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Alemanha

Amargas olivas

Muitos dos projetos incentivados pela UE são nocivos ao meio ambiente, o que vai de encontro à legislação comum do bloco. Organizações ambientais exigem mais atenção de Bruxelas, que pouco reage por falta de pessoal.

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Plantio de oliveiras pode ser responsável pela devastação do solo

A União Européia apóia projetos que respeitam o meio ambiente, no entanto esse contingente é mínimo, se comparado ao daqueles que causam a destruição ambiental, segundo afirma Guy Beafoy, da organização WWF, em entrevista ao semanário Die Zeit. Beafoy denuncia, por exemplo, a política européia de incentivo à plantação de oliveiras, que seria responsável "por um dos maiores escândalos político-ambientais da Europa: a devastação da Espanha, Grécia, Itália e Portugal".

Bomba ecológica – Acreditando aumentar a produtividade, agricultores espanhóis acabam transformando o solo do país em uma bomba ecológica através do cultivo de olivas. Organizações ambientais defendem hoje que o plantio de vegetação entre as oliveiras não prejudica a produção das mesmas. Muito pelo contrário, o mecanismo é apontado como uma forma de proteção à fauna, o que evitaria também a erosão do solo.

Apenas na Espanha, 20% do solo está ameaçado de erosão. O cultivo das olivas, segundo especialistas, é um dos principais responsáveis pela situação. É exatamente aí onde a UE entra em contradição com seus princípios jurídicos: Bruxelas vê-se incentivando projetos que ferem a legislação de respeito ao meio ambiente, uma das prioridades – pelo menos teóricas – do bloco de 15 países.

Fiscalização inerte – Na Espanha, a produção do azeite de oliva recebe anualmente da UE cerca de dois bilhões de euros. "Isso já é conhecido há muito e mesmo assim nada muda", reclama Beafoy ao Die Zeit. A prova da inércia da fiscalização de Bruxelas é, segundo especialistas, a reforma agrária proposta pelo comissário europeu Franz Fischler, que tem como objetivo convencer os agricultores europeus a desenvolverem projetos que respeitem o meio ambiente. Nesta, no entanto, o cultivo das olivas não é nem sequer mencionado. Segundo consta, Fischler não quis se envolver em uma briga com o "lobby dos agricultores".

As críticas às lacunas da UE não vêm apenas de ONGs de ambientalistas. Até mesmo a comissária européia para meio ambiente, Margot Wallström, admitiu que a aplicação das leis ambientais dentro da UE seria "nem sempre satisfatória". A razão é simples: nem todos os projetos financiados pelo bloco passam pelo aval da comissária e de sua equipe. Logo, o critério do desenvolvimento sustentável muitas vezes deixa simplesmente de ser avaliado quando um projeto está na lista de espera de verbas da UE.

Aumento de reclamações – O número de reclamações de ambientalistas registrado pelos burocratas de Bruxelas, no entanto, cresce cada vez mais. Em boa parte das vezes, trata-se de projetos apoiados pela própria União. Um bom exemplo que pode vir a ser financiado pelos cofres da UE é o Plano Hidrológico na Espanha, que pretende com 120 represas e vários canais levar água do norte ao sul do país. "Isso é um desastre ecológico", observa Susanna López da organização Ecologistas em Ação ao Die Zeit.

Falta de pessoal – Para muitas das ONGs européias voltadas para a defesa do meio ambiente, a administração da UE em Bruxelas, não conseguiria nem que quisesse pôr um fim à falta de critérios ecológicos dos projetos que financia. Em Bruxelas, apenas 17 burocratas avaliam se a legislação ambiental está sendo respeitada, o que significa praticamente um funcionário para cada país. Logo, tempo para uma avaliação mais detalhada definitivamente não sobra. "A UE não pode nem ao menos enviar seus próprios inspetores", critica Angelina Herrmanns, da WWF.

Enquanto alguns dos países membros do bloco reclamam do "imperialismo ecológico" de Bruxelas, algumas poucas organizações lutam pelo cancelamento de projetos nocivos ao meio ambiente. No caso das oliveiras, fazer frente ao rentável e bem-sucedido comércio do azeite é certamente uma tarefa árdua, se não impossível.