e 60 milhões de toneladas.

Essa variação surpreendeu até os cientistas. "É muito difícil com apenas dois anos de observação traçar uma relação precisa entre a presença de água na floresta e a sua capacidade de absorção de carbono", pondera Gatti. A pesquisa foi feita em parceria com universidades de Brasil, Estados Unidos e Reino Unido.

Sobrevoos na imensidão verde

O inédito no estudo está nas medições: toda a Bacia Amazônia foi monitorada, uma área de mais de 7 milhões de km2 nos territórios de Peru, Colômbia, Equador, Venezuela, Guiana, Suriname, Bolívia e Brasil.

Os pesquisadores fizeram 80 sobrevoos por ano; dois por mês em cada uma das quatro regiões da bacia. Nunca um estudo com medições no avião havia sido feito por muito tempo, as campanhas eram curtas, normalmente um voo na estação chuvosa e outro na seca.

"O sucesso do trabalho foi a estratégia cientifica, que foi fruto de trabalho de mais dez anos de muitos pesquisadores que trabalharam na Amazônia", reconhece Gatti. Em nome do projeto, a equipe teve que superar desafios logísticos, como usar ruas comuns como pista de decolagem e a apreensão de cargas por falha na comunicação eletrônica. "Temos uma equipe heróica", resume Gatti.

Mais 10 anos de estudo

Para os pesquisadores, qualquer afirmação sobre a relação da presença de água na floresta e sua fixação de CO2 seria prematura. "É preciso frisar que 2011 foi um ano de muita chuva depois de um ano extremamente seco. Será que a floresta absorveu tudo o que ela tinha capacidade de absorver? Será que em um ano normal ela absorveria mais ainda?" São questões que Gatti e sua equipe querem responder.

A meta é conduzir o estudo ao longo de uma década. As observações continuam em 2014, o grupo recebe financiamento de instituições do Reino Unido, da Fapesp, Geocarbon e Ministério de Ciência e Tecnologia.

Na última década, os anos de seca anormal na Amazônia foram 2005 e 2010. Se as medições continuarem como previsto, o resultado mostrará o como o papel da floresta é importante para retirar o CO2 da atmosfera e, assim, diminuir o efeito estufa, acreditam os cientistas. "Ainda vamos ter uma média que mostra a Amazônia retirando muito carbono da atmosfera", prevê Gatti.

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