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Economia

Alta dos aluguéis desafia moradores de grandes cidades alemãs

Valores vêm aumentando tanto que muitas pessoas simplesmente não conseguem mais bancar a vida em cidades como Munique e Hamburgo. Especialistas discutem habitações sociais e limite de preços como solução.

Um aposentado que more num espaçoso apartamento no centro de Munique, no sul da Alemanha, paga um aluguel relativamente baixo por viver ali há décadas. Se ele desejar se mudar para um apartamento mais prático e com menos dependências, provavelmente terá uma surpresa. Nos últimos anos, os aluguéis aumentaram de tal modo que um apartamento menor no mesmo bairro pode sair até mais caro.

Aluguéis altos fazem parte da realidade de grandes cidades alemãs, como Munique e Hamburgo. Cada vez mais pessoas desejam mudar-se para os centros urbanos, e aqueles que já vivem lá não querem sair, explica Ulrich Ropertz, porta-voz da Associação Alemã dos Inquilinos.

Outro problema é que não se constroem novas moradias suficientes. "Há uma grande demanda nos grandes centros", concorda Michael Voigtländer, do instituto econômico IW, de Colônia. Na capital Berlim, por exemplo, foram construídos apenas 6 mil apartamentos em 2011, enquanto o número de habitantes subiu mais de 40 mil, diz.

De acordo com dados de 2009 da Associação Alemã dos Inquilinos, os residentes de Munique são os que pagam os aluguéis mais altos do país, que chegam a até 9,99 euros por metro quadrado.

Em outras cidades bastante procuradas, como Wiesbaden, Stuttgart e Colônia, o preço por um apartamento comum de 65 metros quadrados é de no mínimo 7,30 euros por metro quadrado. Já em cidades menos populares, como Eberswalde, próxima a Berlim, o aluguel por metro quadrado gira em torno de 3,50 euros.

"Nossa legislação permite ao proprietário cobrar o preço que achar justo no momento do fechamento do contrato de aluguel. Não há limites legais", explica Ropertz. Segundo o especialista, isso significa que, ao fechar um contrato, pode-se pagar 20%, 30% ou até 40% a mais do que o preço médio da mesma região.

Deutschland Architektur Walter Gropius Gropiusstadt in Berlin

Habitações sociais - como a Gropiusstadt em Berlim - podem levar à criação de "guetos"

Habitações sociais

A Associação dos Inquilinos defende que o governo – nos níveis local, regional e federal – tome atitudes contra a explosão dos aluguéis de imóveis, e considera que as autoridades são negligentes em relação ao tema.

"Os políticos baseiam-se no encolhimento da Alemanha", diz Ropertz. De fato, a população alemã vem diminuindo gradualmente. Mas um fator ainda mais decisivo é o número de residências, aponta o especialista. Esse número aumentou nos centros urbanos porque cada vez mais pessoas querem morar sozinhas.

Para combater o deficit de moradias nas grandes cidades, a associação sugere maiores investimentos nas chamadas habitações sociais. Trata-se de residências fomentas pelo governo, cujos aluguéis não podem ultrapassar um valor determinado. Assim, pessoas de baixa renda também podem morar em localidades mais populares.

As habitações sociais são tradicionais na Alemanha desde os tempos da República de Weimar, nos anos 20. No entanto, Voigtländer afirma que há mais desvantagens nesse sistema do que benefícios.

"Essas moradias podem ser oferecidas apenas a um pequeno grupo de pessoas necessitadas, e ainda há casos onde os limites dos preços dos aluguéis são altos demais", diz.

Em Colônia, por exemplo, somente em torno de 50% dos residentes são beneficiados, aponta Voigtländer. E não apenas os mais pobres beneficiam-se do sistema, mas também pessoas que teriam condições de pagar aluguéis mais caros.

Outro efeito negativo do programa pode ser a criação de "guetos" em áreas com um número desproporcional de habitações sociais. Devido à concentração maior do que o normal de desempregados e trabalhadores de baixa renda, essas áreas ganham má reputação e desvalorizam-se. Segundo Voigtländer, pessoas de melhor renda acabam, então, mudando-se para outras regiões.

Limite de preço

A Associação dos Inquilinos acredita que habitações sociais não bastam para tornar novamente acessível os valores dos aluguéis em cidades como Düsseldorf e Hamburgo. A organização defende que também seja estabelecido um limite de preço para os aluguéis para impedir aumentos arbitrários. Tal limite foi recentemente introduzido em algumas regiões da Baviera, inclusive em Munique.

Porém, enquanto os preços continuarem a subir, os locatários terão que encontrar seus próprios meios para lidar com a situação. O economista Voigtländer dá um conselho: "Não é má ideia mudar-se para um local um pouco mais afastado das cidades. Há muitas áreas boas que dispõem de uma boa infraestrutura."

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